António Gueterres eleito secretário-geral da ONU por
aclamação.
Fico muito satisfeita. Trabalhei com ele aquando da sua
primeira-campanha eleitoral para Primeiro-Ministo e pôde
verificar a pessoa excepcional que é. É um humanista.
Os desempregados de então, que ainda se lembrem, sabem
que foi o Primeiro-Ministro que assinou as leis mais favoráveis
para mitigar o drama de milhares de pessoas.
Que tenha saúde e sorte para desempenhar este alto
cargo que é motivo de orgulho de todos nós.
Irene Alves14570224_10208774439456440_348076527001750760_n

Fonte: DN online

24883Carta a um amigo que é ministro

1 – Meu querido Mário, tirando dois fugazes “olá estás bom?” – poucos minutos, não mais de três, quatro, sei lá quantos!, só sei que foram poucos. Demasiado escassos para os 30 e tal anos juntos, três minutos de três décadas e cumplicidades. Tem sido pouco e sinto a falta. Pouco para a saudade, não para a amizade porque esta, quando autêntica e espontânea, resiste aos ponteiros do relógio e dispensa palavras para se sustentar.

Não te vejo nem te falo vai para um ano, se descontarmos esses dois breves momentos e mais uma outra conversa, essa ainda mais rápida, ao telefone, para me dizeres o que eu já adivinhava, que te seria impossível ires ao nosso encontro no dia do meu 50.º aniversário, porque estavas sem tempo (outra vez o tempo, esse muro intransponível!) entre um Ecofin e vai-se-lá–saber-mais-o-quê, porque ninguém sonha a vida infernal que um ministro das Finanças leva.

Penso ter a noção. Não por ti, embora o pressinta, mas por outros com quem lidei ao longo de, praticamente, toda a minha primeira encarnação profissional: Miguel Cadilhe, Miguel Beleza, Braga de Macedo, Eduardo Catroga, Sousa Franco, Pina Moura, Oliveira Martins, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Campos e Cunha, Teixeira dos Santos.

Lidei com todos, privei com alguns antes (quase todos) ou depois (raros) das suas passagens pelo Terreiro do Paço. Nem todos suportaram, ou sequer perdoaram, a dureza das críticas, não sublevaram a injustiça de que sentiram vítimas, provavelmente com razão em algumas delas.

Nunca consegui, portanto e enquanto jornalista, manter uma relação fácil com um único ministro das Finanças – como digo, só com os “ex” e com os que viriam a sê-lo. Pelo meio, alguns cortaram relações. Não tive, eu e eles, a capacidade de as restabelecer plenamente e em todos os casos. Nuns, lamento. Noutros, confesso que não perdi nada.

No teu caso, Mário, nem uma coisa nem outra. Simplesmente ficaste ministro e desapareceste. Talvez pela mesma razão, por não estarmos dispostos a pagar um preço tão elevado pela minha independência e pela tua integridade. Afastámo-nos, assim, sem mais nem menos, sem aviso prévio ou qualquer combinação. Estas coisas não se combinam. Acontecem naturalmente.

E pronto! À exceção daqueles dois momentos fortuitos, em que da meia dúzia de frases trocadas só faltou “vê lá se te alimentas”, será esta a primeira vez, desde que és ministro, que dedico um par de horas para te dizer algumas coisas. Faço-o por me preocupar contigo. Mas também pela preocupação geral com a nação.

2 – Escrevo-te no dia em que, tudo ao mesmo tempo, soubemos: que a dívida pública voltou a crescer em agosto; que o governador Costa deu novos sinais de inquietação sobre a banca e que um comissário europeu falou na hipótese de segundo resgate a Portugal.

Pois não era sobre isto que te queria falar. Ao entrar em funções, a dívida portuguesa, mesmo em austeridade, já estava transformada num incêndio descontrolado. Também sabias que o regulador estava desregulado. Admito a surpresa quando viste Bruxelas entregue a pirómanos.

Não tens culpa, eu sei. Nós também não. Ninguém tem, aliás. Se o Estado nunca equilibrou as suas contas em mais de 40 anos de democracia, então a culpa é de todos. Com os humanos neutralizados, só um milagre faria a nossa dívida pública voltar a descer.

Mas tu não acreditas em crendices. E ao milagre chamaste “crescimento económico”. Que até agora nada, não funcionou a tal fórmula da procura interna estimulada. Azar? Excesso de zelo? Ou a geringonça não era uma variável do modelo?

Se queres que te diga, de tudo um pouco: a conjuntura externa rebentou com a dinâmica exportadora (e não fosse o turismo, a situação ainda estava pior); a revolução-chique em curso rebentou com a credibilidade da política económica; e, tudo isto, o azar, as bloquistas czares, tornou indefinível a própria política económica.

