LEVANTA-TE DO CHÃO MULHER…de Rosa Maria(madrinha deste blogue)

RosaLEVANTA-TE DO CHÃO MULHER…

Levanta-te do chão mulher…esquece as ilusões da Primavera
Aconchega-te nos braços da noite e esquece o frio que sentes
Abraça esse corpo gelado…no leito onde já ninguém te espera
Nas madrugadas onde desenhas os sorrisos com que mentes

Levanta-te do chão mulher…não grites e nem chores por ti
Afasta-te do abismo que te chama…não bebas esse veneno
Que te serviram em cálice de absinto…veste-te de carmim
E guarda no teu coração aquela menina de olhar sereno

Levanta-te do chão mulher…volta ao ventre que te deu vida
Rompe as amarras que te prendem…voa no céu em liberdade
Aconchega as mágoas nos teus braços nús e encontra a saída
Não deixes que a vida te prenda…que te amordace a vontade

Levanta-te do chão mulher…reacende a chama da paixão
Não guardes as flores murchas que um dia te ofereceram
Faz delas as pétalas com que na noite adormeces a solidão
Prende nas tuas mãos a magia que os teus sonhos teceram

Levanta-te do chão mulher…rasga o silêncio que te sufocou
Entrega o teu corpo ao prazer…solta esse gemido de amor
Que guardaste por dentro da noite e na tua boca agonizou
Morre de amor mais uma vez para renasceres rosa em flor

Levanta-te do chão mulher…faz-te ardente madrugada

Regressa à vida e despede-te das tristes vestes de Outono

Faz da margem das tuas noites…um céu azul de alvorada

E desprende-te dos grilhões  que te amordaçam o sonho

(retirado, com a devida autorização,

da página de Facebook de Rosa Maria)

Carta de uma mãe ao filho desaparecido(FILOMENA TEIXEIRA)

filo,emaRui Pedro
Meu filho, faz amanhã 16 anos que não te vejo, e depois deste tempo todo ainda espero por ti! Espero e esperarei até que me digam algo de ti! Este tempo todo imagino-te crescendo, tornando-te um homem,e eu aqui parada no tempo, á tua espera! Nunca deixarei de te esperar!!! De uma forma ou de outra, os dias sucedem-se, muitos Já partiram, outros nasceram e cresceram enquanto estiveste fora…outros vão nascer breve, sabias? Há tanta coisa para te dizer, tantas promessas a cumprir que não vão chegar o resto dos meus dias para os realizar…volta, estamos aqui todos á tua espera…tal como naquele fatídico dia 4/03/1998…Se não quiseres falar basta um abraço, tu sabes dar tão bem abraços! e beijos pequeninos…bem sei que estás crescido, mas a mim não vais negar?! Tenho tentado tudo para suportar a tua ausência…tudo mesmo!!! Ás vezes digo a mim própria que é um pesadelo e que vou acordar a qualquer momento e tu estás aqui…depois abro os olhos e a realidade atordoa-me os sentidos! NÃO ESTÁS! e não posso fazer nada!!!!
Sabes, já nem rezo, olho para o vazio e mentalmente pergunto por ti?! Já nem sei quem sou, ou no que me tornei!!!Um fardo para uns…uma lunática para outros! Dizem que sou forte?! Quando eu sou tão frágil…imagina a tua irmã o que tem de suportar?! E ser a filha mais maravilhosa que alguém poderia ter! Porque é nisso que ela se tornou Pedro, num ser humano espantoso! Tens de ter orgulho nela!Vês filho, o que tenho para te dizer não chega uma carta…Como faço para comunicar contigo? A tua irmã está á distancia de um telefonema, basta-me saber que está bem! contigo faria igual, só quero que sejam felizes! É pedir muito filho?
Quando puderes juras que me respondes? Eu continuo aqui à espera..
Um Abraço do tamanho do mundo, da tua mãe que te adora e não sabe o que fazer sem ti?!
P.s. Estou a escrever-te do teu quarto, o pai acabou de entrar, ele trabalha muito, e sente muito também a tua falta, só não sabemos como te dizer!? Daí a carta, desculpa se é muito longa, mas juro que se tu vieres eu não te canso! Eu calo-me e basta-me o teu olhar no meu.
Adoro-te! Mãe.
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Esta é uma carta extremamente comovente de Filomena Teixeira mãe de Rui Pedro.
Esta mãe esteve várias vezes à beira de sucumbir…e tem conseguido resistir…porque
continua a acreditar que seu filho está vivo.
Eu nada posso fazer, mas peço se alguém sabe o que aconteceu ao Rui Pedro há
maneiras de o dizer sem se identificar. 16 anos passados, é mais que tempo desta
família, desta mãe, saber a VERDADE. Tem sido um SOFRIMENTO  HORRÍVEL
de toda esta família, mas sobretudo de FILOMENA TEIXEIRA.
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Alguns dados sobre o Rui Pedro ( cuja foto aqui inserida está obviamente desactualizada,
porque já se passaram 16 anos.
Informações sobre o Rui Pedro

