E hoje vou viver a noite de Santo António em Lisboa

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Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses

Quem pode livre ser, gentil Senhora,
Vendo-vos com juízo sossegado,
Se o Menino que olha e priva
Nas meninas de vossos olhos mora?

Ali manda, ali reina, ali namora,
Ali vive das gentes venerado;
Que o vivo lume e o rosto delicado
Imagens são nas quais o Amor se adora.

Quem vê que em branca neve nascem rosas
Que fios crespos de ouro vão cercando,
Se por entre esta luz a vista passa,

Raios de ouro verá, que as duvidosas
Almas estão no peito trespassando


Assim como um cristal o Sol trespassa.

Luís de Camões

Leonard Cohen

Suzanne Verdal McCallister era uma jovem dançarina casada com um escultor de seu nome Armand Vaillancourt. Conheceram-se quando dançavam os dois num local chamado Le Vieux Moulin perto do Quebec, no Canadá. Numa das suas actuações foram apresentados a um indivíduo que se dizia ser poeta e escrever canções. O encontro foi breve. No Verão de 1965 Suzanne vivia numa precária roulotte junto à margem do rio St. Lawrence, num local paradisíaco. Foi por esta altura que começou a receber a visita periódica daquele poeta que conhecera três anos antes. Passaram algum tempo juntos. Acendiam uma vela, bebiam chá e ficavam a olhar um para o outro calados; outras vezes falavam das coisas da vida e trocavam ideias.

Desses encontros nasceu uma relação muito especial. O rio e a beleza do local fortaleceram os laços dessa amizade, certamente. O poeta absorvia tudo da dançarina: a sua maneira de falar, de andar, o jeito de vestir, ouvia-a rezar em silêncio… parecia ler-lhe os pensamentos. Entre eles havia perfeita sincronia, uma comunhão de espíritos. O poeta descreveu minuciosamente todos estes momentos partilhados e mais tarde musicou os seus escritos numa composição intimista. Chamava-se Leonard Cohen.
(Obvious)
Que foi galardoado com o prémio Príncipe das Astúrias 2011