CONSTANÇA CUNHA E SÁ uma jornalista que admiro

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Alfacinha de gema, aluna “brilhante” em números e letras, adolescente “curiosa”, mulher “visionária” e de “inteligência voraz”. Amante de livros e música clássica, não condutora. Eis a jornalista e comentadora de política da TVI Constança Cunha e Sá.

Queluz de Baixo, arredores de Lisboa. Ano 2000. Constança Cunha e Sá inicia funções na TVI. “A Constança é uma mulher muito culta, muito interessada, muito perspicaz. Mais: ela é visionária, rápida e certeira nas análises políticas que faz”, atira Paula Costa Simões, de 40 anos, editora de política da estação e colega de Constança Cunha e Sá. “Ela marca a diferença. É uma mais-valia para a nossa estação. Por exemplo, no dia em que o governo de Pedro Passos Coelho anunciou a remodelação do executivo e a chegada dos novos ministros, a Constança esteve no noticiário das 21.00 a fazer comentário e afirmou que não era possível que o CDS estivesse satisfeito com o que se estava a passar. Pouco depois, as palavras dela eram notícia…”, revela à NTV Paula Costa Simões.

Nascida em 23 de agosto de 1958, em Lisboa, Constança Cunha e Sá – filha de Maria Teresa Cunha e Sá e Júlio Mário Cunha e Sá – deu, desde tenra idade, provas de que iria ser uma rapariga inteligente. “Tinha excelentes notas a Matemática, a Física, a Português e a Filosofia quando andava no liceu. Era mediana a línguas”, lembra a jornalista, de 54 anos, à Notícias TV.

Sem sonhos iguais aos das meninas da sua idade – que ambicionavam ser médicas ou cabeleireiras – Constança Cunha e Sá segue, porém, os estudos sem saber que profissão queria exercer. “Aos 15 anos, quis seguir Matemática, mas acabei por ir para Letras. Lembro-me de que vivi uma fase de grande indecisão porque não sabia se haveria de seguir História ou Filosofia. A verdade é que nunca tive perspetivas da profissão que queria seguir.” Formar-se-ia em Filosofia pela Universidade Católica de Lisboa.

“Ela é uma mulher extraordinária, muito acima da média. É uma pessoa superiormente inteligente, adora o que faz, é muito amiga dos seus amigos. E sim, ela é completamente viciada no trabalho! Está-lhe no sangue. É da velha guarda, não tem horas nem dia para o trabalho…”, descreve à NTV Vítor Cunha, que conheceu Constança Cunha e Sá no início dos anos 90, na redação do semanário O Independente, de que ela viria a ser diretora.

Longe de imaginar que um dia vingaria como jornalista e comentadora política, Constança Cunha e Sá trabalha, pela primeira vez, a dar aulas de Filosofia no secundário. “Não sonhava ser professora. Fui parar ao ensino por mero acaso, fi-lo porque o meu curso me encaminhou para ali… Dei aulas durante quase três anos e gostei muito. Lecionei no Pedro Nunes e em outros liceus”, sublinha a jornalista, que conduz atualmente, às quintas-feiras, o programa de debate Prova dos 9 na TVI24.

Tinha 29 anos quando iniciou a carreira de jornalista, em 1988, na primeira geração da revista Sábado, então dirigida por Joaquim Letria. Foi lá que Constança Cunha e Sá fez a primeira reportagem, num congresso do Partido Social Democrata. “Fui atirada aos leões! Vi-me completamente aflita (risos). Não conhecia colegas, conhecia algumas figuras da política de as ver na televisão… Mas se pudesse ler esse texto que escrevi, acho que não me envergonharia”, atira divertida a jornalista, que está há 13 anos na TVI, onde já foi editora de política.

