O que Einstein, Darwin, Newtone e Kepler têm a dizer sobre a sua vida

Publicado em recortes por Alícia Madrid.
Porque as ciências exatas e biológocas também merecem interpretes humanas.

Aqueles ilustres senhores que marcavam presença nas aulas de física e biologia poderiam dar a impressão de tratarem de assuntos muito pouco cotidianos, e deveras ininteligíveis, sem certa dose de concentração; porém, depois de refletir sobre alguns dos postulados mais importantes de cada um deles, cheguei à conclusão de que algumas leis e teorias podem se transformar em lições de vida, se analisadas pelo ângulo certo.

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Einstein dissertou sobre a relatividade do tempo. Não me aterei às minúcias de aclamada teoria, mesmo porque não passo de uma mera curiosa a respeito do assunto. O fato é que, a grosso modo, o velhinho da língua saliente afirmou que o tempo passa mais devagar para os corpos em movimento. Na prática, podemos depreender que o segredo para aproveitar o tempo é o deslocamento, e aqui nos cabem duas interpretações: uma literal e uma metafórica. A primeira diz “mova-se”: vá viajar, vá visitar os amigos e a família, vá dar uma volta no quarteirão, vá participar de uma maratona, qualquer coisa que te faça levantar do sofá enquanto aquele tirano chamado relógio brinca de Pacman com cada minuto da sua vida. Já a segunda interpretação, pode ser vista como uma mensagem de anti-estagnação mental, e é simples observá-la na prática: sabe aquele dia mega produtivo que parece ter durado 100 horas? Pois é, é o tempo se esticando porque seu cérebro está em “movimento”. Faz sentido?

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Darwin, com sua sábia e por vezes polêmica teoria da evolução, nos diz que tem mais chances de sobrevivência aquele que melhor se adapta. Na vida, algumas vezes, as condições parecem desfavoráveis, o ambiente hostil, os recursos escassos e aí podemos escolher sentar e reclamar ou tentar encontrar um meio de fazer com que algo que trabalhe a nosso favor. Uma das minhas maiores convicções é que qualquer experiência – positiva ou negativa – traz uma mensagem a ser aprendida e incorporada ao crescimento pessoal. Lutar contra fatores que estão além do nosso alcance é desperdiçar a energia que poderia ser utilizada para amenizar ou mudar as condições sórdidas em que nos encontramos.

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Pode ser que nem o próprio Newton tenha se dado conta de que a Lei da Inércia é uma asserção a respeito do comodismo: um corpo em repouso ou em movimento uniforme tende a permanecer assim. Logo, aplicando em nossas próprias vidas, podemos concluir que nos acostumamos a deixar as coisas do jeito que estão – nossa rotina, nosso emprego, nossas relações. E quando nos sentimos contentes ou pelo menos satisfeitos com tais âmbitos do cotidiano, ótimo! O problema é quando nos acostumamos com o sofrimento, como por exemplo, a ter um emprego que odiamos, a namorar alguém que não amamos, a presenciar as mesmas brigas, a passar pelos mesmos problemas, a encarar as mesmas situações desagradáveis… Em resumo, quando a infelicidade se torna um hábito. Volte ao parágrafo do Einstein e do Darwin para saber o que eu tenho a dizer a respeito disso.

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Kepler, o físico astrônomo, constatou que os planetas descrevem órbitas elípticas em torno do Sol, o qual ocupa um dos focos da elipse. E aqui reside a mensagem menos óbvia das que mencionei até agora, contudo, não menos complexa ou profunda. Note que se até os planetas possuem mais de um foco, nós, filhos do carbono e do amoníaco, sempre retemos em nossas mãos mais de uma escolha, mais de um caminho, mais de uma solução. Para cada evento indecifrável, há uma resposta insólita, uma saída incomum. Às vezes, só precisamos trocar o Sol de lugar.

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Que o legado dos grandes pensadores – na maioria filósofos, antropólogos ou poetas – se propague pela eternidade, mas que que possamos também alimentar a alma a partir das ideias concebidas por aqueles que descreveram o universo e a natureza através de fórmulas e tecnicidades.

