FUI ALÉM DO MEU LIMITE…

Fui além do meu limite…muito além das minhas forças..caí
Como se fosse aquela flor que murchou regada pelo pranto
Que escorre gota a gota na terra infecunda que já foi jardim
Rosto que já foi alvorada e hoje é um sorriso de desencanto
Fui além do meu limite…matei o que de bom havia em mim
Apaguei o brilho do meu olhar e o sorriso que trazia no rosto
Abracei-me ao meu corpo em silêncio e docemente adormeci
Sobre as cinzas de quem fui…sepúlcro frio do meu desgosto
Fui além do meu limite…amei e perdi…estive aqui e não vivi
Quiz voar e não voei…inventei umas asas tecidas de ilusão
E bordadas de desengano…que se quebraram e eu não senti
Tombei na terra fria e adormeci nos braços frios da solidão
Fui além do meu limite…cruzei as mãos sobre o meu peito
Em prece chamei anjos e demónios…fui ao céu e ao inferno
Toquei levemente o amor com os dedos frios do esquecimento
Entreguei o meu corpo ao nada de um momento que foi eterno
Fui além do meu limite…morreu o tempo nas minhas mãos vazias
Descobri que para além dos meus sonhos não tinha nada de meu
Apenas ficou presa em mim a lembrança deste corpo onde vivias
Como um murmúrio silencioso…onde a ternura não amanheceu
Fui além do meu limite…perdi-me da alma…ausentei-me de mim
Fiquei esperando serena pela ausência que a meu lado adormece
Na escura noite que de madrugada chega…sem ter luz…nem fim
Nos lençóis cobertos de mágoas …na ilusão que se desvanece
Fui além do meu limite…nada me habita…nem a minha pele
Que é um vulcão adormecido por entre as trevas do meu ser
Jardim de rosas negras onde repousa o meu corpo de mulher
E uma lágrima escorre silenciosa no meu rosto a entardecer

Escrito por : Rosa Maria

(Extraído com a devida autorização da sua
página do Facebook)1511994_732824463404697_1413185561_o

Sugiro uma visita ao seu blogue:

http://rosasolidao.blogspot.pt/

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relógio
Sabedoria do Tempo

“Disse o Tempo sabiamente para aquele homem que queria saber o que era mais importante;
o passado que já havia criado o presente, ou o futuro que poderia ser transformado pelo presente.
O Tempo, sábio pela própria existência respondeu calmamente:
– Não há outro tempo que não seja o agora.
O passado foi escrito num determinado “agora” e não pode ser modificado.
O futuro é intangível, haja visto que pode não existir para quem o deseja.
Resta ao homem agradecer cada vez que acorda e focar todo o seu poder no momento atual.
A noite pode chegar para o mundo e para ele não…

Só a ação de hoje pode criar um novo tempo.
Por isso, o sábio vigia os pensamentos e não deixa que eles viajem para o passado que pode trazer dor,
e nem para o futuro que pode alimentar falsas esperanças.
Cuide de ficar neste momento com todos os sentidos ativados.
Assim, o dia lhe parecerá um doce presente.
Embrulhado em lindos laços de fitas dedicado
a alguém tão especial:
-Você!

Paulo Roberto Gaetke

Retirado da página do Facebook
de Anabela de Araújo, com a devida
autorização.

rosa mariaSilêncio…

De repente há tanto silêncio…como um grito mudo sepultando o último gemido…a última letra dum poema…o último nome…o derradeiro verso…a última rosa morrendo…o último sonho de amor…o derradeiro grito de vida.
E de repente há tanto vazio nos meus passos…tanta rua escura…tanto labirinto sem saída…tantos gritos sem voz…tantas sombras no meu olhar…tantos fantasmas na noite…tantas noites nos dias…tantos sonhos morrendo e de repente eu morrendo neste vôo para além do sonho…neste vazio para além dos braços…perto do nada e para além de tudo.
E eu sempre esperando à margem da vida…para além da dor…para além das mãos…nuas…cheias de nada…vestidas de vento…esperando…apenas esperando na escuridão das sombras chorando silêncios.
E de repente o amanhecer anoiteceu envolto nas brumas do meu olhar que se fez rio esperando um navio que nunca vai chegar…uma história de amor que nunca vai ser escrita…um poema que nunca vai ser cantado.
E de repente as palavras fizeram-se silêncio…o silêncio fez-se pranto…o grito fez-se vácuo e eu esperando entre a luz e a escuridão entre e vento e a tempestade no cais da ilusão…perdida.
E de repente o meu corpo fez-se grito e vestiu-se de ausência no abraço eterno da noite…perdido no esquecimento…fez-se espera no cansaço do tempo…vestido de abandono e morto antes da morte.
E de repente o céu azul escureceu…o tempo vestiu-se de luto e o silêncio dedilhou uma marcha fúnebre…os poemas calaram-se…as palavras entoaram um pranto triste…a noite veio adormecer no meu corpo e as sombras…as minhas tristes sombras dançaram a última valsa antes do fim…em silêncio.

