umsolCélia Laborne Tavares
 
            Vivemos rodeados de vozes, de sons e de imagens. Cantamos, falamos e registramos sons e vibrações desejáveis e indesejáveis, porque a coletividade está usando e abusando da comunicação, em todos os meios.
            Nós nos rodeamos sempre não apenas de pessoas, como de rádios, televisores, gravadores e demais aparelhos eletrônicos.  Há todo um exército de aparelhos cujos sons preenchem nossos dias e, muitas vezes, também nossas noites.
            Muitos acham e pedem a lei do silêncio, mas a grande maioria tem medo do silêncio absoluto e perfeito. Entretanto, é no silêncio maior que germina a paz mental e aflora a sabedoria, o autoconhecimento e a luz interna. Hoje é preciso que se aprenda o silêncio, como quem estuda lição da vida, de transformação e de transmutação.
            Se não colocarmos um curto período de silêncio e reconhecimento diariamente, em nossa vida, estaremos em breve com a mente desarmonizada, alterada, girando de um pensamento para outro, sem qualquer capacidade de concentração, de sincronicidade, ou mesmo de expansão.
            Sem um silêncio interior periódico, dificilmente nos abriremos à intuição, à percepção de níveis mais profundos e refinados ou de outras dimensões de vida no nosso ser.
            Sem música adequada ou silêncio disciplinado não há satori, nem êxtase, nem samadi, ou seja: não chegamos à experiência alguma de nossas possibilidades mais elevadas, de nossa meta maior, como seres humanos a caminho de uma vida superior. Só na transformação de pensamentos, grosseiros e egoístas, em percepções de sabedoria e elevação, pode-se gerar uma energia mais potente, capaz de abrir-nos a entrada de nossos próprios mistérios, de nossas próprias possibilidades, ainda não atualizadas pela humanidade, em sua imensa maioria.
            Por isto, o silêncio é o mestre e o companheiro de todos os sábios e os santos.
            Quando todos saem e você fica sozinho pode pensar que está inteiramente só, só com seus pensamentos, não é? O silêncio é completo.
            Entretanto, não se iluda, você está com a vibração e a sintonia de todos os que convivem com você, está com as ondas de todas emissoras de rádio e o som e imagem de todas as televisões do mundo. É só ter aparelhos adequados que você verifica isso logo. Ligue um rádio potente ou uma TV em cadeia mundial. O som, as imagens, os personagens das notícias ou das histórias estão ali, com você, o tempo todo.
            Os homens e governos ainda não compreenderam isso, e só por isso permitem que se repitam cenas e imagens sucessivas de guerras, violências, roubos, mortes, etc. O que acontece no mundo é o resultado da média coletiva da mente dos homens.
            Entretanto, no plano da criação de livros, telas, filmes, teatro e novela, tudo que não constrói, que não lança a boa semente, destrói e contribui para o mal coletivo.
            Se dia e noite repetimos no éter palavras, imagens e ideias  de  agressividade, traição e violência, ou de inversão de valores morais ou sociais, obrigamos a toda a humanidade como que a “flutuar” dentro dessa nuvem de ondas e vibrações  que se propagam. Ondas que moldam a mente infantil e a mente dos mais fracos, germinando neles sementes semelhantes. As emissoras e telas estão saturando o ar que respiramos, com a conivência dos devidos patrocinadores, do que há   de menos positivo e correto para chegarmos a uma convivência pacífica, a um desabrochar das capacidades superiores da humanidade.
            O que é benéfico, harmonioso, fraternal, filosófico e espiritual está sendo preterido e todos sabem e veem isso, pela inversão de valores. E como atraímos sempre o que emitimos ou incentivamos, a humanidade toda está colhendo os frutos plantados pela maioria dominante e incapaz de abrir-se à luz maior.
            É hora de crescer, é hora de encontrar-se. Não há mais tempo a perder!
O TEU NOME
Célia Laborne Tavares
 
Uma noite,
uma noite de amor
sussurrei teu nome
aos teus ouvidos
a praia branca
quase não o percebeu.
Depois,
tantas tardes te chamei
perdidamente
que por força de ouvi-lo
o mar o aprendeu
e repetiu.