E nada perdura…

Foi com tristeza que soube hoje, que uma casa de rés-do-chão, na Vinha das
Pedras-Alhos Vedros,onde vivi muitos anos(quase desde que nasci até me ter
casado com 22 anos) abateu totalmente.

Fui lá ver e fiquei muito triste. Naquela casa aconteceram coisas muito más,
a morte de uma avó, doenças graves de meus pais, mas muito amor, muita
alegria, também lá foram vivido/as.

Posso dizer que naquela casa fui muito feliz e foi lá que me casei.

Já depois de ter casado, todo o tempo livre que dispunha ia até lá para estar
com os meus pais, e apesar da minha própria casa, ter melhores condições,
eu lá senti-me mais eu.

A casa era alugada. E a partir de uma certa altura os m/pais insistiam com
os senhorios para obras que se tornavam urgentes, o que eles nunca acolheram.

Tentei junto de todas as entidades que poderiam agir e nada!!! Uma absoluta
indiferença!!!

Entretanto o meu pai faleceu e a pressa dos senhorios foi que a m/mãe saísse
da casa, apesar de ter a renda em dia.Eu quis que minha mãe viesse viver
comigo, ela vinha uns dias e logo queria voltar para a casa dela.E obras nada!!!

Passados uns anos sobre a morte de m/pai, minha mãe faleceu de morte súbita
numa noite de Natal, em casa da m/irmã.

E rapidamente despejámos a casa e a entregámos aos senhorios, que afinal não
fizeram quaisquer obras de recuperação até este ano, tento entretanto passado
uns 30 anos!!! E não só à casa onde nós viemos, mas a mais umas quantas
que faziam parte de um lote.

Entretanto as pessoas iam morrendo, ou iam viver para outro sítio e tudo continuava
a degradar-se cada vez mais, sem que quem de direito obrigasse à recuperação
das mesmas.

Afinal as casas também morrem de velhice!!!

Aquela casa tinha uma grande parte da história da m/vida, da m/irmã, dos meus
pais e de outras pessoas que por lá passaram!!!

Hoje é um amontoado de entulho…estou triste!!!

Irene Alves

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Autor: sinfoniaesol

Viver é o mais importante de tudo e se for com amizade, amor e saúde, que mais pedir?Viva a Vida!!!

3 thoughts on “”

  1. Irene, posso bem imaginar a dor que te bateu… Casas são pedacinhos de vida e quando vemos desaparecendo assim, dá uma tristeza… Pena! Ficam as boas recordações dela, mais do que as dores! bjs, tudo de bom,chica

  2. Finalmente cheguei aqui, Irene, depois da longa estadia no Brasil e deparo-me com um texto que me diz muito. Nasci e vivi numa casa, numa aldeia perto da cidade onde moro agora até aos 24 anos, altura em que fui para o Brasil. Ela lá continua em pé, mas velha, descorada, vazia de gente e por isso triste. Passo lá muitas vezes, mas não entro, pois a tristeza seria muito maior; lá fui muito feliz e agora cuido para que não caia; os meus pais estão no Brasil, o meu irmão também e eu não quis voltar para a aldeia, pois na cidade as condições são outras tanto para mim quanto para os meus filhos. Claro que a nostalgia invade-nos, mas a vida vai passando e com ela as coisas e as pessoas; envelhecem as casas, envelhecemos nós também, Irene. Elas caiem e caíremos nós um dia. É assim!
    Amiga, desejo-te um bom fim de semana e deixo-te um beijinho.
    Emilia

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