-Nome: Rui Pedro Teixeira Mendonça
-Idade: 11 anos
-Local de Nascimento: Na vila de Lousada
(Concelho limítrofe do Porto)
-Data de Nascimento: 28.01.1987
-Sexo: Masculino
-Olhos: Castanhos
-Cabelo: Castanho
-Morada: Lousada – Portugal
-Desapareceu: No dia 04.03.1998 às 14h00 horas locais
-Lugar: Em Lousada -Centro (Portugal), perto do domicílio familiar.

O POVO UCRANIANO VENCERÁ

UcraniaContra a vontade
dos que ficaram agarrados
às migalhas do leste,
a revolta descalça deu frutos,
mas somente dezenas de mortos depois.

Venceram a verdade
e as sementes ensanguentadas
das plantas que poderão aliviar a fome,
venceu o querer nascer
sem olhar à incerteza de viver.

Venceram os punhais,
já que as flores não mexeram
naquela morte
que os matava entre dois muros.

Vencerá a liberdade,
assim o creio,
mesmo que o povo descalço
ainda não saiba o que o espera.

de Nilson Barcelli

sugiro uma visita ao seu blogue:
http://nilsonbarcellipoesia.blogspot.pt

Queria regressar a Mim… de Rosa Maria

rosa
Queria por um momento apenas voltar à casa da minha infância…ao regaço quente da ternura como quem volta ao útero materno…como quem amanhece de um sonho que nos traz memórias de cheiros e imagens guardadas na lembrança da menina que regressa como ave ao ninho…sem saber se está chegando ou nunca partiu.
Como se voasse volto à minha doce planície de espigas vestida e de rubras papoilas salpicada…onde saciei a sede das lonjuras…nesse horizonte por onde deixo o meu pensamento flutuar num tempo que passava por mim como uma suave brisa tocando os meus cabelos ainda negros…o meu rosto ainda sereno e onde os braços da minha mãe eram a minha casa…o meu porto seguro.
Caminhei tanto pelos labirintos da memória…pelos corredores da infância procurando a ternura que me afagava o corpo e as estrelas que brilhavam no meu olhar de menina…o tempo dos sorrisos…tão efêmeros como tudo o que não volta…paisagens e lugares que guardo dentro de mim…retratos a que o tempo roubou as cores e rostos que apenas na memória do meu olhar ainda vivem.
Depois de tanto caminhar com a saudade a doer na lembrança sinto que o tempo já não é igual…que as noites já não são serenas e o sol já se escondeu na imensidão da planície como se fosse o pavio de uma vela a apagar-se…um manto de silêncio que me envolve num terno abraço que me leva de volta à casa da minha infância como se um anjo me levasse nas suas asas…como se uma nuvem me acaríciasse o olhar…como se mãos invisiveis tocassem as minhas num silêncio que apenas a minha alma ouve.
E serenamente antes que chegue a alvorada…antes que o sonho se transforme em espuma volto à realidade do aqui e agora e deixo o lugar da memória sentindo um suave aroma de rosmaninho como se uma aurora antiga afagasse o meu corpo ou se de repente ouvisse chamar o meu nome e esse nome não fosse meu e essa voz que me chama fosse apenas o eco longínquo de mim onde permanecem vivas todas as lembranças da menina que de esperanças se veste em cada regresso.

Escrito Por : Rosa Maria

(madrinha deste blogue) Queiram visitar sua página no facebook: Rosa Maria
Seu blogue: http://rosasolidao.blogspot.pt )