Conversando:
Nestas últimas semanas muitos
artistas se queixam de estar em
enormes dificuldades financeiras
por terem deixado de trabalhar.
Obviamente que lamento, mas me
pergunto e quando ganharam muito
meteram-se em vários negócios, a
maioria restaurantes.Era uma onda
do muito turismo, a nova mina de ouro.
Se o vírus veio fazer pensar “é que tudo
é efémero e todo o cuidado é pouco”.
Agora recorrem ao Estado e tudo quer ajuda.
Bem, e os que vivem de reformas miseráveis
ao fim de muitos anos de trabalho, que têm
que acompanhar todos os muitos aumentos,
vale a pena queixarem-se? Ninguém os ouvirá.
Mas é uma realidade que também provoca muito
sofrimento, muita dor de cabeça, muito desânimo!
Irene Alves

As causas de morte dos reis portugueses

“Entre os 34 réis que ocuparam o trono português, apenas  um  atingiu e excedeu os 80 anos de idade: a rainha reinante, D. Maria I; somente outros três atingiram e excederam os 70 anos: D. Afonso Henriques, D. João I e Filipe II de Espanha.
 
  1ª Dinastia
– D. Afonso Henriques, senilidade,  morre com 76 anos, encontra-se sepultado na Igreja de St.ª Cruz de Coimbra;
– D. Sancho I, lepra (?), morre com 57 anos, encontra-se sepultado na Igreja de St.ª Cruz de Coimbra;
– D. Afonso II, lepra, morre com 38 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro de Alcobaça;
– D. Sancho II, lepra (?), morre com 45 anos, encontra-se sepultado na Catedral de Toledo;
– D. Afonso III, reumatismo, morre com 69 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro de Alcobaça;
– D. Dinis, (?), morre com 64 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro de Odivelas;
– D. Afonso IV, (?), morre com 67 anos, encontra-se sepultado na Sé de Lisboa;
– D. Pedro I, epilepsia, morre com 47 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro de Alcobaça;
– D. Fernando, tuberculose, morre com 38 anos, encontra-se sepultado na Igreja de S. Francisco de Santarém.
(média dinástica de vida 56 anos).
 2ª Dinastia:
– D. João I, senilidade, morre com 76 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha;
– D. Duarte, peste, morre com 47 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha;
– D. Afonso V, psiconeurose, morre com 49 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha;
– D. João II, nefrite, morre com 40 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha;
– D. Manuel I, peste, morre com 52 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos;
– D. João III, trombose cerebral, morre com 55 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos;
– D. Sebastião, morte violenta, morre com 24 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos;
“Ficou tal túmulo no transepto da Igreja dos Jerónimos, do lado da Epístola, onde se vê ainda hoje (…)”.
“ Que o sebastianismo se instaurasse como uma espécie de religião patriótica, enquanto durou o cativeiro espanhol, compreende-se. Mas que ele se mantenha durante quatro séculos, aguardando-se a manhã de nevoeiro em que o infeliz monarca há de surgir, isto é que já custa a compreender”.
“Desde o milagre de Ourique (…) e o envenenamento de todos os filhos do infante D. Pedro até ao carácter intriguista e maldoso do 1º Duque de Bragança, o qual “com certeira seta matou o seu irmão, D. Pedro”, em Alfarrobeira; desde o feitio justiceiro do sanguinário D. Pedro I até à ineficácia das vastas reformas pombalinas, a nossa História anda cheia de lendas e de especulações, que cumpre eliminar.”
– D. Henrique, tuberculose, morre com 68 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.
(média dinástica de vida 51 anos).
 
3ª Dinastia:
reis castelhanos
– Filipe II, gota, morre com 71 anos, encontra-se sepultado no Panteão do Escorial;
– Filipe III, erisipela, morre com 43 anos, encontra-se sepultado no Panteão do Escorial;
– Filipe IV, neurastenia, morre com 60 anos, encontra-se sepultado no Panteão do Escorial.
(média dinástica de vida 58 anos).
 

