TRILHOS de Rafael Rocha do livro “Poemas Escolhidos”.

Quando a tarde desceu ao pântano da noite

Trazendo um manto de piscares de estrelas

Um verso tentava nascer numa explosão

Entre galáxias, luas e cometas

Sentindo a saudade mais que desvairada

De tempos que não mais lhes são.

O poeta acreditava na verdade de outros mundos

Tentando desgrudar de si pensamentos maus

Na sutileza de buscar o orgasmo antigo

Da primeira fêmea onde fez o sangue patinar.

Resta a pergunta: o que será que ele fez

Para merecer tão insana saudade/dor?

Tinha um relógio na estação dos trens antigos

A marcar as horas da espera pela mulher

Fosse namorada, fosse amante, fosse puta.

Hoje os trens antigos não andam pelos trilhos

E não se pode ser mais alegre no pairar da tarde

Nem se caçar as tanajuras no amainar da chuva.

A verdade da imbecilidade ganha as ruas.

Homens se ajoelham e rogam pela vida eterna

Aos santos e deuses fabricados por eles mesmos.

E nesses altares dourados dos deuses da mentira

O poeta sabe que os trilhos de seus versos seguirão

Imensos e vivos no trem da eternidade!rafarafarafa

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