Fonte: Visão online

Milhares de pessoas partilharam a imagem da menina síria com os braços levantados, em jeito de rendição, quando confundiu, explicava a legenda com que apareceu online pela primeira vez, a câmara de um jornalista com uma arma.

A imagem começou por ser partilhada no Twitter por Nadia Abu Shaban, uma fotojornalista a viver em Gaza e tornou-se rapidamente viral, com milhares de partilhas e comentários e publicações nas outras redes sociais. Em breve, surgiam as acusações de que a imagem era falsa ou, pelo menos, encenada. Muitos questionavam quem tinha tirado a foto e porque tinha sido publicada sem os devidos créditos, uma vez que Nadia Abu Shaban deixou claro que não era da sua autoria. No Igmur surgiu a teoria de que a imagem era real mas datava de 2012 e que a criança era um menino e não uma menina.

A BBC encontrou o autor da fotografia, um fotojornalista turco Osman Sagirli, agora a trabalhar na Tanzânia, e pediu-lhe que contasse a história da imagem. Para começar, trata-se mesmo de uma menina, Hudea, de quatro anos. A imagem foi captada no campo de refugiados de Atmeh, na Síria, em dezembro do ano passado. A protagonista tinha chegado ao campo, a 10 quilómetros da fronteira com a Turquia, com a mãe e dois irmãos, depois de uma viagem de 150 quilómetros desde Hama, a sua cidade.

“Eu estava a usar uma lente teleobjetiva e ela pensou que era uma arma. Eu percebi que ela estava aterrorizada depois de ter tirado a foto e de ter olhado para ela, porque ela mordeu os lábios e levantou as mãos. Normalmente os miúdos fogem, escondem a cara ou sorriem quando vêem uma câmara”, conta o fotógrafo.

A imagem foi publicada pela primeira vez num jornal turco em janeiro deste ano, quando teve grande repercussão entre os utilizadores locais das redes sociais.

Ler mais: http://visao.sapo.pt/toda-a-historia-por-detras-da-fotografia-que-comoveu-a-internet=f815189#ixzz3VyhvK1p8
criança

Fonte: VISÃO online

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De Gaza para a NASA

Desde criança que a palestiniana Soha Alqeshawi queria ser astronauta. Hoje, é engenheira e uma das principais responsáveis pela nave Orion, projetada para transportar seres humanos ao espaço profundo

Margarida Santos Lopes (artigo publicado na VISÃO 1151 de 26 de março)
12:46 Segunda feira, 30 de Março de 2015 | 0 comentários
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De Gaza para a NASA
NASA/RADISLAV SINYAK
A televisão mostrava o primeiro lançamento do vaivém Columbia, em 1981, e Soha Alqeshawi, uma criança na cidade de Gaza, onde nasceu, ficou fascinada. “Foi uma experiência inesquecível, aquela enorme quantidade de fogo e fumo. Desejei logo ser astronauta. Queria viajar numa nave e entrar no espaço sideral. A NASA concretizou o meu sonho ao abrirme as portas, primeiro do Space Shuttle e, depois, do Projeto Orion.”

O sonho de Soha consumou-se, acima de tudo, porque foi encorajada a não desistir. “Somos uma família numerosa: pai, mãe e oito filhos”, conta a engenheira palestiniana, numa entrevista à VISÃO, por e-mail. “O meu pai era contabilista e a minha mãe trabalhava em casa. Dedicou a vida a educar-nos e a orientar-nos para sermos o melhor que podíamos. Desde miúda que me ensinaram a importância da educação para realizar as minhas aspirações.”

Muçulmana e mãe de família

“Os meus pais também deram o seu melhor para nos proteger dos efeitos do horrífico conflito que vivemos em Gaza”, adianta Soha. “É uma vida sob medo constante e desespero. Tudo é incerto. A maior parte dos dias não temos acesso às necessidades básicas, como água e eletricidade. Frequentar a escola pode ser uma viagem perigosa. A morte espera-nos a qualquer passo. Tudo isto nos torna mais determinados.”

