Leonardo Da Vinci na National Gallery de Londres até 5 de Fevereiro de 2012

Está a acontecer na National Gallery de Londres uma exposição “Leonardo Da  Vinci, Pintor na Corte

de Milão, curadoria de Lerke Suson com Larry Keith”, que já é considerada a exposição do sec. XXI e,

para os hiperbólicos, a exposição do milénio.

A oportunidade única de ver estas obras-primas numa mesma sala, no tempo de uma exposição

(que termina a 5 de Fevereiro de 2012) não voltará a acontecer.

As filas para a entrada na National Gallery dobram as esquinas e milhares de pessoas estão

a reservar a sua visita “online” porque em cada dia, apenas 500 bilhetes são vendidos

em bilheteira.

Está previsto que já vieram e virão futuramente pessoas do Extremo-Oriente, dos países

nórdicos, das Américas, da Austrália.

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Paula Rego

A estimativa base da Christie’s para “Looking Back”, de 1987, era de de 600 mil a 800 mil libras ( 675 mil a 900 mil euros) mas a licitação final foi de 769 250 libras (866 175 euros). O anterior recorde tinha sido registado em 2008 na leiloeira rival Sotheby’s, quando “Baying”, de 1994, foi arrematado por 558 mil libras (740 mil euros no câmbio da altura).

O valor do quadro hoje vendido deve-se ao significado e importância da tela na vida e carreira da pintora portuguesa, que terminou a obra em 1987, ano em que foi mostrada pela primeira vez em Londres, na galeria Edward Totah.

O quadro é considerado um estudo ambíguo das relações entre mulheres, mostrando duas figuras femininas reclinadas sugestivamente sobre uma mesa, enquanto uma criança está ajoelhada no chão junto a um cão.

“Looking Back” foi exposto em Lisboa, na Fundação Calouste ulbenkian e no Museu da Fundação Serralves, no Porto, em 1988, e no Centro Cultural de Belém, mais tarde, em 1997, ano em que Paula Rego teve uma retrospectiva no Museu Tate Britain em Liverpool.

A obra, que o coleccionador Charles Saatchi comprou após uma exposição na Serpentine Gallery, em 1988, foi a leilão juntamente com um conjunto de obras da ex-mulher Kay Saatchi, que vai regressar aos EUA.


Económico/Lusa

Obrigada ao poeta Casimiro de Brito

 Ofereço-te um poema do meu último livro, que acaba de ser editado, “Amar a Vida Inteira”, e desejo-te o melhor:

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Amo-te. Basta-me um pássaro,
uma árvore
para me transportar ao jardim
de ti — um livro, uma palavra, o peso
do silêncio
para me levarem ao poço de ti,
aos teus olhos que ofuscam
o cristal da manhã; à tua boca
aproximando-se da minha pele
como se regressasse a casa.
Cantar-te é desfazer o nevoeiro da minha vida,
desfiar uma chama, ardendo lenta,
que não se via. E basta-me um vinho
ou a tua língua,
ou a memória dela
para que em mim disparem águas
trémulas — ainda são — por isso
quando te amo
sou um pouco essa montanha que tece com o vento
uma combustão muito lenta muito paciente
como se todo o fulgor da vida
se concentrasse nos vales e nos rios do teu corpo

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