Fonte: Obvious

Doença na Saúde Pública

publicado em sociedade por Karoline Duregger
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As pessoas estão cada vez mais doentes. Não, não são só as filas no posto de saúde, a sala de espera da emergência ou as farmácias que demonstram isso. Essas pessoas estão também, atrás destes balcões, dentro das salas, dos consultórios, elas estão vestidas de jalecos, uniformes, máscaras e tocas, estão cuidando de outras e ninguém cuida delas.

As pessoas estão cada vez mais doentes. Não, não são só as filas no posto de saúde, a sala de espera da emergência ou as farmácias que demonstram isso. Essas pessoas estão também, atrás destes balcões, dentro das salas, dos consultórios, elas estão vestidas de jalecos, uniformes, máscaras e tocas, estão cuidando de outras e ninguém cuida delas.

E elas também não se cuidam.

Algo que precisamos saber, não é qualquer pessoa que trabalha na saúde. Se não é capaz, precisa se fortalecer, se não tem humanidade, precisa se afastar.

Admito que ver tudo isso em frente aos balcões esperando um atendimento que não vem, não é tarefa fácil, esse é o momento em que todo mundo está pensando em si mesmo, do lado de fora enxerga-se o descaso e indiferença, e no de dentro mora a impaciência e muitas vezes a incompreensão de que aquela pessoa que grita e xinga está tendo suas necessidades negadas.

Por outro lado, falta de recursos, sistema lento, profissionais despreparados ou exaustos, constroem uma estrutura falha que não comporta a satisfação destas necessidades.

Um dia presenciei um curso de treinamento para recepção na área da saúde, eles são solicitados a sorrir, a tratar os pacientes da melhor forma possível, visualizar a importância destes para o seu trabalho, “sem eles, você não teria trabalho”, tratar com delicadeza aquele indivíduo rude que acredita que a sua emergência é maior que as demais, sorrir e responder educadamente a cada pergunta feita aos berros, e acima de tudo, amar o seu trabalho.

Isso. Exatamente o que queremos, do que precisamos.

Mas enquanto isso, há enfermeiros que dobraram o turno, técnicos mal remunerados, recepcionistas exaustos, médicos sentindo-se impotentes, psicólogos com pacientes que não cabem na agenda, assistentes sociais tendo que ignorar certas coisas, além disso vou apresentar também aqueles que querem ser concursados, sentar ali e pensar “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, aqueles que se escondem dos problemas, e o pior deles, são os que não gostam de gente.

Mais uma vez, não é qualquer pessoa que trabalha na nossa saúde pública. De modo geral, as pessoas estão intolerantes, se há algo de errado com elas alguém tem de resolver, alguém é o culpado por tudo. Por isso é uma tarefa difícil estar mediando todos estes problemas.

E por isso também, quem tem o papel de mediar e resolver, precisa estar bem, legitimamente bem, saudável para assim provocar a saúde. O sorriso que precisa se abrir para um familiar desesperado deve conter a compreensão e o afeto, as palavras precisam ser verdadeiras e não somente soarem doces, acolher aquela fila imensa compreendendo que todos estão em situação de risco e buscando ajuda.

O que mais dói ao dizer tudo isso, é que existem pessoas sem respeito algum, pessoas que desconhecem o direito de outras, não se colocam no lugar de ninguém, são egoístas e é principalmente por isso, que há tantas pessoas doentes.

Por isso também, há tantos profissionais exaustos e outros tantos tratando as pessoas como números de prontuários, explica também pacientes que chegam rudes para ver se assim são ajudados, aqueles que aos berros ofendem os profissionais por acreditarem que o descaso irá se repetir.

Remédios só causam mais filas para buscar mais remédios, descasos só causarão mais “casos”, desrespeito machuca, sistemas e números não funcionam com pessoas, só até certo ponto, o próximo parágrafo deve conter amor, compreensão e a empatia pelo outro, pela sua saúde, seja atrás ou a frente dos balcões de atendimento.
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saude

Autor: sinfoniaesol

A vida deve ser vivida intensamente. Sempre foi esse o meu lema.

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