Publicado em Artes e Ideias por Rejane Borges (Fonte: Obvious)

vermeer, o pintor que ressurgiu na luminosidade de sua obra

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A obra de Vermeer deu forma à luz. Sua técnica exaltava a complexidade de simples momentos cotidianos. Iluminava as horas de vidas vulgares. Iluminou do mesmo modo nossa mente, ao reconhecermos sua excepcional exatidão em contornar trivialidades cruciais da vida. Com a luz.
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(Mistress and Maid c.1667-68)Há uma irônica diferença entre a vida e a obra do pintor holandês Johannes Vermeer. Enquanto sua existência circunda o obscuro, de sua obra emana a luz. Seus quadros davam a impressão de serem fotográficos, tamanha rigorosidade da composição de luzes e sombras. Por isso é conhecido como o pintor da luz – por sua notável técnica usando a luminosidade em seus quadros – sua principal característica.

Vermeer nasceu em Delft, no século XVII, no ano de 1632, cidade com a qual teve uma forte ligação que influenciou sua obra e o caracterizou. Casou-se com a burguesa Catharina Bolenes, em 1653, no mesmo ano entrou para a guilda de pintores de São Lucas e, mais tarde, chegou a presidi-la. Trabalhava como comerciante de arte, mas não conseguia manter-se com o trabalho nem vendia suas próprias obras, deixando-o em uma situação financeira delicada. Com Bolenes teve quinze filhos, dos quais quatro morreram em tenra idade.

Pouco se conhece sobre o artista, além de especulações através de suas obras. Sua vida poderia ser um típico roteiro romântico hollywoodiano: um homem misterioso com extraordinário talento artístico obstinado a vencer os percalços de uma vida pelo amor à arte. Obviamente foi um anti-herói. Morreu pobre e sua mulher teve que vender suas obras a troco de alguma pensão. Foi totalmente esquecido pelo mundo. Seu nome só ressurgiu em 1866, quase duzentos anos depois de sua morte, quando seus quadros começaram a chamar a atenção e a serem admirados pela perfeição de suas composições.

O artista se fez notar com seu talento no jogo de luzes e sombras, destacando algumas partes do quadro com uma luminosidade que parecia dar vida própria à obra, com notável excelência ao utilizar a luz. Seus quadros eram belas composições de equilíbrio, quase geométricos. Era nobre ao captar paisagens da velha Delft, retratos e, principalmente, mulheres em seu cotidiano. Eram cenas simples e diretas. Pintava no que parecia ser um ritual metódico pela precisão nos detalhes. Quando observo a obra de Vermeer tenho a impressão de ver uma cena viva. Está tudo detalhadamente ali. E o que Vermeer evidenciava com a luz era sempre o abstrato. A expressão, o movimento, o pensamento, a intenção. Produzia um extraordinário efeito de contraste com a sombra.

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(A Kitchen Maid, c,1658
Estudiosos da arte afirmam que ele usava um tipo de câmera escura para reproduzir uma imagem fiel na tela. Era uma espécie de antecedente da câmara fotográfica. Tal teoria é aceita por se observar efeitos ópticos nas pinturas de Vermeer, os quais só poderiam ser reproduzidos se o pintor realmente usasse lentes. A sofisticação visual de Vermeer envolvia seus quadros em uma aura misteriosa, assim como sua vida.

Historiadores afirmam que a vida do pintor sempre foi um mistério, sabendo-se muito pouco sobre o homem por trás daquelas obras. As informações que hoje temos de Vermeer, de fato, são básicas e nada aprofundam nosso conhecimento acerca do pintor. No entanto, acredito que o homem que todos queremos conhecer reside nos próprios quadros. Ora, se a arte é a expressão e, por fim, coisificação da consciência, Vermeer deixou muito claro quem ele era sob todos os aspectos. Deixou-nos todas as pistas de como enxergava o mundo, de como o sentia.

Indiscutivelmente intimista, seus quadros são confissões de seus temores, inspirações e anseios escondidos em momentos triviais de vidas simples. Como nos quadros “Woman Holding a Balance, c. 1664”, e “A Kitchen Maid, c. 1658”. Em ambos, Vermeer enxerga algo de espetacular em um simples trabalho de uma mulher. Acentuando, com a luz, suas faces e suas mãos. Observa-se que Vermeer usava todos os componentes do quadro para dar equilíbrio à tela. Ele compunha cenas. Agrada-me cosiderar a idéia de que sua sensibilidade era grande o suficiente para dar valor aos pequenos momentos. Faz-me pensar que Vermmer contava as horas junto às personagens de seus quadros.

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(Woman Holding a Balance, c.1664)

Não há um número exato de obras atribuidas a ele, mas especula-se que seja entre 35 e 40 pinturas, sua maioria de interiores. Sua técnica sempre foi peculiar e inconfundível. No entanto, há dúvidas envolvendo a autenticidade de alguns quadros, também pela falta de assinatura do artista. Por isso a cronologia de suas obras sempre será um mistério.

Em 2003, Peter Webber dirigiu o filme “Moça com Brinco de Pérola” (Girl with a Pearl Earring/EUA) em referencia a um dos mais famosos quadros de Vermeer. “Girl with a Pearl Earring c. 1665-1666”. A versão do cineasta tenta especular sobre a vida do pintor, que sempre foi e será como em seus quadros. Circundados de sombras e algumas luzes evidenciando um ponto crucial na própria existência.

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(Girld with a Pearl Earring)

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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