Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O’Neill

D O R

Conheço tantas dores
Aprendi a viver com elas.

Feliz não me tornou,
Mas nunca compartilhei a dor.

Nunca encontrei entendimento
E calei meu tormento.

Morei com Ela na minha casa
Mais anos, do que os meus anos.

Amigos, só para festas tentadoras,
Nunca para partilhar a dor.

Mas a dor foi contada sim
Como se fosse de outros,
Não de mim.

Nem meu amor pode partilhar a dor,
Sempre isso entendeu e aceitou.

A dor me pertence,
Só ela me pertence.

Nada mais é meu
Verdadeiramente meu.

E dor é minha,
Não a posso repartir.

Não a amo, não a quero,
Mas ela comanda meu viver.

E quando ela vem
Tudo é dor e nada mais…

Ela é a Velha Senhora,
Domina e mata.

Num tempo apenas meu
Pergunto,
Estou no mundo
Ou fora do mundo?

Aqui fica meu cálice
E o vento da solidão…

Maria luísa

(gentilmente cedido pela
Maria Luísa Adães do blogue:
http://os7degraus.blogspot.com

que sugiro visitem.)



Uma flor para S.M.C.(03.01.1969-31-03-2011)

QUANDO VOLTARES A TI – de Carlos Morandi
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Quando voltares de ti, não procures qualquer coisa que houveste deixado
ao partir. Pois, o que ficou por tua vontade, ou por teu descuido, não mais
a ti pertence; a não ser como cordas poídas, ilusões…
Quanto voltares de ti, não procures teu lugar de antes, o mesmo que deixaste nos varais da noite por teu descaso ou por tuas decepções; não mais a ti pertence, a não ser como telhas de água, frustrações…
Quando voltares de ti, não procures pelas vozes de sentimentos tardios. Pois, o que ficou por tua vontade, ou pelo que não te deram, não mais a ti pertence; a não ser como teimosias, provocações…
Quando voltares de ti, não procures por qualquer pensamento cansado. Pois, o que ficou ao partires, pelo que não lembraste, ou pelo que te obrigaram esquecer, não mais a ti pertence; a não ser como energias vadias, encenações…
Portanto, vai… Vai encontrar contigo! Vai nadar nos oceanos profundos do teu próprio coração…. Vai planar nos céus infinitos do teu próprio Ser… Vai lamber a lágrima doce no altar do teu sorriso mais iluminado e contemplar nas estrelas do teu peito os relâmpagos suaves da felicidade do universo… Vai aprender o quanto és importante para o mundo… Vai ouvir a Verdade te dizer o quanto se espera de ti como ser humano e como esperança do próprio Criador.
Depois, volta! E quanto voltares a ti, volta apenas a ti. Depois, abre tuas janelas e escolhe a brisa mais transparente, a água mais cintilante, o trigo mais simples, a relva mais branca, e caminha. E quando caminhares, lembra-te: agora não mais caminhas pelas tuas infindas procuras, mas sim, pelo infinito da tua chegada.
Foste tão longe e voltaste. E nunca saíste de ti…

(gentilmente cedido.
Sugiro visite seu blogue
http://carlosmorandi.blogspot.com)

Décima

Se amor vive além da morte,

Eterno o meu há de ser;

Se amor dura  só na vida,

Hei de amar-te até morrer.

Glosa

Que um peito, Analia, sensível,
Desses teus olhos ferido
Não te caia aos pés rendido,
Me parece um impossível.
Antes só tenho por crível
Que todo a ti se transporte,
E te preste amor tão forte,
Em teu serviço jucundo,
Que te ame além do mundo,
Se amor vive além da morte.

Por essa força atrativa,
Que em ti pôs a natureza,
Minha alma d’antes ilesa
Já de ti se vê cativa.
De amor n’uma chama viva
O peito sinto-me arder;
E se posso hoje prever
Os sucessos do futuro,
Entre os fogos de amor puro
Eterno o meu há de ser.

Mais forte que o gordiano,
É o nó que a ti me prende;
Fica certa, que o não fende
Da morte o ferro tirano;
Por que trazer-te-hei de ufano
No fundo d’alma esculpida,
Ou ao nada reduzida
Deve ser a minha essência;
Que nego a sobrevivência,
Se amor dura só na vida.

Em ambas suposições
Não és de mim separada;
Que me estais amalgamada
Da mente nas sensações:
E pois modificações
Só por si não podem ser,
Hás de eterna em mim viver,
Se eu tenho uma alma imortal;
Ou, se ela é material,
Hei de amar-te até morrer.

 

 

(cedido por Marcílio Medeiros)

F M I


(desconheço autor da foto)

“Não tenhas medo, Mário Soares também não teve,é amargo,
é como o óleo de fígado de bacalhau…mas tem de ser…deste
cabo da saúde financeira do país…arruinaste a economia…

ris demais…mas o povo já não ri!”

“Eu tenho muito medo dele, dizem que é o gigante Adamastor…
e nos vai comer a todos… tenho medo, muito medo!…”

(gentilmente cedido por rouxinol
do blogue: http://rouxinoldebernardim.blogspot.com

cujo blogue, sugiro visitem.)






Procurei-te

Procurei-te no tempo
No sussurrar do vento
Nas cores que vestem os dias.
Procurei-te sem descansar
Amando-te só por amar
Amor que nos teus olhos trazias.

Procurei-te em ti e em mim
Nas cores que nascem no peito
Melodias cantadas sem fim.
Alguns frutos dos pensamentos
Dobraram meus ais e lamentos
Desamor não quero nem aceito

Procurei -te nas noites tardias
Quando o frio arranjava lugar
Convencido que ainda verias
Tanta força que tenho de amar.
As estrelas logo me disseram
Desse amor já outros penaram.

Luíscoelho

(sugiro que visitem o blogue
do autor deste poema
http://luisrcoelhohotmailcom.blogspot.com.