Nos dias 7 e 8 deste mês o Teatro São Luiz em Lisboa recebeu o espectáculo de 58 anos de carreira de Simone de Oliveira de braços abertos

O Teatro São Luiz, em Lisboa, recebeu esta semana os concertos de comemoração dos 58 anos de carreira de Simone de Oliveira. Emoção, saudade, lágrimas e talento foram as palavras de ordem do espetáculo.

46 anos depois da vitória com Desfolhada Portuguesa, Simone de Oliveira voltou a pisar o palco do São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, para assinalar os 58 anos da sua carreira. Muitas foram as canções que cantou e os poemas que declamou desde o período em que era chamada ‘a namoradinha de Portugal’ até agora, época em que muitos a intitulam ‘diva’. O ESCPORTUGAL foi site acreditado pela organização do evento.

Ao som da orquestra conduzida por Nuno Feist, o espetáculo teve início com uma mensagem lida por António Sala. “Hoje é o dia de lhe dizermos quanto a amamos. Quanto lhe devemos. Quanto lhe agradecemos tudo. Hoje é o dia de lhe devolvermos muito, do imenso afeto que Ela nos deu”. Logo depois, Simone foi recebida com uma grande salva de palmas e com o São Luíz de pé (e a seus pés).

“Estou aqui, estou aqui para vos dizer, sou Simone, sou mulher e sou feliz” moldam os últimos versos de Valsa de uma vida, tema de Miguel Gameiro, que deu mote ao início das interpretações de Simone de Oliveira. Ainda o público recuperara do primeiro tema, a cantora chamou ao palco Renato Júnior que tomou o lugar de Nuno Feist ao piano e ouviu-se À Espera das Canções. Simone reescreveu em palco o poema do tema que defendeu no Festival da Canção deste ano, tornando-se um dos momentos mais sublimes de todo o concerto.

Foi Assim, provavelmente o tema de maior sucesso do último álbum de Simone, foi interpretado com a cantora sentada, conseguindo transmitir toda a emoção depositada por Augusto Madureira na letra, levando às lágrimas muitos dos presentes na sala. Seguiu-se então um dos momentos mais fortes de todo o espetáculo: no auge dos seus 77 anos de vida e 58 de carreira, Simone arrebatou o São Luiz com Degrau em degrau. O vídeo do ESCPORTUGAL com um pequeno excerto da interpretação do tema de Nóbrega Sousa e Jerónimo Bragança, pode ser visto de seguida:

A mesma dupla assinou o tema que se seguiu no alinhamento: Sol de Inverno. A composição com a qual Simone venceu o Festival da Canção em 1965 (há precisamente 50 anos) foi interpretada em conjunto com Camané, que deu uma roupagem nova “fadista” ao tema. O dueto ficou marcado pela empatia entre ambos e pelas enormes ovações que recebera, mostrando que é um dos temas que, além de marcar a carreira da cantora, marcou (e continua a marcar) a vida de muitos portugueses.

O teatro de revista fez parte da carreira de Simone de Oliveira e o mesmo não poderia ficar de fora desse concerto comemorativo: Tango Ribeirinho, da revista ‘Em Águas de Bacalhau’, foi o escolhido para assinalar esse período da década de 70.

Se em 2008, Marisa Liz (na altura, Marisa Pinto) marcou o espetáculo ‘Num País Chamado Simone’ com as duas interpretações a solo, o mesmo aconteceu desta vez, mas em dueto. Simone e Marisa interpretaram Rosa Sangue de uma forma bastante emotiva e afetiva, o que fez com que a vocalista dos Amor Electro irrompesse em lágrimas durante a atuação, momento que tocou até os mais insensíveis presentes na sala.

Com o intuito de ter ‘todo o país representado no espetáculo’, Simone chamou ao palco As Três Marias, grupo que conheceu “no Porto entre uns cigarrinhos e um whisky”, confessou a cantora, arrancando algumas gargalhadas do público. No Teu Poema, um dos ex-líbris da sua carreira, foi o tema escolhido para interpretar com o grupo. Seguiram-se Prece, cuja letra foi escrita por Miguel Torga, e Lisboa, composto por Nuno Feist e com poema da autoria de Simone. Ricardo Ribeiro foi chamado ao palco e, juntamente com Simone, interpretou Una Rosa y un Bolero, tema do álbum, Pedaços de mim.

Fazendo jus a uma das palavras mais cantadas por Simone ao longo da sua carreira – saudade – seguiu-se Sete Letras em dueto com FF. De olhos nos olhos e dedicando reciprocamente os versos que iam cantando, o confronto terminou com um abraço que deixou o jovem cantor bastante emocionado, sentimento agravado com a ovação de pé do público presente na sala. No entanto, um dos grandes momentos (se não mesmo o GRANDE momento) seguia-se no alinhamento.

Num momento inédito em todo o espetáculo, Simone de Oliveira saiu do palco dando entrada a Marisa Liz que, com FF, interpretou Apenas O Meu Povo. As palavras de Ary dos Santos, escritas em 1973 para o regresso de Simone aos palcos, tomaram proporções inigualáveis no palco do São Luíz. A entrega total de ambos às palavras do poeta que culminou com um abraço no decorrer da atuação, sem excluir o apoteoso final, foi ovacionada de uma forma ainda mais abrasadora.

Depois da emoção ter tocado a praticamente todos os presentes no São Luís, eis chegado o momento de Simone de Oliveira se ter deixado levar também pela emoção. Foi ao som de Vida, tema de Nuno Feist e Filipe La Féria, que aconteceu esse momento único, tendo esse terminado com um olhar bastante profundo, mas despercebido aos mais distraídos, que talvez procurasse a resposta aos versos “Vida, onde estão meus amigos? Meus mortos, meus poetas…”.

Uma hora e meia de espetáculo passaram tão depressa para os espectadores como 58 anos de carreira passaram para Simone de Oliveira. O concerto terminou com a interpretação de Desfolhada Portuguesa, ex-líbris da cantora e com o qual venceu, ali mesmo, o Festival RTP da Canção de 1969. Todos os cantores convidados juntaram-se em palco para interpretarem o tema com Simone que, posteriormente, agradeceu “por tudo o que me têm dado! A todos os que estão aqui e os que não estão, a todos os meus amigos e aos que não são, um forte abraço e vemo-nos daqui a 58 anos!” A persistência do público obrigou a cantora a regressar ao palco, cantarolando os últimos versos da Desfolhada, tendo feito referência, nos últimos momentos, à presença do seu professor de canto da maior parte da sua carreira, Luís Madureira.

Como a própria diria, ‘as palavras estão gastas’. Queremos apenas louvar a organização e todos os intervenientes, que tornaram este espetáculo num conjunto de momentos únicos. Sugerimos aos leitores que assistam à transmissão da RTP, que gravou o concerto e o anunciará em data a agendar. Por fim, OBRIGADO SIMONE! OBRIGADO PELOS 58 ANOS DE CARREIRA!

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Fonte: http://www.escortugal.pt

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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