JOAQUIM PESSOA- poeta – natural de Alhos Vedros

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Estou Mais Perto de Ti porque Te Amo
Estou mais perto de ti porque te amo.
Os meus beijos nascem já na tua boca.
Não poderei escrever teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me.

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca aberta em minha boca.
E amo-te como se nunca te tivesse amado
porque tu estás em mim mas ausente de mim.

Nesta noite sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos.
Trago as mãos distantes do teu peito.

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti porque te amo.

Joaquim Pessoa, in ‘Os Olhos de Isa’

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Também é artista plástico e publicitário. Nasceu a 22/2/1948
Até ir para Lisboa a sua vida foi passada entre Alhos Vedros,
Baixa da Banheira e Barreiro,

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ESCURECE… Ângelo Gomes

ESCURECE…

Olho, não sei para onde, mas olho
À minha frente o dia escurece
Como escurece a fonte de ideias
Votadas ao ritmo dos pensamentos
Passeio com as mãos pela face
Esfriada por uma primavera descaracterizada
Oferecendo-lhe o pedaço de conforto
Que o resto do meu corpo não sente
Continuo a olhar como se fosse um autómato
Parado num tempo com chama apagada
Que lentamente introduz em mim o frio da noite
Como se dentro de mim não fosse sempre noite…
Olho, porque nos meus olhos reside um mar de vida
Que riem, que sorriem, que choram, vagueiam
Ensinam-me a olhar mesmo que o alvo seja o vazio
Que se fecham como portas reforçadas do castelo
Onde habitam os meus sonhos por realizar
Escurece….
Continuo a olhar, não sei para onde, mas olho…

Ângelo Gomes – 11-4-2016 – 19h20

“Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.”

__Sophia de Mello Breyner Andersenhghg

BUSQUE AMOR – LUÍS DE CAMÕES

Busque Amor novas artes, novo engenho

Pera matar-me, e novas esquivanças

Que não pode tirar-me as esperanças,

Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!

Vede que perigosas seguranças!

Que não temo contrastes nem mudanças,

Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas enquanto não pode haver desgosto

Onde esperança falta, lá me esconde

Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que na alma me tem posto

Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como e dói não sei porquê.

eee

camões

 

 

 

Extraído do blogue:

http://palavradeateop.blogspot.pt/

com a devida autorização

Poesia do meu amigo Manuel Marques

Queria tocar-te uma vez mais…

Longas noites te esperei que lhes perdi a conta
só queria um beijo
o ultimo para adormecer…

Queria pousar o meu beijo em ti
junto ao rio dos teus olhos
e na sombra do teu silêncio amar-te até morrer…

Queria tocar-te uma vez mais
amar-te até ao amanhecer
e em cada acordar morrer contigo…

Manuel Marques (Arroz)
manuel

A Solidão do Poeta – gentilmente cedido por Rosa Maria(convido a visitarem a sua página no Facebook)

rosaA Solidão do Poeta…

A solidão do poeta…está aquém do amor…além da vida
Por companhia apenas o corpo e mil anos de abandono
A eterna negridão da noite…a fria solidão e a alma ferida
E os abismos…o inverno e o inferno…o pesadelo do sono

O poeta beija a noite…em silêncio chora e canta os amores
Em prosa e versos se despe…grita ao céu as suas mágoas
Numa prece em silêncio chora em segredo todas as dores
O vento açoita-lhe a alma…o mar guarda-lhe as lágrimas

Só o poeta espera tristes e perdidos sonhos de Primavera
Que a escuridão da noite ilumine o seu rosto de pedra fria
Nos cílios de violeta há um resto de ilusão…uma quimera
No seu rosto amargurado…espera que a noite se faça dia

No coração do poeta…mora a ansiedade…amor e desilusão
Em cada verso um infinito de dor…um oceano de ternura
Nas mãos o poeta prende uma rosa…no olhar a imensidão
Na boca guarda um poema…no coração chora a amargura

Pelos trilhos do silêncio…caminha o poeta eternamente
Aos sonhos acena um adeus e à escuridão diz bom dia
Pobre poeta…canta seus versos ao vento…tão docemente
Envolto no manto negro da noite…vaga na treva em agonia

Escreve palavras nuas…despe a alma e embriaga-se de solidão
A morte é o limite…com as mãos em cruz chama a eternidade
Nas rimas de um poema escreve e descreve a cicuta da paixão
Louco poeta…vagueia entre a luz e a treva…a ilusão e a verdade

Escrito por : Rosa Maria

FUI ALÉM DO MEU LIMITE…

Fui além do meu limite…muito além das minhas forças..caí
Como se fosse aquela flor que murchou regada pelo pranto
Que escorre gota a gota na terra infecunda que já foi jardim
Rosto que já foi alvorada e hoje é um sorriso de desencanto
Fui além do meu limite…matei o que de bom havia em mim
Apaguei o brilho do meu olhar e o sorriso que trazia no rosto
Abracei-me ao meu corpo em silêncio e docemente adormeci
Sobre as cinzas de quem fui…sepúlcro frio do meu desgosto
Fui além do meu limite…amei e perdi…estive aqui e não vivi
Quiz voar e não voei…inventei umas asas tecidas de ilusão
E bordadas de desengano…que se quebraram e eu não senti
Tombei na terra fria e adormeci nos braços frios da solidão
Fui além do meu limite…cruzei as mãos sobre o meu peito
Em prece chamei anjos e demónios…fui ao céu e ao inferno
Toquei levemente o amor com os dedos frios do esquecimento
Entreguei o meu corpo ao nada de um momento que foi eterno
Fui além do meu limite…morreu o tempo nas minhas mãos vazias
Descobri que para além dos meus sonhos não tinha nada de meu
Apenas ficou presa em mim a lembrança deste corpo onde vivias
Como um murmúrio silencioso…onde a ternura não amanheceu
Fui além do meu limite…perdi-me da alma…ausentei-me de mim
Fiquei esperando serena pela ausência que a meu lado adormece
Na escura noite que de madrugada chega…sem ter luz…nem fim
Nos lençóis cobertos de mágoas …na ilusão que se desvanece
Fui além do meu limite…nada me habita…nem a minha pele
Que é um vulcão adormecido por entre as trevas do meu ser
Jardim de rosas negras onde repousa o meu corpo de mulher
E uma lágrima escorre silenciosa no meu rosto a entardecer

Escrito por : Rosa Maria

(Extraído com a devida autorização da sua
página do Facebook)1511994_732824463404697_1413185561_o

Sugiro uma visita ao seu blogue:

http://rosasolidao.blogspot.pt/