Fonte: Notícias ao Minuto

O debate entre António Costa e Catarina Martins a 13 de setembro colocou a líder bloquista no centro das atenções. No entanto, reage mal quando lhe perguntam de onde saiu a ‘nova Catarina’ e a quem deve a preparação. “Tem de haver sempre um homem por trás de uma mulher que se destaca. Não lhes passa pela cabeça que uma mulher pode preparar-se, aprender, crescer, andar pelo próprio pé”, começou por afirmar.

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À revista Magazine, do Jornal de Notícias, a líder bloquista admite que esta “é a primeira vez que um Governo toma posse incluindo no programa pontos que são fruto de uma negociação connosco”.

Contudo, de 4 de outubro [noite das eleições legislativas] a 26 de novembro muitos foram os momentos receados por Catarina Martins, uma vez que estava no centro de uma aliança considerada improvável com o Partido Socialista.

Uma das protagonistas dos acordos que envolveram PS, PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes, Catarina garante que “até à assinatura”, receou “todos os dias que o acordo não fosse para a frente”. “Não por sentir que estivéssemos todos pouco empenhados (…) mas porque se tratava de um trabalho muito difícil”, frisa.

Dias compridos. É assim que caracteriza um dos momentos em que pensava “que estava feito e à tarde percebia que faltava qualquer coisa, tal a complexidade das questões”. “Quando li na imprensa uma notícia extemporânea que anunciava uma data para a assinatura do acordo, preocupei-me a sério e pensei: ‘Isto assim não vai lá’”, revela.

“O Bloco é um partido feito de gente livre, com poucas frases feitas, mas sabíamos que tínhamos de ter muito cuidado”, assegura, acrescentando que “foram dias muito duros, de centenas de sms, de muitas reuniões. No Bloco, com os outros partidos, e pelo país, à noite e aos fins de semana, para explicar às pessoas o que se estava a passar. Era importante contrariar a desinformação e a chantagem”.

Pelo caminho, questionou-se. “Vamos aceitar isto? O que podemos e não podemos aceitar? Perguntei-me várias vezes, muitas vezes”, refere.

Além de que teve “medo de que o PS ou o PCP não estivessem disponíveis”. “Por vezes digo à minha filha para viver o momento e não pensar no que vem a seguir. Mas na verdade sou como ela”, disse.

Catarina Martins afirma ainda que a primeira reunião, agendada para 8 de outubro mas que só aconteceu a 12 de outubro, teve um atraso por um motivo muito específico. O Bloco de Esquerda precisava daqueles dias. “Queríamos dar um passo em frente e, quando se quer de facto concretizar algo, não se arranjam desculpas. Começa-se imediatamente a caminhar e foi o que fizemos. O adiamento permitiu-nos levar à reunião com o PS um trabalho sério”, admite.

A 25 de novembro, o 52º dia de crise, o presidente da República, Cavaco Silvam, cedeu finalmente. “Ao longo destes dois meses recebi muitas pressões. Chegavam recados, diziam que o trabalho que estávamos a fazer não iria servir de nada. Que ele [Cavaco Silva] não cederia. Mas eu sabia: fizesse as birras que quisesse, no fim seria obrigado a cumprir a Constituição”, adianta.

Mas considera que “é preciso dizer a verdade às pessoas, este é o acordo que a nossa força permitiu negociar, e é por ser assim que é sério”. “Não desisti, não desisto daquilo em que acredito. Mas para o implementar preciso de mais força”, explica.

“No que depende do Bloco, fica hoje claro que o governo de Passos Coelho e Paulo Portas acabou”, alega. Contudo, sobre Costa, não demonstra “nem empatia nem falta dela. Apenas negociação pura e dura”.

A bloquista foi eleita pelo jornal online Politico uma das 28 personalidades políticas que em cada um dos Estados membros poderão fazer a diferença. “Não há quem reconheça ao Bloco a capacidade de estudar devidamente os dossiês que tem em mãos. Mas agora, se possível, temos de estar ainda mais bem preparados do ponto de vista técnico. São muito difíceis os tempos que aí vêm. Há que traçar bem o caminho (…). Temos, sempre e cada vez mais de manter uma relação muito clara e verdadeira com os portugueses. Queremos uma democracia transparente”, garante.

“Finalmente, as pessoas perceberam que as eleições legislativas não elegem o primeiro-ministro”, admite à mesma publicação, acrescentando que “do ponto de vista ideológico, ainda falta muito para pôr o país onde gostaria. Acredito no entanto que lá chegaremos. Uma mulher com responsabilidades políticas é a primeira a perceber que o mundo se faz com a concretização de impossíveis”.

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Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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