CÍRCULO DE MULHERES

Veio primeiro o tempo
em que, pela boca das mães,
se conhecia o aroma do leite
e os filhos, de lábios atravessados
pelo mel, moldavam com sangue
o próprio rosto.
Agora, como num feitiço,
as mulheres rodam em círculo
de mãos dadas.
Dentro da roda permanecem os filhos
que elas protegem com o olhar
para que não venha cegá-los a lua cheia.

(gentilmente cedido por
GRAÇA PIRES do blogue:

http://olhoscordemel.blogspot.com

que convido a visitarem.)

A MULHER PROIBIDA

Você foi o Quadro mais bonito, a Tela mais difícil

Que em Vida eu pintei…

Você foi, a Mulher Proibida,

A que teimei em fazer…

Você possuía as cores mais quentes,

Os tons mais ardentes,

Que um Pintor pode ver…

Você foi, a Imagem Sonhada,

A Mulher Desejada,

A Mulher que Eu mais Amei…

Mistura de Poesia em Pintura,

Doçura e Prazer,

A que fez um Pintor em Poeta se tornar,

Pra poder te Criar

Por Você fui buscar tintas diferentes,

Misturando amanhecer com anoitecer,

nascente e ocaso,

Pra compor a mais Bela Moldura…

Nessa Loucura de Amor

Fui na Natureza te Encontrando…

Mas…

Para Tua Imagem de Mulher Proibida Ter,

Somente em Sua Tela Mental

Este Simples Poeta conseguiu,

O Teu Retrato Fazer …

 

(gentilmente cedido por MAJU
do blogue:
http://mjsv.no.comunidades.net

que podem visitar:)

Canção de infortúnio para olheiras e guelras – Cantilena

outrora foi o pranto que vazou a garganta
penetrou nas chagas da pele, fez moradia
eternizou-se em montanhas de silencios

essas estranhas correntezas corróem-me
são silvos no meio de tormenta e estrada
cantam comigo o desvario de tantas vozes

outrora foi uma palavra de gesto destituído
compilada na enciclopédia das galáxias
a irromper–se em predicados de gula febril

senhoria de tantos mistérios a quem invoco
em triste cantilena sobre preces e pretéritos
nesta tarde em que se ruflam todos os poentes

CANTILENA

às vezes eu penso, ou então não penso.
às vezes cresço por dentro e então digo:
de quem é esta terra mais pequena, aquele
espaço no cabelo mais pequeno tão quando
a tua mão tão na minha? apertá-la é um lugar
muito perto. e digo ainda: quem é a locomotiva
de silêncio? lá fora é dia e a noite é um moinho.
sim, a planta entende as tuas pernas porque canta
nelas. a mão bate na cara, a canção hoje canta!
se alguém me perguntar eu digo que a beleza
é uma garganta toda azul a escorregar no céu.
e falo numa máquina feia de segredar ao ouvido.
quero comer o mar
quero um silêncio assim durante quinhentos poemas

Rui Costa

Gentilmente cedido por ASSIS DE FREITAS

do blogue:

http://mileumpoemas.blogspot.com

que convido a visitarem)

ÂMAGO

Cresci ouvindo falarem sobre maçã bichada.

Não tinha visto de perto.

 

Era apenas imaginação.

Fábula.

 

Há pouco com toda a pureza da realidade

mordi uma maçã bichada e senti na boca

o que é a tristeza da carne.

 

Agora quando um filho

(furioso) cuspir um pedaço

 

direi para o pequeno que maçã só é bichada

se houver as duas: rosada por fora,

podre por dentro.

 

e que a ilusão

é artifício do criador.

 

(cedido gentilmente por Domingos Barroso

do blogue:

http://domingosbarroso.blogspot.com

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