Escrito por : ROSAMARIA

(querida madrinha deste blogue)

Poesia de HILDA HILST

hilda1hilda
Rasteja e espreita
Levita e deleita
É negro. Com luz de ouro.

É branco e escuro.
Tem muito de foice
E furo.

Se tu és vidro
É punho. Estilhaça.
É murro.

Se tu és água
É tocha. É máquina
Poderosa se tu és rocha.

Um olfato que aspira
Teu rastro. Um construtor
De finitutes gastas.

É Deus.
Um sedutor nato.

( Hilda Hilst )

*

Se a tua vida se estender
Mais do que a minha
Lembra-te, meu ódio-amor,
Das cores que vivíamos
Quando o tempo do amor nos envolvia.
Do ouro. Do vermelho das carícias.
Das tintas de um ciúme antigo
Derramado
Sobre o meu corpo suspeito de conquistas.
Do castanho de luz do teu olhar
Sobre o dorso das aves. Daquelas árvores:
Estrias de um verde-cinza que tocávamos.

E folhas da cor das tempestades
contornando o espaço
De dor e afastamento.

Tempo turquesa e prata
Meu ódio-amor, senhor da minha vida.
Lembra-te de nós. Em azul. Na luz da caridade.”

( Hilda Hilst )

*

Eu não te vejo
Quando teu ódio aflora.
Como poderia
Ver teu ódio e a ti

Iludida
Por uma só labareda da memória?

Cegos, não somos dois.
Apenas pretendemos.
Devorados e vastos
Temos um nome: EFÊMERO.

( Hilda Hilst )

*

Exercício no 1

Se permitires
Traço nesta lousa
O que em mim se faz
E não repousa:
Uma Idéia de Deus.

Clara como Coisa
Se sobrepondo
A tudo que não ouso.

Clara como Coisa
Sob um feixe de luz
Num lúcido anteparo.

Se permitires ouso
Comparar o que penso
O Ouro e Aro
Na superfície clara
De um solário.

E te parece pouco
Tanta exatidão
Em quem não ousa?

Uma idéia de Deus
No meu peito se faz
E não repousa.

E o mais fundo de mim
Me diza apenas: Canta,
Porque à tua volta
É noite. O Ser descansa.
Ousa.

( Hilda Hilst )

*

Lobos? São muitos.

Mas tu podes ainda

A palavra na língua

Aquietá-los.

Mortos? O mundo.

Mas podes acordá-lo

Sortilégio de vida

Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.

Mas se farão milhares

Se à lucidez dos poucos

Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.

E tu mesmo, raro.

Se nas coisas que digo

Acreditares.

( Hilda Hilst )

*

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.

Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.

Dirás que sangue é o não teres teu ouro

E o poeta te diz: compra o teu tempo.

Contempla o teu viver que corre, escuta

O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.

Enquanto faço o verso, tu que não me lês

Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.

O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:

“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.

Irmão do meu momento: quando eu morrer

Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:

MORRE O AMOR DE UM POETA.

E isso é tanto, que o teu ouro não compra,

E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto

Não cabe no meu canto.

( Hilda Hilst )

*

Como se te perdesse, assim te quero.

Como se não te visse (favas douradas

Sob um amarelo) assim te apreendo brusco

Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,

A mim me fotografo nuns portões de ferro

Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima

No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações

Ou contornando um círculo de águas

Removente ave, assim te somo a mim:

De redes e de anseios inundada.

(II)

Descansa.

O Homem já se fez

O escuro cego raivoso animal

Que pretendias.

( Hilda Hilst )

(Seleção de Fabio Rocha)

Fonte: A MAGIA DA POESIA

O CAMINHO

anabelablogue
(pintura de: Leonid Afremov)

É triste o meu fadário!…
E longo este caminho
Que ainda me falta percorrer!
Nunca mais acaba!…
E é solitário!

Para mim mesmo, sozinho,
Pergunto-me muitas vezes,
– Porquê continuar a correr?!…
Só para olhar um Mundo,
Que sem razão ou glória,
Dia após dia, desaba?!…

E que negro é o seu fundo!
E triste a sua historia
Carregada de revezes!…

São tantos os sonhos começados
E quase nunca acabados!…
E é tanta a tristeza!
E no fim…
Nenhuma certeza.

E depois…a maldade!?…
E a inveja!?

Mas não importa…
Pois que seja!…

E quando a esperança estiver morta…
E nada, nem amor…nem saudade…
Tivermos para dar…
Quando assim for…
A quem souber responder,
Havíamos de perguntar –

E para quê…nele viver!?…
Se há tão pouco a ganhar…
E tanta coisa a perder!.

*Manuel Sepúlveda

(extraído,com a devida autorização,
da página do Facebook de
Anabela de Araújo)

Wystan Hugh Auden nasceu em York, Inglaterra(21/02/1907-29/09/1973)

AVT_Wystan-Hugh-Auden_5561Em memória de Sigmund Freud

Quando há tantos teremos que choram,
quando o sofrimento tem sido feita de modo público e exposto
à crítica de toda uma época
a fragilidade da nossa consciência e angústia,

de quem iremos falar? Para cada dia morrem
entre nós, aqueles que estavam fazendo-nos algumas boas,
que sabia que nunca foi o suficiente, mas
esperava para melhorar um pouco a vida.

