COMO VIDRO NA ÁGUA LISA – Joaquim do Carmo

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As nuvens passam onde o espelho se confunde.
Só a luz do rosto permanece firme, inalterável.
Aproximámos-nos da noite, das rugas esbatidas,
Da voz silente como vidro na água lisa.

Saber-te, quando as caricias são gestos infantis
De uma alegria que escorre pelo peito da brancura.
Uma borboleta pousa onde o pólen se reúne
Na beleza intransigente d´um seio a descoberto
Despontando numa super-lua de envergonhados sóis.

Dizer-te lábios, até à exaustão do sangue.
De silêncios tão tingidos no panejamento anterior
À cor, onde o corpo é o invólucro d´uma derramada praia
Pelo sal dos ossos, consumida até à última estrela
Que, no peito arde, soletrando as silabas como,
Um ressoar de búzio em noite de lânguida lassidão.

Voltar ao espelho, à serena luz reflectida na retina.
Cair nesse profundo abismo, onde a transparência
Da verdade é a mais secreta e dilacerante forma de amar.

Joaquim MONTEIRO

(gentilmente cedido. Sugiro uma visita
à sua página de Facebook)

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

3 thoughts on “COMO VIDRO NA ÁGUA LISA – Joaquim do Carmo”

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