Imagens: Reproduções de Salvador Dalí
Fonte:

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/agora/2014/05/o-que-einstein-darwin-newton-e-kepler-tem-a-dizer-sobre-a-sua-vida.html#ixzz38hWHv

TEXTO
DE JOSÉ GIL (filósofo)

O ROUBO DO PRESENTE

“Há pelo menos uma década e meia está a ser planeada e experimentada quer a nível do nosso país, quer na Europa e no mundo uma nova ditadura – não tem armas, não tem aparência de assalto, não tem bombas, mas tem terror e opressão e domesticação social e se deixarmos andar, é também um golpe de estado e terá um só partido e um só governo – ditadura psicológica.
Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspectivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro.
O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu. O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho. O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stress, depressões, patologias, border-line, enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens)
O presente não é uma dimensão abstracta do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro – para que possam irradiar no presente em múltiplas direcções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público. Actualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais.
O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos – porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efectiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil. Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças – em vias de me transformar num ser espectral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si.
Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português.
Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria­-nos do nosso poder de acção. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país.”

Trabalho do meu amigo Celito de Medeiros(grande pintor brasileiro) sobre uma foto minha de fraca qualidade, pois foi cortada, por existirem mais pessoas na mesma.

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além do meu imenso obrigada, partilho convosco.

Apenas alguns dados sobre o Celito de Medeiros
Biografia e Obras

Celito Medeiros, 54, é natural de Santa Catarina e hoje vive em Curitiba no Paraná. Tendo passado pela engenharia além de outras graduações, finalmente pode voltar ao princípio de sua vocação por amor – as artes e literatura como profissional. Com mais de 30 livros editados e 2.500 pinturas tradicionais e digitais, considera importante a busca de liberdade para toda a humanidade. Premiado nacional e internacionalmente na pintura e poesia, diz que querer não é poder, mas tendo poder basta querer. Sua frase predileta: Amigos sempre se encontram!

http://www.celitomedeiros.com.br/curriculum.html

celitomedeiros@uol.com.br

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Minhas Escritas

estou aqui, vigília minha!

celito medeiros

viajei por tantos mares
procurei pelos altares
você nunca estava lá…

você bela alma
cais que atraco
calmaria sem vento

aporto minha nau
eu entendi o sinal
aquilo que um dia
veria em poesia

viajei por muito tempo
para ocupar seu espaço
num tempo que não passo
no seio que me acalenta

cheguei, agora é aurora
mar que o farol mantinha
vem e atraca sem demora.

Fonte: Maria Petronilho(poetisa)

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Publicado em Artes e Ideias por Rejane Borges (Fonte: Obvious)

vermeer, o pintor que ressurgiu na luminosidade de sua obra

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A obra de Vermeer deu forma à luz. Sua técnica exaltava a complexidade de simples momentos cotidianos. Iluminava as horas de vidas vulgares. Iluminou do mesmo modo nossa mente, ao reconhecermos sua excepcional exatidão em contornar trivialidades cruciais da vida. Com a luz.
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(Mistress and Maid c.1667-68)Há uma irônica diferença entre a vida e a obra do pintor holandês Johannes Vermeer. Enquanto sua existência circunda o obscuro, de sua obra emana a luz. Seus quadros davam a impressão de serem fotográficos, tamanha rigorosidade da composição de luzes e sombras. Por isso é conhecido como o pintor da luz – por sua notável técnica usando a luminosidade em seus quadros – sua principal característica.

Vermeer nasceu em Delft, no século XVII, no ano de 1632, cidade com a qual teve uma forte ligação que influenciou sua obra e o caracterizou. Casou-se com a burguesa Catharina Bolenes, em 1653, no mesmo ano entrou para a guilda de pintores de São Lucas e, mais tarde, chegou a presidi-la. Trabalhava como comerciante de arte, mas não conseguia manter-se com o trabalho nem vendia suas próprias obras, deixando-o em uma situação financeira delicada. Com Bolenes teve quinze filhos, dos quais quatro morreram em tenra idade.