4ª Dinastia:
– D. João IV, litíase vesical, morre com 52 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Afonso VI, tuberculose, morre com 40 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Pedro II, Tuberculose? Sífilis? *, morre com 58 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. João V, epilepsia, morre com 61 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. José, trombose cerebral, morre com 63 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Maria I, psicopatia, morre com 82 anos, encontra-se sepultada na Basílica da Estrela;
– D. João VI, envenenado, de acordo com recentes investigações (ano de 2000)  realizadas  por especialistas às vísceras do rei*,  
  morre com 59 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Pedro IV, tuberculose, morre com 36 anos, encontra-se sepultado na Catedral de Petropólis (Brasil);
– D. Miguel, edema pulmonar? enfarte do miocárdio?*, morre com 64 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Maria II, parto distócico, morre com 34 anos, encontra-se sepultada no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Pedro V, febre tifóide, morre com 24 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Luís, neurosífilis*, morre com 51 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Carlos, morte violenta, morre com 45 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
– D. Manuel II, edema da laringe, morre com 43 anos; encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora.
(média dinástica de vida 51 anos).
(ref.  “Causas de Morte dos Reis Portugueses”, J. T. Montalvão Machado)   
* In  “A Doença e a Morte dos Reis e Rainhas da Dinastia de Bragança” – José Barata.

Depoimento póstumo da cientista Maria de Sousa, de 80 anos, falecida a 14 de Abril com covid-19.
Professora da Fac. de Medicina da Univ. de Lisboa
e investigadora do Instituto de Medicina Molecular.

João Lobo Antunes
Percebeu a migração organizada dos linfócitos, células do sistema imunitário, tem o seu nome nos manuaisl sobre este sistema.
Este texto é uma importante lição, de conhecimento e lucidez, que Maria de Sousa deixa a todos nós.
Este testemunho devia ser dado a ler e explicado a todos os jovens, nas escolas e nas famílias (já para não falar dos adultos, governantes ou simples cidadãos) porquanto representa um aviso e um alerta certeiro apontados aos problemas de hoje e do futuro imediato.
Carta aberta de uma cientista optimista às novas gerações

A cientista Maria de Sousa, ao saber que estava infectada com covid-19 e consciente da sua situação de alto risco, despediu-se dizendo:

