Fonte: Observador

Commerzbank a partir da informação divulgada pelo próprio BCE. O país tem uma “situação específica” que, devido a limites auto-impostos por Mario Draghi no seu programa de quantitative easing, complica o acesso pleno de Portugal a este programa decisivo — sobretudo depois de o programa ter sido prolongado no tempo e no poder de fogo. O Commerzbank recomenda, por isso, “cautela” aos investidores que apostem na dívida portuguesa e diz que o acesso aos mercados está em risco. Mas o Banco de Portugal garante, ao Observador, que os objetivos serão cumpridos.

Houve uma “desaceleração significativa” no ritmo de compras de dívida pública portuguesa nos últimos meses, afirma o alemão Commerzbank num relatório a que o Observador teve acesso. Essa “desaceleração” das compras “levanta questões” sobre a capacidade de financiamento da dívida portuguesa, sobretudo num contexto de dificuldades na economia e riscos no setor bancário, diz o banco alemão. A desaceleração já tinha vindo a ser apontada por alguns analistas, mas o Commerzbank calcula que a desaceleração já está a ter um efeito preocupante: o programa já está a ficar aquém do objetivo no que a Portugal diz respeito.

Os analistas assinalam que não existe informação pública detalhada, facilmente acessível, sobre esse ritmo de compras ao abrigo do programa. Um programa que está a ser decisivo para que Portugal mantenha o acesso aos mercados, apesar de ser a taxas muito mais elevadas do que os outros países, incluindo Espanha. Mas os analistas dos bancos de investimento estão a juntar o que existe de dados públicos com outros dados dispersos para, a partir daí, obter uma ideia do que está a acontecer.

E, no caso português, o que está a acontecer é uma travagem a fundo no ritmo de compras que já está a colocar o programa, no que a Portugal diz respeito, bem aquém dos objetivos.

Uma travagem a fundo

Os quadros preparados pelo Commerzbank indicam que, depois de vários meses em que as compras mensais excederam um pouco o objetivo de compras para Portugal, terá havido uma travagem a fundo (quadro da esquerda).

quadro da esquerda).

O “objetivo” é, aqui, entendido pela proporção de compras de dívida portuguesa no programa como um todo. As regras definem que as compras de dívida são feitas na proporção da chave de capital de Portugal no Eurossistema — 2,5%. O gráfico da esquerda indica que, nos cálculos do banco de investimento, a tendência até março era para compras um pouco acima dessa proporção. Depois, tudo mudou.

Como ilustra o outro gráfico, da direita, que dá conta das compras cumulativas, a travagem a fundo entre os meses de abril e junho já terá colocado as compras acumuladas muito abaixo dos objetivos.

Esta questão é crucial porque a presença do BCE nos mercados é muito importante para os investidores, que sabem que existe um comprador de último recurso para uma determinada quantidade de dívida. Se se criar a ideia no mercado de que o BCE está impedido de comprar mais títulos, o acesso de Portugal a esses investidores poderá tornar-se mais difícil — os juros irão subir — e é por isso que o Commerzbank recomenda “cautela” aos seus clientes no que à dívida portuguesa diz respeito.

Limites auto-impostos pelo BCE complicam a vida de PortugalLimites auto-impostos pelo BCE complicam a vida de Portugal

O que torna Portugal, segundo o Commerzbank, “um caso especial”, é que muita da dívida portuguesa já corresponde a empréstimos europeus. Ou seja, existem menos títulos (Obrigações do Tesouro) a circular no mercado, passíveis de serem comprados pelo BCE.

Além disso, Portugal beneficiou em 2010/2011 de compras de dívida por parte do BCE — ao abrigo do extinto programa de emergência SMP. Esses títulos, ainda na mão do BCE, estarão, agora, a estorvar novas compras — algo que se tornou um impedimento mais significativo depois de Mario Draghi ter reforçado a bazuca da compra de dívida, em setembro.

Reforçou-se o poder de fogo da bazuca mas o BCE continua a não querer estar na posse de demasiados títulos de um dado emitente, para evitar criar “distorções de mercado”. O BCE impunha a si próprio um limite de até 25% em cada linha de obrigações do Tesouro — um limite que passou, em setembro, para 33% de cada linha. Para Portugal, contudo, que não tem muitas linhas diferentes de dívida pública, mesmo esse novo limite complica que se atinjam os níveis de compras totais. Esta poderá ser uma explicação para a travagem a fundo nas compras nos últimos meses.

bancoquadro

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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