Embora Soha fosse o único elemento

visão

Fonte: Caras online

Cristina Ferreira: “Ninguém desiste do amor e eu também não”

No lançamento da sua nova coleção de sapatos, à qual deu o seu nome, a apresentadora vestiu-se de noiva e mostrou o seu lado mais romântico

Famosos /

Marta Mesquita /

27 Março 2015, 18:12

Cristina é o nome da nova coleção de sapatos de Cristina Ferreira. A sua paixão por sapatos é tão grande que a apresentadora quis lançar esta coleção vestida de noiva. “No fundo é uma história de amor que tenho com sapatos. E, por isso, decidi que esta coleção seria dedicada ao amor. Tenho alguns sapatos lá em casa que não largo e que sou incapaz de dar, porque fazem parte da minha história. Daí ter decidido que os corações seriam a imagem de marca desta coleção”, explicou Cristina, que lança assim a sua primeira linha de sapatos em nome próprio.
Na ocasião, e por estar vestida de noiva, a apresentadora mostrou o seu lado mais romântico ao revelar que ainda não perdeu a esperança de um dia subir ao altar: “Sinto-me bem vestida de noiva! Este não seria, de todo, o vestido que usaria se me casasse, mas também não tenho noção de que vestido seria. Não perdi o sonho de me casar,, nem que seja no lar de idosos! Ninguém desiste do amor e eu também não!”

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Guernica

Em janeiro de 1937, o governo espanhol pediu a Picasso que criasse algo para o pavilhão da Espanha na Exposição Internacional de Paris que aconteceria em junho. Ao que parece, o pintor espanhol não atravessava seus dias mais criativos, mas, tragicamente, tudo mudou quando recebeu notícias de um terrível bombardeio ocorrido na Espanha.

No dia 26 de abril de 1937, a cidade basca de Guernica havia sido arrasada por aviões nazi-fascistas que testavam seus novos equipamentos. Profundamente comovido pelas fotografias que estampavam o horror nos jornais, o pintor espanhol decidiu traduzir seu sentimento de repulsa à guerra e esperança na paz e no progresso.

Trancafiado no seu ateliê por cerca de um mês e estimulado pelas tristes imagens que dispunha em mãos, materializou e expôs em 4 de junho aquilo que se tornaria sua obra-prima: o painel de Guernica — posteriormente considerado um preciso prognóstico do que aconteceria durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Conta-se, embora não se tenha certeza, que durante a ocupação da França pelos nazistas na Segunda Guerra, um oficial alemão, diante de uma retratação do painel, teria perguntado a Picasso se ele havia feito o famoso painel, no que rapidamente foi respondido pelo pintor: “Não, foram vocês!”.

A cidade de Guernica era pequena, mas amplamente simbólica para o antigo povo basco. O ataque teria matado ao menos 200 pessoas, mas o número de vítimas mortas pode ser superior a mil. Guernica tinha apenas 6 mil habitantes na época.

Naqueles anos, o país de Picasso vivia a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) — travada pelos nacionalistas do general Franco (apoiado pelos nazi-fascistas) contra os governistas republicanos do socialista Caballero (apoiado pela União Soviética). Com a superioridade bélica alemã consubstanciada na Legião Condor, Franco ascendeu ao poder espanhol.

A cidadela foi bombardeada por dois motivos: o general Franco teria desejado humilhar os bascos sob o pretexto de terem dado abrigo a algumas tropas inimigas já vencidas; e, para os nazistas, foi apenas um teste de armas orquestrado por Wolfram Von Richthofen (primo do lendário Barão Vermelho). “Hermann Goering, comandante da Luftwaffe (a força aérea alemã), revelou em 1946, durante julgamento no Tribunal de Nuremberg, que Guernica foi um estupendo laboratório para ensaiar sistemas de bombardeios com projéteis explosivos e incendiários em uma cidade aberta. O resultado da mórbida experiência se tornou o episódio mais lembrado da Guerra Civil.” (TRACCO, 2007, p. 47)

Quando a Segunda Guerra Mundial estourou, em 1º de setembro de 1939, o painel foi enviado aos Estados Unidos da América para que fosse protegido e, exigido pelo próprio pintor, que nunca deveria retornar à Espanha enquanto Franco estivesse vivo. O déspota morreu em 1975 e a obra-prima então retornou para sua casa, em 1981.
Fonte: OBVIOUS (Eudes Bezerra)guernica