“O Independente foi um dos grandes marcos da minha carreira”

De “espírito livre” e conhecedora do universo e dos rostos políticos do país, Constança Cunha e Sá cresce e vive os primeiros grandes desafios na redação do semanário O Independente. “Fui nomeada diretora em 1996. Trabalhar n”O Independente foi um dos grandes marcos da minha carreira. Faço um balanço muito positivo daqueles anos, era um jornal muito diferente”, descreve a profissional, que deixou o título em 1998. E, de imediato, entrega-se às lembranças: “Foi lá que escrevi as primeiras notícias, lembro-me de ler as reportagens do Miguel Esteves Cardoso e as colunas de opinião do Vasco Pulido Valente para aprender
mais”. O ensaísta e historiador marcou também a sua vida. Com ele, Constança casou-se duas vezes e teve o seu único filho, Miguel, hoje com 26 anos. Atualmente, a comentadora vive em “união de facto”, como a própria descreve, com outro homem das redações, António Ribeiro Ferreira.

“Irónica e sarcástica”

O antigo companheiro Vítor Cunha elogia-lhe a dedicação ao Indy, que fechou em 2006. “Enquanto foi diretora, nunca se fez o jornal tão bem”, sublinha o jornalista. Um outro profissional, Fernando Esteves, 40 anos, atual editor de política da Sábado, junta à dedicação outras qualidades de Constança Cunha e Sá. “Ela era e é uma colunista irónica, sarcástica. Tem uma inteligência mordaz e analisa a atualidade de uma forma muito independente, muito mesmo!”, elogia o profissional, que viu Constança terminar a colaboração com a Sábado em 2007. “Ela entregava os textos muito em cima do fecho. Nunca nos atrasou, mas enviava as crónicas uma hora antes”, relembra.

A acutilância e o sarcasmo que lhe são apontados por colegas são ferramentas essenciais para enfrentar animais ferozes. Foi assim com José Sócrates, Mário Soares ou outros políticos experientes que entrevistou na televisão. O seu estilo não é consensual. Constança sabe disso. “Vejo com naturalidade essas vozes críticas que dizem que sou agressiva a entrevistar os políticos… Todas as pessoas têm o seu estilo próprio. É natural agradar a uns e não a outros”, defende-se a jornalista.

À Notícias TV, assume que vê a “entrevista como um jogo”: “Sim, eu gosto de desarmar um político, gosto de desarmar a propaganda política criada à sua volta. Para mim, uma entrevista serve para esclarecer as pessoas”.

Ela perde-se por livros, música clássica e não dispensa os cigarros

Constança Cunha e Sá tinha quatro anos quando se apaixonou por livros. “Adoro ler! Comecei por ler os livros do meu pai… Ele morreu quanto eu tinha oito anos. Vivi a infância com essa sombra. Leio muitos livros de História e adoro literatura policial. Uma das razões que me levam a não ver tanta televisão é porque gosto muito de ler e o tempo é curto”, explica.

Não vê televisão, mas ouve música. Muita. É, há muitos anos, colecionadora de música clássica. Tem mais de 300 discos em casa. “Ela é uma grande especialista. Tem imensos discos, sabe imenso de história da música. Não toca nenhum instrumento mas conhece autores, intérpretes… Costumava dizer-me: “Podemos não ter tempo para outras coisas, mas arranjamos para ouvir um bom disco”, recorda o jornalista Vítor Cunha.

Aos 54 anos, Constança Cunha e Sá é fiel a um outro vício: os cigarros. “Fumo desde os meus 16 anos e
para ser honesta nunca pensei nem tentei deixar de fumar. Só parei de o fazer quando estava grávida do meu filho. Não suporto esses movimentos de antitabagismo. Eu fumo com prazer”, esclarece.

Mulher de paixões e prazeres, Constança Cunha e Sá nunca se deixou encantar por carros. Até hoje, não tirou a carta de condução. “Nunca me inscrevi para tirar a carta e já não o vou fazer. Odeio burocracias e papelada”, assume, sem medo das palavras.

fonte: http://www.jn.pt/Revistas

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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