Fonte: Renascença no Ar – Foto de Sandra Afonso/RR

A partir deste domingo, o aeroporto da Lisboa, ou aeroporto da Portela, passa a ser chamado aeroporto Humberto Delgado. Fundador da TAP e oposicionista de Salazar, tem agora o seu nome associado ao mais movimentado aeroporto português. A cerimónia de atribuição do nome foi presidida por Marcelo Rebelo de Sousa e por António Costa. O Presidente da República sublinhou o facto de ser um Governo de esquerda e um Presidente de direita a darem este passo.

“Passaram 110 anos sobre o seu nascimento e é simbólico que seja um Governo de esquerda, porventura o mais à esquerda nos seus apoios do últimos longos anos a decidir, e um presidente de centro-direita a dar a chancela a uma homenagem que assim retrata em consenso nacional uma vida e uma obra”, declarou o Presidente.

Marcelo Rebelo Sousa lembrou no seu discurso a importância de Humberto Delgado, que vai ser conhecido no país além da célebre frase “obviamente, demito-o”, quando se referiu a Salazar.

“O mais importante e mesmo o mais fascinante de Humberto Delgado é o modo como atravessou dois regimes, ambos como percursor e se impôs a todos os quadrantes da vida nacional, apesar de todos eles nalgum momento o terem apostrofado ou ostracizado”, referiu.

“E no entanto, há nesse dramático percurso, o dele e o dos que nele se cruzaram, uma realidade que dá sentido ao que parece complexo e difícil de compreender: a personalidade fulgurantemente indomável de um homem livre que amava a liberdade que com ela, e por ela, voava tao alto quanto os aviões que pilotou e a aviação da qual foi um pertinaz pioneiro”, exortou Marcelo.

Em Fevereiro, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, baptizar o aeroporto de Lisboa com o nome do general, seguindo a proposta da Câmara de Lisboa, aprovada um ano antes, quando o actual primeiro-ministro, António Costa, ainda estava à frente do município.

Na moção aprovada, por unanimidade, a 11 de Fevereiro de 2015, em reunião camarária, António Costa sustentava que Humberto Delgado “foi uma figura notável do país político do século XX”, assim como “um vulto maior da aviação comercial portuguesa”, destacando o facto de ter fundado a TAP.

Humberto Delgado nasceu a 15 de Maio de 1906 em Boquilobo, Torres Novas, e foi assassinado a 13 de Fevereiro de 1965, encontrando-se sepultado no Panteão Nacional. O militar estudou aeronáutica, foi adido militar de Portugal, em Washington, além de membro do comité dos representantes da Associação do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês).

Em 1958, Humberto Delgado aceitou o convite da oposição para ser candidato presidencial – contra Américo Tomás – desafiando o regime, e recebeu manifestações de apoio um pouco por todo o país, que eram seguidas de perto e reprimidas pela PIDE (polícia política).

Questionado sobre o que faria com Salazar se ganhasse as eleições, respondeu ‘obviamente, demito-o’, uma vez que o Presidente da República nomeava e podia demitir o chefe de Governo. Mesmo com fraude eleitoral, Humberto Delgado obteve 23,5% dos votos e passou a ser uma das figuras mais temidas do regime.

A 13 de Fevereiro de 1965, o general e a sua secretária Arajaryr Campos foram assassinados perto de Badajoz, por uma brigada da PIDE, que o atraiu a este local convencendo-o de que se ia encontrar com militares oposicionistas.

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Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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