Obra constante no Museu Reina Sofia(Madrid)
Pablo Picassa(1937)

Fonte: OBSERVADOR

Em “Segredos e poder do dinheiro”, Filipe S. Fernandes conta a história da mulher mais rica de Angola e “mais importante em Portugal”. Excertos de um livro que vai ser apresentado em abril.
A Dona de Tudo Isto – a província portuguesa 
do império angolano

Em 25 de fevereiro de 2008, Manuel Vicente disse em Luanda, a propósito das participações da Sonangol e da Galp Energia na Enacol de Cabo Verde, que «nós somos os patrões, vamos ditar as regras do jogo. Ponto final». Este grito do Ipiranga rapidamente foi transformado em «Nós agora somos patrões na Galp». Pouco depois, o então presidente da Sonangol afirmava que «a internacionalização da companhia é feita no quadro de uma política de participações cruzadas. A explicação é simples. À medida que houver oportunidades de empresas portuguesas poderem investir em Angola, nós também o faremos em Portugal».

Em 17 de dezembro de 2008, o Banco Comercial Português, em que a Sonangol então já detinha 5%, anunciava que tinha vendido à Santoro Financial Holdings 87.214.836 ações representativas de 9,69% do capital social do Banco BPI, ao preço por ação de 1,88 euros, que se traduziu num investimento de 163,96 milhões de euros.

(…)

“No caso de Isabel dos Santos, junta-se ainda o facto de as suas aplicações financeiras serem em setores protegidos e de renda assegurada e na banca”.

Estes movimentos de ligações financeiras, comerciais
económicas pós-coloniais têm objetivos estratégicos para os angolanos. Por um lado, com a participação nos bancos em Angola têm acesso ao crédito e com as conexões financeiras aos circuitos financeiros internacionais através de bancos europeus. No caso de Isabel dos Santos, junta-se ainda o facto de as suas aplicações financeiras serem em setores protegidos e de renda assegurada e na banca. Assim, Portugal é importante para Angola, como «praça financeira acessível, permeável e integrada no mercado financeiro mundial, uma plataforma onde a estratégia extrativa da elite angolana, com as suas colossais aplicações no estrangeiro, se pode desenvolver sem os atritos encontrados em sistemas bancários como o norte-americano, onde a vigilância e prevenção da corrupção e do branqueamento de capitais está mais desenvolvida».

Isabel dos Santos tem procurado em Portugal também uma boa base para a aquisição de know-how e competências para negócios em Angola, como mostram as joint-ventures feitas com a ZON, NOS, e com a Sonae na Condis, empresas em que detém a maioria do capital. Anos antes, tentou negociar com a Viacer, empresa do grupo Violas, Arsopi e BPI, que controla a Unicer, um acordo para uma nova fábrica em Angola, mas falhou porque Isabel dos Santos não prescindia da maioria do capital.

Em 2013, a Sodiba, empresa de Isabel dos Santos e Sindika Dokolo, fez um acordo com a Sociedade Central de Cervejas (grupo Heineken) que licenciou o fabrico da marca Sagres. O projeto, que já recebeu a anuência da ANIP (Agência Nacional para o Investimento Privado), implica a transferência de tecnologia e uma nova fábrica que ficará localizada no Bom Jesus, município de Icolo e Bengo (Luanda), num investimento de 149,6 milhões de dólares e prevê a produção de duas novas marcas de cerveja, uma delas premium.

Isabel dos Santos não tem uma holding corporativa que concentre e coordene os investimentos, como é norma dos grupos empresariais e conglomerados. Ela prefere criar para cada um dos negócios holdings, sedeadas em offshores como Malta, Madeira, ou a Holanda, que depois participam em cada um dos negócios feitos em Portugal ou na Suíça. O seu modelo de organização é mais semelhante ao de Américo Amorim, de quem se tem distanciado, e menos ao da Sonae. O Globo refere: «Dizem que a complexa estrutura dificulta mapear todos os investimentos da Leoa, como é conhecida em Angola». Por sua vez, o Jornal de Negócios salienta o facto de as suas participações financeiras nas empresas em Portugal passarem através das «mais magníficas offshores», que são «muitas vezes financiadas por bancos portugueses.»