Morri em Ti… de Rosa Maria

rosa maria

Morri meu amor…morri em ti…tão cansada de mim

Fechei as portas aos sonhos…tirei a esperança à vida
Fiquei tão só…tão perdida meu amor…perdida de ti
Fui um instante…foste um momento…uma ferida

Fui gaivota por te saber ausente…procurei-te no mar
Seja eu a eterna quimera…seja eu o amanhecer da terra
Por te saber presente…parti de mim…mas desejei ficar
Fui um sonho…onda ou maresia…fui em ti flor singela

No cansaço dos dias…talvez te espere ainda meu amor
Antes de adormecer…talvez te procure…no anoitecer
Na minha solidão…talvez te procure no sorriso da dor
Talvez te espere ainda…num doce e suave amanhecer

A ti entrego…os meus versos de amor…a minha dor
O eco da minha voz…a minha eterna tristeza…as mãos
Os meus sonhos…o meu corpo frio…e todo o meu amor
Na sombra da tua ausência…meus despojos repousarão

Procuro o teu rosto…perdido na bruma do meu olhar
Nas minhas mãos vazias…nos meus braços sem mim
No silêncio da noite…no frio da madrugada…no Luar
Procuro-te meu amor…nesta solidão que não tem fim

Se ouvires o silêncio…sou eu meu amor a chamar-te
Se sentires no teu corpo calor…é o meu que te quer
Se sentires os teus olhos chorarem…sou eu a olhar-te
Se ouvires um lamento…são os meu braços de mulher

Escrito por : Rosa Maria

(extraído, com a devida autorização
da sua página do facebook.
Seu blogue: http://rosasolidao.blogspot.com )

O HOMEM QUE LÊ – Rainer Maria Rilke

Homem que LêEu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde… em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.

Rainer Maria Rilke, in “O Livro das Imagens”
Tradução de Maria João Costa Pereira
Fonte: http://www.citador.pt

VONTADE DE DORMIR – Mário de Sá-Carneiro

Fios de oiro puxam por mim
A soerguer-me na poeira –
Cada um para o seu fim,
Cada um para o seu norte…

….. ……. ……. ………

– Ai que saudades da morte…
….. ……. …….. ……….

Quero dormir… ancorar….

….. ……. ……. ……….

Arranquem-me esta grandeza!
-Pra que me sonha a beleza,
Se a não a posso transmigrar?
posso transmigrar?…

ADORMECI A VIDA de: ROSA MARIA

Adormeci a vida…afundei-me no mar bravio…fiquei nua
Deitei ao vento…os segredos…os medos…todos os restos
Expus as cicatrizes…raízes profundas duma noite sem lua
Fiz do silêncio a minha voz…dos sonhos os meus desertos

Calo as palavras…embriago-me…bebo-me…mergulho em mim
Deito-me sobre as pedras…dispo na noite…os meus cansaços
Já nada espero…nada quero…junto os pedaços que não vivi
Sou um resto de nada…sou o chão desfeito dos meus passos

De mãos estendidas…espero o nada que me dá a morte
Adormeço a vida…sem gestos…sem braços…sem mim
Carrego nos ombros cansados…o frio que me dá a noite
No corpo vazio…carrego a desilusão…que me dá o fim

Adormeço na terra fria…choro a solidão escrita em poesia
Olho-me e não me encontro…quebrou-se o espelho da vida
Rasgo a carne que me cobre…choro o meu corpo em agonia
Se vivo não sei…se estou morta…sei lá…estou apenas ferida

No frio da noite…na escuridão do dia…sou o grito da morte
Sou o adeus mudo…sou a solidão…do meu corpo de mulher
Sou a lágrima que me escorre de mansinho…sou vento norte
Caí e levantei-me tanta vez…despedacei-me…rasguei a pele

Guardei a dor…no fundo de mim…calei o grito…anoiteci
Soletrei os meus cansaços…amordacei no peito as mágoas
Rasguei as palavras…deitei-as ao vento…caminhei sem mim
Entreguei meu corpo ao mar…vi correr as minhas lágrimas

Escrito por : Rosa Maria

(retirado,com a devida autorização
da página de Facebook de Rosa Maria
seu blogue:
http://rosasolidao.blogspot.com

  • Eu amo tudo o que foi

    *Fernando Pessoa

    amo tudo o que foi,Tudo o que já não é,

    A dor que já me não dói,

    A antiga e errónea fé,

    O ontem que dor deixou,

    O que deixou alegria

    Só porque foi, e voou

    E hoje é já outro dia.

    1931

    Poesias Inéditas (1930-1935)

    • (extraído da página do Facebook
    • de Anabela de Araújo)

O REENCARNADO de Adelina Velho da Palma (cedido)

Acções fiz em existências passadas

que agora é forçoso desfazer,

vezes houve em que me dei ao lazer

ignorando as almas necessitadas!…

Não recordo essas vidas encarnadas

em que o meu eu decidiu renascer,

mas a reincidência no viver

indica-me que há contas não saldadas!

É míster ajudar sem pagamento

sem esperar qualquer reconhecimento

e, se possível até, sem ser visto!…

Todo o acto que é livre e praticado

mesmo o mais generoso e abnegado

só fica feito se for feito em Cristo!…

Adelina Velho da Palma

Sugiro uma visita ao seu site:
http://adelinapalma.com/prosa-e-poesia

 

A NOITE ME INVADE de Rosa Maria

[

A noite me invade…me assombra…despindo-me o amor da pele

Vestindo-me de segredos e medos…cravando-me de espinhos

Dentro de mim profundos abismos…desfeitos sonhos de papel

A noite me invade…e nela corre livre a dor do meu caminho

A noite me invade e nela jaz o meu corpo só e amordaçado

Vagando à beira do precipicio entre a luz e a sombra…morto

Num voo sem rumo…gaivota sem mar…um barco naufragado

A noite me invade…num mar revolto…num cais sem porto

A noite me invade…negro espaço no tempo que me rasga

Que me queima…que me doi…que me solta e me prende

Deixa-me nua…devora-me a carne que me cobre a alma

A noite me invade…o meu pobre corpo ao cansaço se rende

A noite me invade…o meu corpo anoitece…o meu leito arrefece

Parto de mim…ausente da vida…jazendo no chão dos meus passos

Sem rumo…sem norte…no olhar o silêncio…nos lábios uma prece

A noite me invade…calma e tristemente a escorrer dos meus braços

A noite me invade…a ternura fez-se dor…o amor fez-se o vazio

Num poema sem rima…num verso sem cor…num rosto sem vida

Num tempo sem tempo…num olhar sem luz…tão triste e tão frio

A noite me invade…a escuridão me cobre…o chão me dá guarida

A noite me invade…nuvem negra que me embala docemente

Num céu sem estrelas…num infinito sem luz…abismo sem fim

O vento fez-se tempestade…arrastando o meu corpo lentamente

A noite me invade…acordando os fantasmas que vivem em mim

Escrito por: RosaMaria

seu blogue:

http://rosasolidao.blogspot.com

Sua Página Facebook: Rosa Maria