Tal era o médico: ainda em 80 ele desejava
para pensar em nossa vida, de cujo desregramento
tantos jovens futuros plausíveis
com ameaças ou elogios pedir obediência,

mas seu desejo foi negado a ele: ele fechou os olhos
sobre essa última imagem, comum a todos nós,
de problemas como parentes reunidos
intrigada e com ciúmes da nossa morte.

Por sobre ele até o fim ainda eram
aqueles que ele havia estudado, a fauna da noite,
e tons que ainda esperavam para entrar
o círculo brilhante de seu reconhecimento

transformou em outro lugar com sua decepção como ele
foi tirado de seu interesse vida
para voltar para a terra, em Londres,
um judeu importante que morreu no exílio.

Só ódio estava feliz, na esperança de aumentar
sua prática agora, e sua clientela sujas
que pensam que podem ser curados matando
e cobrindo o jardim com cinzas.

Eles ainda estão vivos, mas em um mundo que mudou
simplesmente por olhar para trás sem arrependimentos falsos;
tudo o que ele fez foi para lembrar
como o velho e ser honesto como crianças.

Ele não foi inteligente em tudo: ele simplesmente disse
Presente infeliz para recitar o Passado
como uma lição de poesia até mais cedo
ou mais tarde ele vacilou na linha onde

há muito tempo as acusações tinham começado,
e de repente sabia por quem ele havia sido julgado,
quão rica vida tinha sido e como bobo,
e foi-vida perdoado e mais humilde,

capaz de abordar o futuro como um amigo
sem um guarda-roupa de desculpas, sem
um conjunto de máscara ou um rectidão
embaraçoso mais familiar gesto.

Não admira que as culturas antigas da vaidade
em sua técnica de previu unsettlement
a queda dos príncipes, o colapso do
seus padrões lucrativos de frustração:

se ele conseguiu, por que, a vida do generalizada
se tornaria impossível, o monólito
de Estado ser quebrado e impedido
a cooperação de vingadores.

É claro que eles chamado de Deus, mas ele seguiu seu caminho
para baixo entre as pessoas perdidas como Dante, para baixo
para a fossa fedorenta onde os feridos
levar a vida feia do rejeitado,

e mostrou-nos que é o mal, não, como nós pensamos,
ações que devem ser punidos, mas a nossa falta de fé,
nosso humor desonesto de negação,
a concupiscência do opressor.

Se alguns traços do autocrático pose,
o rigor paterno ele desconfiava, ainda
agarrou-se a sua declaração e recursos,
que foi uma coloração protetora

para um que viveu entre os inimigos tanto tempo:
se muitas vezes que ele estava errado e, às vezes, absurdo,
para nós, ele não é mais uma pessoa
agora, mas todo um clima de opinião

sob o qual conduzimos nossas vidas diferentes:
Como previsão do tempo, ele só pode prejudicar ou ajudar,
o orgulho ainda pode se orgulhar, mas encontrá-lo
um pouco mais difícil, o tirano tenta

-se com ele, mas não se importa muito para ele:
ele silenciosamente envolve todos os nossos hábitos de crescimento
e se estende, até o cansaço, mesmo
a mais remota ducado miserável

sentiram a mudança em seus ossos e são aplaudidos
até que a criança, infeliz no seu pequeno Estado,
alguns lareira onde a liberdade é excluída,
uma colméia cujo mel é medo e preocupação,

se sente mais calmo agora e de alguma forma a garantia de fuga,
enquanto, como eles mentem na grama de nossa negligência,
muitos há muito esquecidas objetos
revelada pela sua brilhante undiscouraged

são devolvidos para nós e fez precioso novamente;
jogos que tínhamos pensado, devemos cair como nós crescemos,
pequenos barulhos que não se atrevia a rir,
enfrenta fizemos quando ninguém estava olhando.

Mas ele nos quer mais do que isso. Para ser livre
muitas vezes é ser solitário. Ele uniria
as metades desiguais fraturadas
pelo nosso sentido bem próprio significado da justiça,

seria restaurar a maior inteligência ea vontade
o menor possui, mas só pode utilizar
para disputas áridas, daria de volta para
o filho riqueza da mãe de sentir:

mas ele teria nos lembrar acima de tudo
ser entusiástico sobre a noite,
não só para o sentimento de admiração
só ela tem para oferecer, mas também

porque ele precisa do nosso amor. Com grandes olhos tristes
suas criaturas deliciosas olhar para cima e implorar
nos em silêncio para pedir-lhes a seguir:
eles são exilados que por muito tempo para o futuro

que vive em nosso poder, eles também se alegram
se for permitido para servir a iluminação como ele,
até mesmo para suportar o nosso grito de ‘Judas’,
como ele fez, e todos devem ter que servir.

Uma voz racional é burra. Sobre seu túmulo
a casa de um impulso lamenta profundamente amado:
triste é Eros, construtor de cidades,
e chorando anárquica Afrodite.

Fonte: poets.org

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Poema Law Like Love dito por si