Fonte: OBSERVADOR

Em “Segredos e poder do dinheiro”, Filipe S. Fernandes conta a história da mulher mais rica de Angola e “mais importante em Portugal”. Excertos de um livro que vai ser apresentado em abril.
A Dona de Tudo Isto – a província portuguesa 
do império angolano

Em 25 de fevereiro de 2008, Manuel Vicente disse em Luanda, a propósito das participações da Sonangol e da Galp Energia na Enacol de Cabo Verde, que «nós somos os patrões, vamos ditar as regras do jogo. Ponto final». Este grito do Ipiranga rapidamente foi transformado em «Nós agora somos patrões na Galp». Pouco depois, o então presidente da Sonangol afirmava que «a internacionalização da companhia é feita no quadro de uma política de participações cruzadas. A explicação é simples. À medida que houver oportunidades de empresas portuguesas poderem investir em Angola, nós também o faremos em Portugal».

Em 17 de dezembro de 2008, o Banco Comercial Português, em que a Sonangol então já detinha 5%, anunciava que tinha vendido à Santoro Financial Holdings 87.214.836 ações representativas de 9,69% do capital social do Banco BPI, ao preço por ação de 1,88 euros, que se traduziu num investimento de 163,96 milhões de euros.

(…)

“No caso de Isabel dos Santos, junta-se ainda o facto de as suas aplicações financeiras serem em setores protegidos e de renda assegurada e na banca”.

Estes movimentos de ligações financeiras, comerciais
económicas pós-coloniais têm objetivos estratégicos para os angolanos. Por um lado, com a participação nos bancos em Angola têm acesso ao crédito e com as conexões financeiras aos circuitos financeiros internacionais através de bancos europeus. No caso de Isabel dos Santos, junta-se ainda o facto de as suas aplicações financeiras serem em setores protegidos e de renda assegurada e na banca. Assim, Portugal é importante para Angola, como «praça financeira acessível, permeável e integrada no mercado financeiro mundial, uma plataforma onde a estratégia extrativa da elite angolana, com as suas colossais aplicações no estrangeiro, se pode desenvolver sem os atritos encontrados em sistemas bancários como o norte-americano, onde a vigilância e prevenção da corrupção e do branqueamento de capitais está mais desenvolvida».

Isabel dos Santos tem procurado em Portugal também uma boa base para a aquisição de know-how e competências para negócios em Angola, como mostram as joint-ventures feitas com a ZON, NOS, e com a Sonae na Condis, empresas em que detém a maioria do capital. Anos antes, tentou negociar com a Viacer, empresa do grupo Violas, Arsopi e BPI, que controla a Unicer, um acordo para uma nova fábrica em Angola, mas falhou porque Isabel dos Santos não prescindia da maioria do capital.

Em 2013, a Sodiba, empresa de Isabel dos Santos e Sindika Dokolo, fez um acordo com a Sociedade Central de Cervejas (grupo Heineken) que licenciou o fabrico da marca Sagres. O projeto, que já recebeu a anuência da ANIP (Agência Nacional para o Investimento Privado), implica a transferência de tecnologia e uma nova fábrica que ficará localizada no Bom Jesus, município de Icolo e Bengo (Luanda), num investimento de 149,6 milhões de dólares e prevê a produção de duas novas marcas de cerveja, uma delas premium.

Isabel dos Santos não tem uma holding corporativa que concentre e coordene os investimentos, como é norma dos grupos empresariais e conglomerados. Ela prefere criar para cada um dos negócios holdings, sedeadas em offshores como Malta, Madeira, ou a Holanda, que depois participam em cada um dos negócios feitos em Portugal ou na Suíça. O seu modelo de organização é mais semelhante ao de Américo Amorim, de quem se tem distanciado, e menos ao da Sonae. O Globo refere: «Dizem que a complexa estrutura dificulta mapear todos os investimentos da Leoa, como é conhecida em Angola». Por sua vez, o Jornal de Negócios salienta o facto de as suas participações financeiras nas empresas em Portugal passarem através das «mais magníficas offshores», que são «muitas vezes financiadas por bancos portugueses.»

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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