Imensidão de si mesmo – Fonte:Obvious

Há muito tempo eu não escrevia

Abarrotada pela correria

Que a mim e a ti consumia

Mas acordei cedo em um belo dia

E o rei sol a nascer me dizia

Que, assim, surgiria esta poesia

A pureza, inocência, ingenuidade

Já não têm mais valor nessa cidade

Como os índios tiveram arrancada sua castidade

Também nós perdemos a vivacidade

E tudo isso, por quê? Mera vaidade

Que nos aprisiona e desumana sem piedade

Tudo isso em prol de poder

Um aliado maligno que todos queremos ter

O dinheiro, fez de nós seu capataz

E não tem fim: é sempre mais e mais e mais

Um pedaço de papel confundido com o paraíso

Em troca do brilho e do sorriso

Aonde foi parar aquela beleza?

Ao mesmo tempo refletida e oriunda da pureza

Das crianças, dos nascidos com riqueza

As quais perdemos com destreza

Cabe aqui falar da natureza

Que foi um dia nada menos que realeza

E eu gostaria de prolongar o que termina com -dade

Pra falar um pouco da minha saudade

Aquela, de viver sem profanos na autoridade

Manipulando com muita agilidade

Sendo vítimas de sua maldade

Que nos afasta uns dos outros, na verdade

Veja seu whatsapp, as conversas que lá estão

Escolha uma delas com o coração

Surpreenda seu amigo com a antiga emoção

De ir hoje mesmo lhe dar um abração

E lhe oferecer, de verdade, um pouco de atenção

Não se deixe render, a amizade não pode ser em vão

Porque a vida, amigo, passa

Num brevíssimo piscar de olhos

Restam arrependimentos e lamentos

Mas nunca, sem hipóteses, a chance de voltar atrás

E, quando se dá conta, você já caiu

Sim, o tempo já te iludiu

Aqui, quase nada rimou

Acho que minha mente novamente se esgotou

É hora de acordar, ela percebeu

Voltar a correr, a trabalhar

Se tornar a máquina que aqui cresceu

E, com esta percepção, meu coração doeu

Mas, amigos, vou voltar só um pouco a rimar

Porque sei que aqui também restou o amar

Então, uma mensagem quero deixar

Vamos viver, lutar e apreciar

A beleza que os olhos são capazes de enxergar

E, para, então, finalizar

Não desista! Você está aqui para mudar.

António Bessa – pintor – pintou Marcelo Rebelo de Sousa através de fotos para agradecer um abraço

A obra tem 1 metro e 40 centímetros de altura por um metro de largura. No centro de uma tela pintada a óleo que demorou cerca de dois meses a executar, está Marcelo Rebelo de Sousa sentado numa escada “exatamente como ele é, informal e com ar sorridente”, descreveu António Bessa.

Por baixo, num quadro de lousa, lê-se “Marcelo R. Sousa – Presidente de um povo é ser povo”. Em frente, um enorme de vidro faz a ponte entre a galeria/ ateliê do mestre António Bessa e uma das ruas mais movimentadas do coração da cidade do Porto.

É no número 314 da rua do Almada que “mora” o quadro que Marcelo Rebelo de Sousa, que está de visita a Porto para presidir às comemorações do 10 de Junho, pondera escolher para o representar no fim do mandato, colocando-o na galeria de retratos do Museu da Presidência da República.

O chefe de Estado visitou hoje a galeria no meio de uma agenda “muito atrapalhada”, como descreveu à Lusa o pintor António Bessa que recebeu Marcelo Rebelo de Sousa cerca das 13:30 depois deste ter “disparado rua acima” alertado por “uma senhora que passava por ele e lhe contou que um mestre assim assim tinha um retrato dele na montra”.

 

“Ele chegou com os seguranças todos atrás, entrou com a Guarda Civil e a assessoria toda, surpreendeu-se com o quadro e surpreendeu-me a mim. Disse-me que gostava que este fosse o seu retrato oficial e perguntou aos assessores como podia levá-lo. Eu sugeri ‘oh presidente se quiser eu levo-lho a casa’. E ele convidou-me a ir a Lisboa. ‘Traga-mo até ao final do mês’. Eu fiquei sem fala: ‘oh meu Presidente, isso é uma maravilha. Fica combinado’, disse-lhe”.

António Bessa, 63 anos, pintor “desde que se conhece por gente”, decidiu pintar Marcelo Rebelo de Sousa quando há um ano se cruzou com o chefe de Estado num jardim da Foz do Porto e este lhe deu um abraço.

“Ele agora queria comprar-me o quadro mas eu prometi retrata-lo porque senti aquele abraço como um abraço vindo do povo. Este presidente é um fenómeno”, descreveu o pintor que, questionado sobre quais as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa ao visitar a galeria, contou ter ouvido do Presidente da República a frase: “Este quadro é de todos os quadros que me pintaram, o mais fiel”.

António Bessa pintou o “presidente dos afetos” de frente “para o povo” e “com as pessoas a apreciar ao passar na rua”. Usou duas fotografias para se inspirar. Preferiu, continuou a descrever à Lusa, o “presidente sorridente ao invés do presidente com ar pensativo” e à medida que executava a obra, as pessoas interagiam consigo exatamente dando-lhe abraços.

“Ficam especadas a olhar através da montra, pedem para entrar e abraçam-me. Algumas pessoas vieram uma vez e voltaram mais tarde para ver a evolução da obra”, contou António Bessa que se instalou no número 314 da Almada há cinco anos, mas já faz parte do cenário desta rua há mais de 30.

O desejo de estar visível e de interagir com o público já o fez pintar um olho na caixa de correio de um dos seus ateliês antigos, convidando quem passava a espreitar o seu trabalho que inclui retratos de quatro outros presidentes, o da câmara do Porto, Rui Moreira, de Guilherme Pinto, o presidente da câmara de Matosinhos que morreu este ano, do presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, e do presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa.

Estes são retratos que fazem parte da sua mais recente exposição “Quatro presidentes e três cidades” que junta aos quatro “quadros presidenciais”, telas sobre três cidades – o Porto do seu coração, Matosinhos, onde reside, e Arouca de onde é a sua esposa – num total de 16 obras.

Fonte:Sapo 24