“Espero perdurar por via dos que ficam vivos”. Por mais dolorosa e triste que seja a morte, a vida tal como a conhecemos na Terra é infinita. As novas gerações sucedem-se ciclicamente e cabe sempre a elas a construção do nosso futuro colectivo.
Faz parte de ser jovem estar convencido de que vamos ser capazes de mudar o mundo para melhor.
Eu já não sou cronologicamente jovem, mas continuo a acreditar num cenário optimista para o futuro da humanidade!
É preciso coragem para mudar, sobretudo quando o nosso estilo de vida actual é tão confortável.
No entanto, as evidências científicas são irrefutáveis: a exploração que o homem está a fazer da natureza é insustentável.
Vivemos obcecados pelo crescimento económico, mas não é possível que as economias de todos os países continuem a crescer indefinidamente. Considero fundamental que os jovens de hoje se consciencializem dos inevitáveis riscos a curto prazo e façam ouvir a sua voz, pressionando a sociedade para a mudança. Acredito que a ciência e a tecnologia vão tornar-se ainda mais essenciais nas nossas vidas. Precisamos de observações e medições rigorosas de tudo o que se passa em todos os locais do planeta para estarmos alerta e sabermos onde actuar. Mas acima de tudo precisamos de novas soluções para viver em harmonia com a Terra, desde novas formas de nos deslocarmos a novas formas de nos alimentarmos e reciclarmos o lixo que produzimos. Novas soluções para um problema não surgem de repente a partir do nada. São necessários anos de intensa investigação científica, e muitos problemas estão ainda por resolver.
Por exemplo, a propósito da actual pandemia, importa lembrar que entre 1918 e 1919 ocorreu um surto de infecção causada por um novo vírus da gripe que matou cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Já se usavam máscaras de protecção, desinfectantes e distanciamento social, mas não havia testes de diagnóstico, nem medicamentos, nem ventiladores. A 1ª vacina para a gripe foi desenvolvida em 1940 e aplicada apenas em militares. Só em 1960, após uma pandemia causada por um novo vírus da gripe que entre 1957 e 1958 matou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, iniciaram-se os programas de vacinação para grupos de risco (isto é, pessoas com doenças crónicas ou com mais de 65 anos). Uma vacina confere imunidade contra um tipo específico de vírus. Ora, o vírus da gripe altera com muita frequência a sua informação genética, dando origem a novas formas de vírus que escapam ao efeito da vacina. Esta diversidade genética dá também origem, ocasionalmente, a formas de vírus mais agressivas que causam pandemias. Foi o que voltou a acontecer em 1968, com mais de um milhão de mortes em todo o mundo, e apenas há dez anos, em 2009, causando a morte de cerca de 600 mil pessoas a nível mundial. Porque a capacidade de se reinventar geneticamente é uma característica de todos os vírus, a humanidade sempre esteve e vai continuar a estar sujeita a surtos de infecção por novos vírus. Foi o caso do VIH – vírus da imunodeficiência humana, causador da sida. Esta nova doença começou a ser detectada em 1981 nos EUA e já matou 32 milhões de pessoas no mundo. Em 1994, a sida era, nos EUA, a principal causa de morte de pessoas entre os 25 e os 44 anos. Só em 1995 começaram a ser ensaiados os primeiros medicamentos que viriam a ter um grande sucesso, evitando as mortes e transformando a sida numa doença crónica.
Mais recentemente, em 2003, foram reportados na China os 1ºs casos duma nova doença respiratória denominada SARS, causada por um coronavírus parente do actual SARS-CoV-2. Em plena pandemia, a sociedade pede muito aos cientistas medicamentos e vacinas eficazes.
Que lições tirar para o futuro? Acima de tudo, as novas gerações têm de estar conscientes de que vão ser confrontadas com grandes desafios. A falta de respeito pelos animais selvagens, vítimas de captura e comercialização, favorece a infeção humana por novos vírus (ou outros micro-organismos patogénicos) que poderão causar mortalidades bem mais altas do que a actual pandemia. Muitos modelos ainda praticados na indústria agropecuária incentivam a destruição de florestas, interferem com a qualidade dos solos, são poluidores e favorecem a propagação de epidemias em plantas e animais. Vão certamente ocorrer grandes desastres naturais como fogos, tempestades e terramotos. As alterações climáticas são uma realidade instalada. Vai faltar a água e aumentar a poluição. As sociedades do futuro vão depender da ciência e da tecnologia para lidar com catástrofes. Mas as sociedades de hoje insistem em ignorar os múltiplos alertas dos cientistas para perigos eminentes que ainda podem ser evitados.
Por isso, deixo aqui o meu apelo às novas gerações para acabarem de vez com a ilusão de que vai ser possível continuar a viver com os hábitos de hoje e a fazer os negócios do costume. O meu outro apelo é para valorizarem e cultivarem a ciência. Todos os jovens, independentemente das suas profissões futuras, devem ser treinados a aplicar o método científico nos problemas com que se deparam no dia-a-dia. Rigor na observação, raciocínio lógico nas deduções, conclusões baseadas em experimentação. Em paralelo, as profissões ligadas à ciência têm de ser atractivas e apetecíveis. Tal implica organização, infraestrutura e recursos em permanente actualização.
Finalmente, um alerta: todas as áreas do saber são igualmente importantes. Os avanços tecnológicos mais transformativos resultaram de descobertas que podiam, à primeira vista, parecer irrelevantes. Para o avanço da ciência não há temas de investigação inúteis, desde que as perguntas sejam bem formuladas.
E a ciência não pode deixar de avançar, sob pena de não sermos capazes de resolver os imensos desafios com que nos vamos deparar!

SABE O QUE É VENTILAÇÃO ARTIFICIAL?

Falam de respiração ou ventilação artificial, mas há muita gente que não faz a mínima ideia do que se trata.
Não é uma máscara de oxigénio posta na boca enquanto se fica deitado “a pensar na vida”.
A ventilação invasiva para o COVID-19 é uma entubação que é feita sob anestesia geral e que consiste em ficar 2 a 3 semanas sem se movimentar, muitas vezes de barriga para baixo (decubitus ventral) com um tubo enterrado na boca até à traqueia e que permite respirar ao ritmo da máquina a que se está conectado.
Não se pode falar, nem comer, nem fazer nada de forma natural.
O incómodo e a dor que se sente precisam da administração de sedativos e analgésicos para garantir a tolerância ao tubo durante o tempo que o paciente precisar da máquina para respirar. Tudo isso durante um coma artificial.
Em 20 dias deste “tratamento suave”, num paciente jovem a perda de massa muscular é de 40% e a reabilitação será de 6 a 12 meses, associado a traumatismos da boca ou até mesmo das cordas vocais.
É por isso que as pessoas idosas ou já frágeis não aguentam.
Então, cuidem-se!
Fiquem em casa.
Partilhem ao máximo esta informação.