Canção de infortúnio para olheiras e guelras – Cantilena

outrora foi o pranto que vazou a garganta
penetrou nas chagas da pele, fez moradia
eternizou-se em montanhas de silencios

essas estranhas correntezas corróem-me
são silvos no meio de tormenta e estrada
cantam comigo o desvario de tantas vozes

outrora foi uma palavra de gesto destituído
compilada na enciclopédia das galáxias
a irromper–se em predicados de gula febril

senhoria de tantos mistérios a quem invoco
em triste cantilena sobre preces e pretéritos
nesta tarde em que se ruflam todos os poentes

CANTILENA

às vezes eu penso, ou então não penso.
às vezes cresço por dentro e então digo:
de quem é esta terra mais pequena, aquele
espaço no cabelo mais pequeno tão quando
a tua mão tão na minha? apertá-la é um lugar
muito perto. e digo ainda: quem é a locomotiva
de silêncio? lá fora é dia e a noite é um moinho.
sim, a planta entende as tuas pernas porque canta
nelas. a mão bate na cara, a canção hoje canta!
se alguém me perguntar eu digo que a beleza
é uma garganta toda azul a escorregar no céu.
e falo numa máquina feia de segredar ao ouvido.
quero comer o mar
quero um silêncio assim durante quinhentos poemas

Rui Costa

Gentilmente cedido por ASSIS DE FREITAS

do blogue:

http://mileumpoemas.blogspot.com

que convido a visitarem)

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NATALIE PORTMAN vencedora do Óscar Melhor Actriz com o filme “O Cisne Negro”

Darren Aronofsky sabe como levar as suas personagens a bater no fundo. Mas em “Black Swan” há também uma espécie de catarse, fazendo de Natalie Portman a (anti) heroína de uma tragédia grega do século XXI em dois actos. (Obvious)

A CASA DE IRENE

Há já muito tempo apareceu uma canção que vou colocar neste Post “A Casa de Irene”

e hoje de manhã acordei, liguei o rádio e estava a dar a mesma.

Comecei a pensar em quem me teria dado o meu nome: os meus pais ou os meus padrinhos?

Não me lembro de ter perguntado…

Não me lembro de mo terem dito…

E agora, já não tenho a quem perguntar.

Mas gosto do meu nome…

ÂMAGO

Cresci ouvindo falarem sobre maçã bichada.

Não tinha visto de perto.

 

Era apenas imaginação.

Fábula.

 

Há pouco com toda a pureza da realidade

mordi uma maçã bichada e senti na boca

o que é a tristeza da carne.

 

Agora quando um filho

(furioso) cuspir um pedaço

 

direi para o pequeno que maçã só é bichada

se houver as duas: rosada por fora,

podre por dentro.

 

e que a ilusão

é artifício do criador.

 

(cedido gentilmente por Domingos Barroso

do blogue:

http://domingosbarroso.blogspot.com

que podem visitar.)

PENUMBRA

Sou a penumbra…frágil sombra…vestida de noite
No meu rosto…traços de amargura…cinzas do tempo
E no meu corpo este silêncio…leve sopro de morte
Gravado no tempo…tatuado na alma…eterno lamento

Trago nas mãos tempestades…o inferno…e este vazio
Revolvo a terra…procuro na mulher…o raio e o trovão
Esqueço o que resta de mim…quase nada…apenas frio
Não tenho antes nem depois…apenas tempo e solidão

Sou mulher…trago as dores da terra…amordaçadas
Os anseios do futuro…as dores do passado…as lágrimas
Os segredos…os medos…de todas as mulheres caladas
Todas as promessas…todos os sonhos e todas as mágoas

Sou a voz do vazio…a tristeza…a penumbra da poesia
Sou a pedra do caminho…a folha negra dos meus passos
Sou o abandono…o silêncio da noite…a sombra do dia
Perdida entre o ser e o querer…o vazio dos meus braços

A minha voz calou-se…apenas o silencio grita…implora
Num poema derradeiro…num verso negro…amordaçado
Num peito sofrido…num coração que em mim chora
Desfeito o sonho…cala-se o pranto…num verso rasgado

Entre mim e a noite…os braços…gestos breves amargos
Não sei quem sou…nas entranhas da terra foi onde nasci
Trouxe nas mãos um poema…nos dedos…silêncios vagos
Sou filha de todos os instantes…sou o principio e o fim

 

 

 

(gentilmente cedido pelo blogue:
http://rosasolidao.blogspot.com

que convido a visitar.)



de Chico Xavier

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:
Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo.
Se não quiser chorar, não chore;
Se não conseguir chorar, não se preocupe;
Se tiver vontade de rir, ria;
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão;
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me;
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam;
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo…
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
-“Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto!”
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu.
“Ser seu amigo, já é um pedaço dele…”

À NOITE

Poderia viver mil vidas
normais
em que ficasses tu
aqui
(como devia acontecer)
depois de eu me ir …

Ainda assim,
não passaria este sufoco
com que me deito e
adormeço,
com medo,
sempre o mesmo medo
de te perder …

noite
após noite
após noite …

poema cedido por Isabel Venâncio do blogue:

http://www.casadavenancia.blogspot.com

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Há algum tempo que conheço Isabel Venâncio

da Net e mesmo silenciosamente estive sempre

com a mesma, pelo imenso respeito que lhe tenho,

por ser a mãe excepcional que sempre foi.

Fica aqui a minha homenagem a uma

MÃE CORAGEM.