algumas imagens na despedida do médico,deputado e dirigente do Bloco de Esquerda João Semedo

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Um poema da m/querida amiga e poetisa Rosa Maria

Porque choro se estou viva
Porque choro se estou viva…porque vivo sem viver
Porque caminhas tu alma minha de carne despida
Diz-me vida…que dor é esta que flagela o meu ser
Diz-me mãe…porque sofreste para me dares a vida
E tu morte…porque zombas de mim e me deixas assim
Nesta eterna espera pelo descanso que tarda em chegar
Se já estou moribunda…porque te esqueceste de mim
Ceifa as flores de Primavera que trago no meu olhar
E tu tempo…porque me deixas aqui descrente de tudo
Diz-me: onde adormeço esta ferida que trago na alma
E este grito preso na garganta e este abismo profundo
Na agonia de nada esperar…nesta dor que não acalma
E tu noite negra…porque deixas que o dia amanheça
E este medo de viver e esta tristeza a rasgar-me o peito
E a cova aberta esperando que o meu corpo adormeça
E meu pensamento seja feito de silêncio e esquecimento
E tu Primavera…porque que me vestiste de negro cetim
Porque deixaste o Inverno gelar o meu cansado coração
E tu companheira solidão…porque não te afastas de mim
Dá-me a sombra dos ciprestes e uma cova rasa no chão
E tu Mulher…onde deixaste a menina de ilusões vestida
Em que curva deste caminho disseste adeus à esperança
Como deixaste que a morte não te deixasse viver a vida
Hoje és flor desfolhada…uma pétria ruína daquela criança
Escrito por Rosa Maria