Fonte: Renascença no Ar online

A defesa do antigo primeiro-ministro José Sócrates pediu o afastamento do juiz Carlos Alexandre do processo “Operação Marquês”, avança a SIC Notícias.

O incidente de recusa deu entrada esta quarta-feira no Tribunal da Relação de Lisboa.
O pedido de afastamento acontece poucos dias depois de uma entrevista de Carlos Alexandre à SIC, em que o “superjuiz” garantiu que não tem amigos ricos e que tem de trabalhar para pagar as contas, o que alguns comentadores interpretaram como uma indirecta a José Sócrates.

Nestas declarações, o responsável do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) não respondeu a qualquer questão sobre processos concretos, mas disse suspeitar ter o telemóvel sob escuta, algo que não o preocupa por não ter segredos.

Na sequência da entrevista à SIC, José Sócrates, arguido na Operação Marquês, já tinha feito saber que ia apresentar queixa do juiz e acusou-o de “abuso de poder”.
O Conselho Superior da Magistratura anunciou que vai apreciar o teor da entrevista dada pelo juiz Carlos Alexandre.

O órgão de gestão e disciplina dos juízes irá tratar desse assunto no plenário do próximo dia 27 de Setembro.

Em resposta à Renascença, o Conselho Superior da Magistratura diz que “reserva quaisquer declarações sobre este assunto para momento ulterior a essa apreciação”.

No âmbito da “Operação Marquês”, José Sócrates é suspeito dos crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.

Alguns dos outros arguidos são o empresário Carlos Santos Silva, Joaquim Barroca Rodrigues, Gonçalo Ferreira, João Perna, Armando Vara, Bárbara Vara, Paulo Lalanda e Castro, Inês Pontes do Rosário e Diogo Gaspar Ferreira.

O Primeiro-ministro, José Sócrates, durante a assinatura do contrato da Concessão Baixo Tejo, 25 Janeiro 2009, em Almada. MARIO CRUZ/LUSA
O Primeiro-ministro, José Sócrates, durante a assinatura do contrato da Concessão Baixo Tejo, 25 Janeiro 2009, em Almada. MARIO CRUZ/LUSA

fonte: jornal i online

A sombra do resgate voltou a pairar sobre Portugal. Passos sublinha que nunca usou a palavra, mas aponta fracasso de Costa

O “resgate” voltou ao léxico político, mas a palavra queima e Pedro Passos Coelho não se quer associar a ela, ainda que esteja no subtexto do discurso que fez ontem, no encerramento das jornadas parlamentares do PSD em Coimbra.

“Nunca falei em segundo resgate”, esclarece ao i, depois de ter sublinhado no discurso em Coimbra que só virá aí novamente um “mal maior” – o líder do PSD nunca usou a palavra “resgate” – por um “ato deliberado” do governo.

“Desta vez, se acontecer qualquer coisa desse tipo, só por consequência de ato deliberado. Quem passou o que nós já passámos não pode aceitar que haja qualquer ingenuidade, desatenção, incompetência ou distração”, afirmou Passos num discurso todo feito sobre a ideia de que o modelo do governo das esquerdas “falhou”. Se isso terá como consequência imediata um segundo resgate, é uma dedução lógica que, pelo menos para já, Passos Coelho não quer admitir.

O que Passos admite é que os resultados económicos de António Costa e Mário Centeno estão a falhar mais depressa do que anteviu. “Sempre soube que este modelo ia falhar, nunca pensei que fosse tão rápido”, confessa em declarações ao i o líder da oposição, que ontem apresentou em Coimbra um vídeo e um folheto com o título “Retrato de um Projeto Falhado”.

O guião do filme deste falhanço apontado à esquerda é feito com as promessas de Costa e os títulos de jornais compilados pelos sociais-democratas para demonstrar que a realidade não bate certo com o prometido.

O PSD sustenta que o governo está a falhar no crescimento, nas exportações, no investimento, nos cortes que estarão a ser feito ao abrigo de cativações orçamentais, que fecham a torneira da despesa pública mesmo quando ela é de funcionamento, e até no desemprego – que está a descer, mas que os sociais-democratas asseguram que irá cair por consequência do fraco crescimento.

A ajuda de Centeno Tudo somado, Passos Coelho tem razões para acreditar que, mais cedo ou mais tarde, os portugueses perceberão que a fórmula das reversões não está a produzir os efeitos prometidos por António Costa, pelo que, mais cedo ou mais tarde, isso terá consequências políticas. E esse é um cenário que deixa Passos cada vez mais perto de voltar ao governo.

Este é um raciocínio a que deram alento as declarações de Mário Centeno, ontem, a uma televisão estrangeira. Centeno foi induzido pela jornalista a falar da eventualidade de um resgate e não soube evitar a ideia de que essa ameaça estará a pairar sobre Portugal.

Quando a CNBC lhe perguntou se está a fazer tudo para evitar um novo resgate, o ministro respondeu: “Essa é a minha principal tarefa, o nosso compromisso em matéria orçamental, e a redução da despesa pública vai precisamente nesse sentido.” Foi o suficiente para o tema ganhar fôlego.

Nas jornadas parlamentares, o PSD teve outro aliado insuspeito nesta teoria de que uma nova bancarrota pode estar ao virar da esquina. O antigo ministro da Economia de António Guterres, Daniel Bessa, foi a Coimbra admitir que, se o PS continuar a “andar para trás” na condução da política económica e financeira, regressaremos a “fevereiro ou março de 2011” – o momento em que José Sócrates se viu obrigado a pedir ajuda externa.

“Não fomos nós que o dissemos”, sublinha ao i a ex-ministra Maria Luís Albuquerque, que acha que o governo “ainda está a tempo de mudar de rumo”.

Em qualquer dos casos, o PSD não quer ficar colado à ideia de levantar o fantasma de um resgate, com as consequências que isso tem em termos de imagem externa. Assim como Passos Coelho também não quer continuar a ser sinónimo de austeridade.

“Não me venham mais uma vez com a conversa da austeridade. É uma retórica que está esgotada”, avisou ontem em Coimbra o líder da oposição, que quer frisar a ideia de que já estava, no final do seu mandato, a repor alguns dos cortes e que critica apenas o ritmo acelerado das reposições feitas por Costa.

542267