A Guarda, conhecida como a cidade mais alta de Portugal, conta com um pormenor escatológico com quatro centenas de anos que não está propriamente aos olhos de toda a gente – os nativos chamam-no de Cu da Guarda, e isto é para levar no sentido mais literal possível. O Cu da Guarda é uma gárgula esculpida numa esquina da Sé Catedral, obra negra e gótica que se encontra na parte alta da urbe (uma porção dela tida como uma judiaria), e trata-se, provavelmente, do maior orgulho das gentes guardenses. Caso não o encontrem por vocês próprios, o ideal é perguntarem a um local onde ele fica, porque qualquer um o sabe apontar. Está nas traseiras, por baixo de um dos pináculos deste imponente monumento dark português: duas nádegas abertas e com o vasto ânus bem exposto entre elas.

Quem fez tal coisa, não se sabe. Mas a intenção parece ser óbvia: provocar Castela, visto o cu estar virado para Espanha. Este sentido parece ser o mais plausível, sobretudo se tivermos em conta que a Guarda não é a única povoação a querer desafiar os espanhóis com algum sentido de humor à mistura – há mais cus em formas de gárgula em Portugal, sendo igualmente conhecido o de Caminha, também ele voltado para a fronteira.

Há quem defenda que tal estátua foi feita à revelia do bispado, dado não ter um look propriamente católico. Pessoalmente, acho difícil que assim tenha acontecido. As gárgulas tinham um lado funcional, como se sabe, servindo para escorrer as águas dos telhados. Mas nas igrejas foram também usadas enquanto alegoria, coisa que dá pano para mangas e que não será falado no presente texto. Mas interessa daqui realçar que estas esculturas tinham igualmente uma função evocativa, consentida pelo clero, e que, de resto, nunca tiveram propriamente um aspecto angelical, pelo contrário. Ou seja, não só acredito que as mais altas patentes da igreja tenham tido conhecimento do Cu da Guarda, como também acredito que tenha sido mesmo ideia delas, matando dois coelhos de uma só cajadada: por um lado tinham uma representação do imoral fora do espaço sagrado interior, em oposição à representação do bem no lado de dentro; e por outro davam um cunho nacional a esta cidade defensiva, que de resto só cresceu tanto por ser um excelente bastião contra o invasor castelhano.

Hoje, o Cu da Guarda funciona também como inspiração para artistas bracarenses. Só prova o quão importante ele é na construção da identidade desta guerreira cidade beirã.
cu-da-guarda-e1438003009760barra-azulfonte: http://www.portugalnummapa.com

Fonte: Económico online

“O Banco BPI informa que ficou sem efeito o entendimento que foi anunciado ao mercado no passado dia 10 de Abril e a solução que no quadro do mesmo estava prevista”, acaba de anunciar o banco liderado por Fernando Ulrich que explica que Isabel dos Santos quis alterar o acordo assinado a 10 de Abril.

“Já depois do dia 10 de Abril, a Santoro Finance desrespeitou o que tinha acordado e veio a solicitar alterações aos documentos contratuais acima mencionados. Foi possível, relativamente a algumas delas, chegar a um acordo. Porém, uma das alterações solicitadas, pela sua relevância, iria desfigurar gravemente a solução que fora acordada e comunicada ao Conselho de Administração do Banco BPI, que a aprovou em reunião realizada no dia 13 de Abril”, acusa o banco português.

A notícia sucede a um comunicado ontem enviado pela Santoro, de Isabel dos Santos, em que esta anunciava que ainda havia “elementos pendentes que precisam de ser resolvidos”.

O BPI diz ainda que “neste quadro, e tendo presente que, ao longo do último ano, foram por si desenvolvidos todos os esforços no sentido de obter uma solução para a situação de incumprimento do limite de grandes riscos, o Banco BPI está em contacto com o Banco Central Europeu para ser encontrada uma alternativa”.

Diz o comunicado que “no passado dia 10 de Abril, o Banco BPI comunicou ao mercado ter sido informado de que os seus accionistas Caixabank e Santoro Finance tinham encerrado com sucesso as negociações que os envolveram para encontrar uma solução para a situação de incumprimento pelo Banco BPI do limite de grandes riscos. Nesse comunicado, o Banco BPI deu também a informação de que a solução encontrada estava vertida num conjunto de documentos contratuais que seriam apresentados aos órgãos sociais competentes nos próximos dias e que, tão logo fossem aprovados, seriam comunicados ao mercado”.

O BPI realça a unanimidade nas votações: “A solução previa a realização de um conjunto de operações, algumas das quais tendo o Banco BPI como interveniente. Nesse quadro, o Conselho de Administração do Banco BPI, reunido nos dias 10 e 13 de Abril, aprovou, por unanimidade, a realização das operações em que o Banco BPI deveria intervir, bem como os documentos contratuais acordados entre as partes e a elas respeitantes”.

“Foi ainda aprovada pelo Conselho de Administração do Banco BPI, também por unanimidade, a convocação de uma Assembleia Geral de accionistas para aprovar as referidas operações, bem como a proposta a apresentar para esse efeito”, acrescenta o documento enviado ao mercado.

O BPI sublinha que nessa votação não participaram os membros do Conselho de Administração do Banco BPI que são simultaneamente membros do Conselho de Administração do BFA nem aqueles que ocupam cargos de direcção no CaixaBank, na Santoro Finance ou em entidade dos respectivos grupos, “em todos os casos em virtude do disposto no nº 6 do artigo 410º do Código das Sociedades Comerciais”.

“Os membros do Conselho de Administração do Banco BPI que são simultaneamente membros do Conselho de Administração do BFA, não tendo participado na votação, manifestaram em qualquer caso a sua concordância com a aprovação das operações acima referidas”, defende o BPI.

Já depois do dia 10 de Abril, a Santoro Finance desrespeitou o que tinha acordado e veio a solicitar alterações aos documentos contratuais acima mencionados. O Banco BPI informa que ficou sem efeito o entendimento que foi anunciado ao mercado no passado dia 10 de Abril e a solução que no quadro do mesmo estava prevista.

O BCE prevê multas, que podem chegar até 160 mil euros por dia, em casos de incumprimento dos prazos para resolver o excesso de exposição aos grandes riscos, mas como o supervisor europeu está a par dos esforços enveredados pelo BPI; não deverá decidir pela aplicação de qualquer sanção.

“Neste quadro, e tendo presente que, ao longo do último ano, foram por si desenvolvidos todos os esforços no sentido de obter uma solução para a situação de incumprimento do limite de grandes riscos, o Banco BPI está em contacto com o Banco Central Europeu para ser encontrada uma alternativa”.

O primeiro-ministro que tinha um emissário – Diogo Lacerda Machado – para assegurar o sucesso das negociações, deverá prestar declarações públicas sobre este fracasso.

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