Fonte: Notícias ao Minuto

Teresa Ricou

“Se vens para o Chapitô não é estilo. A Teté é fixe mas trabalha aqui 24 horas”

“Freak” e “revolucionária”. O Chapitô foi ideia dela. E quem é ela? A primeira mulher palhaço portuguesa. Teresa Ricou é a entrevistada de hoje do Vozes ao Minuto.
Para os lados do Castelo de São Jorge, numa das colinas de Lisboa, há um espaço de paragem obrigatória para muitos turistas. Mas entre paredes há cores, há arte e uma escola que tem no circo a sua força e na inclusão a sua génese.Falamos do Chapitô, fundado por uma mulher que, entre o cómico e o sério, nos fala com orgulho do que ali se faz. À primeira pergunta, a entrevistada devolve-nos alguns segundos de silêncio enquanto acaba de escrevinhar uma frase. Depois a conversa começa.
“É preciso responder à ansiedade desta gente jovem. Nós aqui trabalhamos com jovens que já prevaricaram muito na vida”, desabafa Teresa, para mais à frente acrescentar: “O padre Américo já dizia, ‘não há rapazes maus’. Pois não, os adultos é que têm de estar em cima do assunto”. Fica o ‘abre olhos’.
Diz-nos Teresa que se houvesse um Chapitô em cada bairro, ela não seria precisa. Mas talvez não seja bem assim. Uma mulher à frente do seu tempo faz sempre falta.
Admite que há um ‘espírito Chapitô’. Mas admite também que, em parte, esse espírito a “enerva”. A parte ligada ao estilo. “O estilo compra-se feito e isto não é coisa de moda. Aliás, com tantos anos até já passou de moda”.
Sempre estive muito à frente. Muitas vezes quando olhava para trás via-me sozinha, o resto ainda estava a pensar
Por outro lado, reconhece, “o cómico vai dar a esse lado da transgressão e da ousadia, às vezes até incomoda muita gente”.
Essa mesma ousadia respira Teresa. Decidiu ser mulher palhaço numa altura em que o país ainda estava a aprender coisas sobre si próprio, coisas que se escondiam debaixo da vasta sombra de décadas do Estado Novo.
Embora não faça distinção entre Teresa e Teté, confidencia-nos: “Estou um bocado esquecida da Teté, estou cheia de saudades mas não vejo o fundo ao tacho”.
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