ESCURECE… Ângelo Gomes

ESCURECE…

Olho, não sei para onde, mas olho
À minha frente o dia escurece
Como escurece a fonte de ideias
Votadas ao ritmo dos pensamentos
Passeio com as mãos pela face
Esfriada por uma primavera descaracterizada
Oferecendo-lhe o pedaço de conforto
Que o resto do meu corpo não sente
Continuo a olhar como se fosse um autómato
Parado num tempo com chama apagada
Que lentamente introduz em mim o frio da noite
Como se dentro de mim não fosse sempre noite…
Olho, porque nos meus olhos reside um mar de vida
Que riem, que sorriem, que choram, vagueiam
Ensinam-me a olhar mesmo que o alvo seja o vazio
Que se fecham como portas reforçadas do castelo
Onde habitam os meus sonhos por realizar
Escurece….
Continuo a olhar, não sei para onde, mas olho…

Ângelo Gomes – 11-4-2016 – 19h20