Pouco se conhece sobre o artista, além de especulações através de suas obras. Sua vida poderia ser um típico roteiro romântico hollywoodiano: um homem misterioso com extraordinário talento artístico obstinado a vencer os percalços de uma vida pelo amor à arte. Obviamente foi um anti-herói. Morreu pobre e sua mulher teve que vender suas obras a troco de alguma pensão. Foi totalmente esquecido pelo mundo. Seu nome só ressurgiu em 1866, quase duzentos anos depois de sua morte, quando seus quadros começaram a chamar a atenção e a serem admirados pela perfeição de suas composições.

O artista se fez notar com seu talento no jogo de luzes e sombras, destacando algumas partes do quadro com uma luminosidade que parecia dar vida própria à obra, com notável excelência ao utilizar a luz. Seus quadros eram belas composições de equilíbrio, quase geométricos. Era nobre ao captar paisagens da velha Delft, retratos e, principalmente, mulheres em seu cotidiano. Eram cenas simples e diretas. Pintava no que parecia ser um ritual metódico pela precisão nos detalhes. Quando observo a obra de Vermeer tenho a impressão de ver uma cena viva. Está tudo detalhadamente ali. E o que Vermeer evidenciava com a luz era sempre o abstrato. A expressão, o movimento, o pensamento, a intenção. Produzia um extraordinário efeito de contraste com a sombra.

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(A Kitchen Maid, c,1658
Estudiosos da arte afirmam que ele usava um tipo de câmera escura para reproduzir uma imagem fiel na tela. Era uma espécie de antecedente da câmara fotográfica. Tal teoria é aceita por se observar efeitos ópticos nas pinturas de Vermeer, os quais só poderiam ser reproduzidos se o pintor realmente usasse lentes. A sofisticação visual de Vermeer envolvia seus quadros em uma aura misteriosa, assim como sua vida.

Historiadores afirmam que a vida do pintor sempre foi um mistério, sabendo-se muito pouco sobre o homem por trás daquelas obras. As informações que hoje temos de Vermeer, de fato, são básicas e nada aprofundam nosso conhecimento acerca do pintor. No entanto, acredito que o homem que todos queremos conhecer reside nos próprios quadros. Ora, se a arte é a expressão e, por fim, coisificação da consciência, Vermeer deixou muito claro quem ele era sob todos os aspectos. Deixou-nos todas as pistas de como enxergava o mundo, de como o sentia.

Indiscutivelmente intimista, seus quadros são confissões de seus temores, inspirações e anseios escondidos em momentos triviais de vidas simples. Como nos quadros “Woman Holding a Balance, c. 1664”, e “A Kitchen Maid, c. 1658”. Em ambos, Vermeer enxerga algo de espetacular em um simples trabalho de uma mulher. Acentuando, com a luz, suas faces e suas mãos. Observa-se que Vermeer usava todos os componentes do quadro para dar equilíbrio à tela. Ele compunha cenas. Agrada-me cosiderar a idéia de que sua sensibilidade era grande o suficiente para dar valor aos pequenos momentos. Faz-me pensar que Vermmer contava as horas junto às personagens de seus quadros.

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(Woman Holding a Balance, c.1664)

Não há um número exato de obras atribuidas a ele, mas especula-se que seja entre 35 e 40 pinturas, sua maioria de interiores. Sua técnica sempre foi peculiar e inconfundível. No entanto, há dúvidas envolvendo a autenticidade de alguns quadros, também pela falta de assinatura do artista. Por isso a cronologia de suas obras sempre será um mistério.

Em 2003, Peter Webber dirigiu o filme “Moça com Brinco de Pérola” (Girl with a Pearl Earring/EUA) em referencia a um dos mais famosos quadros de Vermeer. “Girl with a Pearl Earring c. 1665-1666”. A versão do cineasta tenta especular sobre a vida do pintor, que sempre foi e será como em seus quadros. Circundados de sombras e algumas luzes evidenciando um ponto crucial na própria existência.

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(Girld with a Pearl Earring)