fonte: expresso online

Cénico e desconcertante: o rosto de Amália foi recriado em calçada portuguesa por Vhils, que faz duas homenagens – à fadista e ao génio dos calceteiros – numa obra que demorou três meses. Para experimentar nas ruas de Alfama, em Lisboa .amália

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

A mais recente obra do artista urbano Vhils (aka Alexandre Farto) é de fazer chorar as pedras da calçada. A expressão é do próprio, que, em colaboração com os calceteiros da cidade, criou uma expressiva efígie de Amália em calçada portuguesa que arranca do chão e sobe por uma parede, num largo do bairro de Alfama [na rua de São Tomé, frente ao número 31]. Um local onde o fado é, desde tempos imemoriais, cantiga urbana, vadia, de rua, de tascas, do povo, de Lisboa.

O resultado é cénico, belo, magnânime, emocionante, desconcertante e feito para envelhecer na rua como são todas as obras de Vhils. “É uma metáfora: quando chover, Amália derramará lágrimas pelas pedras da calçada, assim como é o fado tradicional e as suas letras. E é uma homenagem aos calceteiros de Lisboa, que foram os primeiros artistas urbanos da cidade e com quem eu há muito queria colaborar.”

O desafio partiu do realizador Ruben Alves [autor do filme Gaiola Dourada], que, depois de ser convidado pela editora Universal France para dirigir um disco de homenagem a Amália Rodrigues, juntou algumas das atuais maiores vozes do fado (Ana Moura, Camané, Carminho, Gisela João e Ricardo Ribeiro) para cantar reportório amaliano. Para a capa do disco “Amália, As Vozes do Fado”, com lançamento marcado para 17 de julho, lembrou-se de pedir a Vhils que assinasse a imagem do disco. A partir daí foi uma troca de ideias e começou a construir-se a obra, que demorou três meses a concretizar-se do papel para a rua.

“A ideia é louca, mas resultou muito bem, tem ali muito significado para a cidade. Para a imagem da capa do disco quis materializar o património imaterial que é o fado e devolvê-lo à rua numa obra pública. O Vhils teve a brilhante ideia de o fazer em calçada portuguesa, num lugar muito bonito, com vista para o Tejo, em plena Alfama. Cheguei mesmo a propôr à Câmara que aquele largo que não tem nome se passasse a chamar ‘largo Amália Rodrigues’. Sei que já existe um jardim com o seu nome, mas porque não também um largo?”, diz o realizador. Vhils, que se encontra atualmente em Kiev, na Ucrânia, a desenvolver um novo projecto, descreve a peça “A Calçada” como “uma onda do mar que sobe uma parede, como se a calçada portuguesa estivesse por trás de todas as parede e fizesse parte da sua constituição”.

Esta obra de Vhils conta não só com a sua assinatura como com o nome dos seis calceiteiros que participaram na obra. Para a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, esta Amália de Vhils que passa agora a morar em Alfama é uma obra muito especial para a cidade. “A ideia de termos a calçada portuguesa trabalhada pelo nosso mais importante artista de street art, numa homenagem a Amália e ao fado, expressões de Lisboa, faz desta obra uma combinação entre inovação e tradição. E pelo facto de estar num espaço público, na rua, num bairro emblemático do fado, vai permitir que todas as pessoas, portugueses e estrangeiros, se apropriem e se revejam nesta fantástica obra de arte.”

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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