Não se morre só de Covid-19

Compreendo perfeitamente que o Serviço
Nacional de Saúde esteja “muito virado” para
o problema relacionado com o Covi-19 e
tudo faça para evitar o menor número de
mortos.

Mas penso(e gostaria de saber o que quem ler
este texto pensa) que não se pode deixar de
cuidar outro tipo de doentes, sobretudo os
cancerosos, muitos deles à espera de operações
e saber-se quantas foram adiadas e até quando?

Tenho lido muitas queixas de situações deste
tipo, e isso também muito me preocupa.

Sei de muitas consultas adiadas e exames
médicos que também foram adiados, só que
não sei até quando? Eu própria estou a
sofrer desta situação.

Sei que o Serviço Nacional de Saúde está
muito sobrecarregado, mas por favor, não se
esqueçam dos muitos doentes que já existiam.
Ou outros casos, de outro tipo de doentes,
que entretanto tenham surgido.

Irene Alves

(Não consigo inserir imagens junto ao texto, do que peço desculpa)

Bela reflexão do psicólogo Raffaele Morelli, que é também psiquiatra, psicoterapeuta, filósofo e ensaísta italiano.

“Acredito que o cosmos tem a sua própria maneira de equilibrar as coisas e as suas leis, quando elas estão perturbadas.
“… Num momento histórico em que certas ideologias e políticas discriminatórias, com fortes referências a um passado mesquinho, estão a ser reativadas em todo o mundo, chega um vírus que nos faz experimentar que, num instante, pode-nos tornar os discriminados, os segregados, os presos na fronteira, os portadores de doenças, mesmo que a culpa não seja nossa, mesmo que sejamos brancos, ocidentais e a viajar em classe executiva.

Numa sociedade baseada na produtividade e no consumo, em que todos corremos 14 horas por dia atrás do desconhecido, sem sábados nem domingos, sem mais vermelhos no calendário, de um momento para o outro, vem a paragem.
Parados, em casa, dias e dias para contar com um tempo cujo valor perdemos, se não for mensurável em dinheiro.
Ainda sabemos o que fazer com ele?

Numa fase em que o crescimento dos filhos é, por necessidade, muitas vezes delegado a outras figuras e instituições, o vírus fecha as escolas e obriga-as a encontrar soluções alternativas, para voltar a colocar mães e pais junto dos filhos. Obriga-nos a começar uma nova família.

Numa dimensão onde as relações, a comunicação, a sociabilidade são jogadas principalmente no “não-espaço” da rede social virtual, dando-nos a ilusão de proximidade, o vírus tira-nos a verdadeira proximidade – sem tocar, sem beijar, sem abraçar, à distância, no frio do não-contacto.

Quanto é que tomámos estes gestos e o seu significado como garantidos?

Numa fase social em que pensar no próprio umbigo se tornou a regra, o vírus envia-nos uma mensagem clara: a única saída é a reciprocidade, o sentido de pertença, a comunidade, o sentimento de fazer parte de algo maior para cuidar e que pode cuidar de nós. A responsabilidade partilhada, o sentimento de que o destino não só o vosso, mas de todos à vossa volta, depende das vossas acções. E que tu dependes deles.

Então, se pararmos de fazer caça às bruxas, pensando de quem é a culpa ou por que tudo isso aconteceu, mas pensando no que podemos aprender com isso, acho que todos nós temos muito o que pensar e nos comprometer.
Porque com o cosmos e suas leis, obviamente, temos uma dívida de gratidão.
O vírus está a explicar-nos, a um grande custo”.

Expressões curiosas usadas na Língua Portuguesa!
JURAR DE PÉS JUNTOS:
Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu. A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para nada dizer além da verdade. Até hoje, o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA:
Pode ir tirando o seu cavalinho da chuva porque não te vou deixar sair hoje! No século XIX, quando uma visita iria ser breve, deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e, se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, num lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.
DAR COM OS BURROS NA ÁGUA:
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde os tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul ao Sudeste sobre burros e mulas. O facto era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso.
GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adoptavam um sistema de arquivo de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto, eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído ao mesmo, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” para designar algo muito bem guardado…
OK:
A expressão inglesa “OK” (okay), que é mundialmente conhecida para significar
que está tudo bem, teve a sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma baixa, escreviam numa placa “0 killed” (nenhum (zero) morto), expressando a sua grande satisfação, daí surgiu o termo “OK”.

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se numa árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro das suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém soube se encontraram as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.
PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados a Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou-se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.
PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas “para inglês ver”. Daí surgiu o termo.
RASGAR SEDA:
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente a sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: “Não rasgue a seda, que se esfiapa.”
O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER:
Em 1647, em Nimes, França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea num aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a ver ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse os seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.
ANDAR À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.
QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO:
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, adulterou-se. Inicialmente dizia-se quem não tem cão caça “como” gato, ou seja, esgueirando-se, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.
VAI TOMAR BANHO:
Em “Casa Grande & Senzala”, Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contactos comerciais, o europeu contagiou-se de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e lavava-se da cabeça aos pés nos rios, além de usar folhas de árvore para limpar os bebés e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem “tomar banho”

QUE VIDA COMPLICADA…

Desde que nascemos que se sabe, que um dia algo nos acontecerá
que nos levará e termina a nossa vida, aqui.

Mas, no momento atual estamos todos a “temer” que seja o Covid-19
a lembrar-se de nós e…

Então mandam-nos estar fechados em casa…mas já há quem diga
que isso não é impeditivo, para o dito vírus…

Opiniões há muitas, verdades poucas…

Para a nossa sanidade mental, quanto tempo aguentaremos estar fechados
em casa, sobretudo quem mora num apartamento como eu? E as crianças?

Pois é amigos/as, quem se safará? A tal incógnita da vida e da morte…
agora mais do que nunca se coloca.

Não dominamos nada e tudo nos domina.

Irene Alves

Rir faz bem à saúde

A mulher chega a casa e encontra o marido na cama, com outra, de 25 anos, bonita, com tudo no sítio, bronzeada, cheia de amor para dar.

Arma o maior escabeche, mas o marido interrompe-a:
-Antes deverias ouvir como tudo isto aconteceu…

Encontrei esta jovem na rua, maltrapilha, cansada e esfomeada. Então, com pena do estado dela, trouxe-a para casa. Servi-lhe o jantar que tu não comeste ontem, com a mania das dietas e que eu guardei no frigorífico, lembras-te?
Ela estava descalça, e eu dei-lhe aquele par de sapatos que, como foi a minha mãe que te deu, nunca usaste. Estava com sede e eu servi-lhe aquele vinho que estava guardado, para aquele sábado que prometeste mas que nunca chega. Pois, dói-te a cabeça, estás cansada e tens muito que fazer.

As calças estavam rasgadas, dei-lhe aquele par de jeans quase novo, que ainda estava em perfeito estado, mas não te servia.

Como ela estava suja, aconselhei-a a tomar um banho.
No final, dei-lhe aquela perfume francês novinho que nunca usaste porque não era a tua marca favorita.

Então, quando já estava sossegada, perguntou:
-Senhor, não tem mais nada que a sua esposa não use?
Nem respondi. Dei logo!!!