Carta de uma mãe ao filho desaparecido(FILOMENA TEIXEIRA)

filo,emaRui Pedro
Meu filho, faz amanhã 16 anos que não te vejo, e depois deste tempo todo ainda espero por ti! Espero e esperarei até que me digam algo de ti! Este tempo todo imagino-te crescendo, tornando-te um homem,e eu aqui parada no tempo, á tua espera! Nunca deixarei de te esperar!!! De uma forma ou de outra, os dias sucedem-se, muitos Já partiram, outros nasceram e cresceram enquanto estiveste fora…outros vão nascer breve, sabias? Há tanta coisa para te dizer, tantas promessas a cumprir que não vão chegar o resto dos meus dias para os realizar…volta, estamos aqui todos á tua espera…tal como naquele fatídico dia 4/03/1998…Se não quiseres falar basta um abraço, tu sabes dar tão bem abraços! e beijos pequeninos…bem sei que estás crescido, mas a mim não vais negar?! Tenho tentado tudo para suportar a tua ausência…tudo mesmo!!! Ás vezes digo a mim própria que é um pesadelo e que vou acordar a qualquer momento e tu estás aqui…depois abro os olhos e a realidade atordoa-me os sentidos! NÃO ESTÁS! e não posso fazer nada!!!!
Sabes, já nem rezo, olho para o vazio e mentalmente pergunto por ti?! Já nem sei quem sou, ou no que me tornei!!!Um fardo para uns…uma lunática para outros! Dizem que sou forte?! Quando eu sou tão frágil…imagina a tua irmã o que tem de suportar?! E ser a filha mais maravilhosa que alguém poderia ter! Porque é nisso que ela se tornou Pedro, num ser humano espantoso! Tens de ter orgulho nela!Vês filho, o que tenho para te dizer não chega uma carta…Como faço para comunicar contigo? A tua irmã está á distancia de um telefonema, basta-me saber que está bem! contigo faria igual, só quero que sejam felizes! É pedir muito filho?
Quando puderes juras que me respondes? Eu continuo aqui à espera..
Um Abraço do tamanho do mundo, da tua mãe que te adora e não sabe o que fazer sem ti?!
P.s. Estou a escrever-te do teu quarto, o pai acabou de entrar, ele trabalha muito, e sente muito também a tua falta, só não sabemos como te dizer!? Daí a carta, desculpa se é muito longa, mas juro que se tu vieres eu não te canso! Eu calo-me e basta-me o teu olhar no meu.
Adoro-te! Mãe.
                                                                                  ………………………………………………………….
Esta é uma carta extremamente comovente de Filomena Teixeira mãe de Rui Pedro.
Esta mãe esteve várias vezes à beira de sucumbir…e tem conseguido resistir…porque
continua a acreditar que seu filho está vivo.
Eu nada posso fazer, mas peço se alguém sabe o que aconteceu ao Rui Pedro há
maneiras de o dizer sem se identificar. 16 anos passados, é mais que tempo desta
família, desta mãe, saber a VERDADE. Tem sido um SOFRIMENTO  HORRÍVEL
de toda esta família, mas sobretudo de FILOMENA TEIXEIRA.
                                                                                     …………………………………………………
Alguns dados sobre o Rui Pedro ( cuja foto aqui inserida está obviamente desactualizada,
porque já se passaram 16 anos.
Informações sobre o Rui Pedro

-Nome: Rui Pedro Teixeira Mendonça
-Idade: 11 anos
-Local de Nascimento: Na vila de Lousada
(Concelho limítrofe do Porto)
-Data de Nascimento: 28.01.1987
-Sexo: Masculino
-Olhos: Castanhos
-Cabelo: Castanho
-Morada: Lousada – Portugal
-Desapareceu: No dia 04.03.1998 às 14h00 horas locais
-Lugar: Em Lousada -Centro (Portugal), perto do domicílio familiar.

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

4 thoughts on “Carta de uma mãe ao filho desaparecido(FILOMENA TEIXEIRA)”

  1. Olá, Irene!

    Esta é uma carta tocante, de uma mãe muita corajosa e persistente, apesar do desespero que a atormenta.Ao fim de tantos anos de espera, e sem que lhe tenha sido dada uma réstia de esperança, é admirável como ela se aguenta sem perder o discernimento e o sentido da vida.Não merecia sofre tanto…!

    E espero que essa saúde esteja melhor, agora que por aqui já brilham uns raios de sol…

    Beijinhos e boa semana.
    Vitor

  2. Querida amiga

    Há dores tão intensas,
    que só de pensar nelas
    o meu coração também sofre…

    Quem dera que esta mãe
    pudesse encontrar o seu filho
    e também reencontrar
    a sua vida…

    Que o amor nos vista a vida,
    com as suas mais intensas cores…

  3. Como mãe, imagino a dor desta e de tantas outras por esse mundo fora. Aumenta mais a dor o facto de não saberem o que se passou e se estão vivos ou não. O que me surpreende também é que, sendo já adultos ( um caso semelhante em Famalicão, praticamente na mesma altura ) não consigam, pelo menos com um telefonema avisar a policia. Será que agora já não querem voltar? Ou será que estão presos de tal forma que não conseguem sequer uma curta saída? Tudo isto também me causa estanheza. Seja como for, é uma dor tremenda. beijos, amiga!
    Emília

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