Fonte: Notícias ao Minuto e Eurídice Pinho

12795350_10204760307562338_6205587527158064079_n12814445_10204760309882396_1033140051566347447_nnaom_56e02ad4193d8naom_56e02a4eab363naom_56e02a59b5533naom_56e02fc57eff9Foi com um longo aperto de mão e com um sorridente Marcelo que o Presidente cessante e o Presidente eleito se cruzaram. Cavaco Silva seguia depois, em fila, cumprimentando cada um dos Chefes de Estado presentes, alongando-se um pouco mais em abraços a Felipe VI, rei de Espanha, e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. O dia 9 de março, marcado há muito na agenda nacional, chegara.

Aos Chefes de Estado seguiram-se cumprimentos a diferentes líderes de bancadas parlamentares. Passado momentos, ficavam a sós as figuras titulares dos órgãos de soberania: Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, António Costa, primeiro-ministro, e os dois Presidentes que daí a pouco iriam trocar de lugar.

A sessão solene

A cerimónia estava prestes a começar e viveu-se um pequeno compasso de espera enquanto lá fora se destacavam bandeiras de Portugal estendidas sobre a fachada da Assembleia da República. Às 10h00 da manhã, respeitando o protocolo, o cortejo saía do Salão Nobre, a caminho do hemiciclo, onde decorreria a sessão solene.

“Declaro reaberta a sessão” – disse Ferro Rodrigues, passando a vez a Duarte Pacheco, secretário de mesa da Assembleia da República, que recordou formalidades inerentes à sessão solene.

Havia mais de 500 convidados no parlamento, entre Chefes de Estado, figuras parlamentares e representantes da sociedade civil, até adversários de Marcelo nas eleições presidenciais. Nas televisões realçava-se que havia uma troca de cadeiras que não ia acontecer. A figura de Primeira-Dama desapareceu do protocolo. Rita Amaral Cabral, companheira de Marcelo de há anos, não participou na sessão. Após o discurso de Ferro Rodrigues, chegara então o momento mais esperado.

Marcelo fazia a sua declaração de compromisso, com a mão direita sobre a Constituição original, de 1976. O hino de Portugal voltava a ser tocado. Lá fora, canhões eram disparados. Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa assinava o auto de tomada de posse.

Seguiu-se um aperto de mão entre Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa e, com uma troca de lugar, Marcelo assumia o cargo, por entre aplausos de pé de muitos dos presentes, incluindo PSD, CDS e PS – bem menos efusivos estavam os deputados da CDU e do Bloco de Esquerda. Com uma literal troca de cadeiras, Portugal tinha um novo Presidente.

Falou de seguida Ferro Rodrigues, seguindo-se depois o discurso de Marcelo. “Portugal é a razão de ser do compromisso solene que acabo de assumir”, afirmou, num discurso de comunhão, em que a justiça social foi referida, tal como a história e grandeza do país. Jurou também defender a Constituição – com o valor acrescido de ter sido professor de Direito, realçou o próprio.

O hino voltou a soar quando Marcelo terminou o seu discurso. Portugal tinha assim um novo Presidente. Cavaco Silva despedia-se dos presentes e deixava a Assembleia da República. O resto da manhã teria um agora só um protagonista.

Marcelo, Presidente

No Salão Nobre, acompanhado por Ferro Rodrigues, Marcelo esperava pelos cumprimentos. A agenda prosseguia com pontualidade inglesa. António Costa foi o primeiro a cumprimentá-lo oficialmente, como manda o protocolo, que falhou há cinco anos, quando Cavaco Silva foi reeleito. Na altura, um atraso do então primeiro-ministro José Sócrates valeu então uma pequena ‘pirueta’ às regras estabelecidas.

Pouco passava do meio-dia quando Marcelo Rebelo de Sousa começou a descer as escadas do interior da Assembleia da República. A tradição ditava o passo seguinte. Próxima paragem: Mosteiro dos Jerónimos, onde depositaria flores no túmulo de Luiz Vaz de Camões e Vasco da Gama.

Antes, já cá fora, o hino voltaria a ser ouvido, pela quinta vez esta manhã, numa altura em que a Guarda de honra da GNR o esperava. Marcelo assumia assim pela primeira vez a sua pose em frente aos militares, cumprindo um papel oficial que Cavaco Silva havia feito pela última vez pouco mais de duas horas antes.

Já no carro, de janela aberta de onde acenou aos fotógrafos, chegavam as primeiras perguntas enquanto Presidente a um homem já calejado em frente às câmaras de televisão. Emocionado, senhor Presidente? “Um bocadinho”, confessou.

Eram cerca das 12h40 quando Marcelo e a comitiva presidencial abandonaram o Mosteiro dos Jerónimos. O navegador e o poeta maior da portugalidade já haviam sido homenageados. Havia ainda uma paragem para terminar esta longa manhã: o Palácio de Belém, a nova casa oficial de Marcelo Rebelo de Sousa.

Na praça Afonso de Albuquerque esperava-o nova Guarda de honra e mais uma audição do hino, numa parada formal, sem sobressaltos, em que tudo o que fora definido ao detalhe parece ter sido cumprido ao pormenor. O “Presidente dos afetos”, o docente universitário que chegou a dizer que a sua preocupação não eram formalidades, mostrava ainda saber ser aluno. Aos poucos, revelavam-nos as câmaras, ia domando qualquer sinal de nervosismo. Um minuto antes das 13h00, sozinho e a pé, subia a rampa da sua nova casa.

No primeiro almoço oficial em Belém, Marcelo contou com a companhia oficial de Felipe VI, de Jean-Claude Juncker, e ainda do presidente de Moçambique, Filipe Nyusi. O dia, porém, ainda não terminara. Marcelo é ainda esperado em diferentes pontos da capital portuguesa e o seu dia só acaba à noite, na Praça do Município.

De José Cid a Anselmo Ralph, passando por Pedro Abrunhosa e Paulo de Carvalho, HMB e Diogo Piçarra, são vários os artistas esperados. O agora Presidente, que no seu discurso citou Miguel Torga e falou sobre “cicatrizar feridas”, parece empenhado em provar a máxima de que é “o Presidente de todos”.

Musicalmente, são várias as gerações que estes artistas englobam. Nas primeiras palavras de Marcelo, tivemos oportunidade de ouvir um discurso que procurou ser mobilizador, não deixando margem para grandes críticas, quer à Direita quer à Esquerda. O grande desafio de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República começa agora

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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