Para onde caminha a economia portuguesa? – perguntava, em livro célebre, o professor de Economia do nosso primeiro ano de faculdade, Francisco Pereira de Moura. Não espero que me ligues, não espero que me respondas, espero apenas pelo Orçamento do Estado para o próximo ano – que vamos conhecer nos próximos dias.

3 – No primeiro ano deste “governo sui generis”, a política matou a economia. No segundo ano, a oposição ausente espera que a sua vez chegue quando a economia matar o governo. É uma lógica possível, mas não é a tua lógica. Não pertences a este mundo, não queiras ser como eles.

Nem sequer caminhas como os ministros das Finanças caminham. És desengonçado e sorris – mais desengonçado do que a própria geringonça, nesse teu cargo em que não é suposto sorrir. Retira credibilidade, dizem os senhores crescidos. São aqueles que conviveram com esta dívida ingerível. São aqueles que deixaram os “bancos a precisar criticamente” de mais capital. Vários bancos, de capital que não temos.

Onde estás agora, reconheço a tua lealdade e revejo-te nos princípios. Foste sempre assim, o espírito de missão, o orgulho próprio, o otimismo de quem acredita que tudo se compõe. Falta o essencial: a autenticidade.

Podes assinar coisas com as quais não concordas, não podes é transformar-te naquilo que não és. Até entendo que desprezes a cartilha que conduziu o país ao precipício. Mas temo pelo teu próximo Orçamento, que seja o avante camarada do passo em frente.

Se o OE que nos vais apresentar dentro de semana e meia for aquilo que parece, se a geringonça for a sua maior e principal razão de ser, está o país esclarecido sobre a ordem das prioridades. Ficará na história como o OE do Centeno. Mas não será do Mário que eu conheço.

Fonte: Zap.aeiou

Cá sefazem cá se pagam.” É assim que Helena Sacadura Cabral reage ao livro de José António Saraiva, onde este fala da vida sexual do seu filho Paulo Portas, considerando que não lhe perdoa por ter usado o nome do outro filho Miguel Portas, já falecido.

Em entrevista à TSF, a escritora e economista Helena Sacadura Cabral, mãe de Paulo Portas e de Miguel Portas, fala do livro “Eu e os políticos”, que faz revelações sexuais sobre a vida de várias figuras públicas, para tecer duras críticas ao seu autor, José António Saraiva.

“O arquitecto Saraiva bolsou cá para fora uma série de coisas que o vão acompanhar para o resto da vida”, considera Helena Sacadura Cabral, frisando que “ele vai ter um dia o troco disso.

“Porque cá se fazem, cá se pagam”, garante.

“O arquitecto Saraiva gostou de fazer aquilo, foi necessário para o seu ego fazer aquilo, vai ter que conviver a vida inteira com isso”, diz ainda a economista e escritora, considerando que a vida se vai encarregar de castigar o ex-director do Sol e do Expresso.

Sacadura Cabral diz que não perdoa a Saraiva o facto de ter citado o nome de Miguel Portas, que morreu há quatro anos, vítima de cancro. No livro, o ex-jornalista refere que Miguel Portas lhe terá contado que o irmão Paulo é homossexual.

Sem falar em concreto do que está escrito em “Eu e os políticos – o Livro Proibido”, Helena Sacadura Cabral recusa avançar com qualquer processo civil contra Saraiva, argumentando que isso seria “dar-lhe o crédito de que aquilo poderia ser verdadeiro ou não”. “Deus me livre”, desabafa.

A entrevista da TSF foi realizada no âmbito do lançamento do livro “Memórias de uma vida consentida”, uma biografia da economista onde ela fala da sua vida desde a infância até aos 50 anos.

A obra saiu para as livrarias esta terça-feira, 4 de Outubro, e Helena Sacadura Cabral explica no seu blogue fio de prumo que decidiu escrevê-lo “quatro anos passados sobre o desaparecimento” do filho Miguel e com Paulo Portas “já fora da política” porque sentiu que “talvez fosse chegada a altura de dar a conhecer” aos que lhe “são próximos” o seu “olhar” e “sentir” sobre a sua vida.

A economista garante que os dois irmãos “sempre se protegeram e apoiaram” e diz que Paulo Portas “meteu-se na política por causa do irmão”.

“E como o Miguel era de esquerda, ele tinha que ser de direita, porque senão seria sempre o número 2″, conta Helena Sacadura Cabral, que diz que “não ia aguentar se ele voltasse” à política.

SV, ZAP

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