Passos Mansos – Célia Laborne


 

Tenho medo de ti,

de teus olhos – negros como a noite –

que cantam baladas

e que prometem flores.

Tenho medo de ti,

de teus passos mansos

buscando o meu caminho.

Não venhas à minha porta

para seguir depois,

porque cobrirei de lágrimas

as lembranças que deixares.

Tenho medo de ti,

e outra vez te busco

entre soluço e riso.

E outra vez te espero

na estrada escura

de onde o luar fugiu.

O CAMINHO DO DESTINO – Maria da Fonseca

Partir talvez não fosse a minha crença,
Talvez o desejasse, mas temesse.
O certo é que parti sem mais detença
Em busca d’algo que me pertencesse.

Ao azul, ao mar, ao vento indaguei
Qual o caminho para o meu destino,
Com’ às estrelas da noite implorei
Que norteassem para o bem, meu tino.

Pelo ar voei pra encontrar teu mundo,
Pressurosa andei para te alcançar!
Não previa eu o sentir profundo
Que me inspiraria a te procurar!

O amor chegou, eu me apaixonei.
Tinha pra te dar tudo o que sentia
Tu tinhas pra mim o que em ti amei,
Coração viril que me surpreendia.

Assim os dois partimos de mão dada,
Confiantes na vida que esperava,
A idealizar enfim nossa chegada
Ao ponto de partida. Regressava!

LISBOA – PORTUGAL

(membro efectivo da AVSPE)

sugiro uma visita ao seu blogue:

http://poesiadanatureza.blogspot.com

Estrelas no Firmamento gentilmente cedido por Natalia Nuno

Meus passos são serenos
penetrando por entre a multidão
Enquanto meu coração,
reconfortado por tempos amenos
em silenciosa humildade
palpita por aí levando saudade.

Por aí ao vento, ao relento
Numa tarde abrasadora ou chuvosa
Onde me sinto jovem com tempo
confiante, poderosa.

Esqueço a companheira da aventura
A que passou e não olhou
A que traz a angústia nos olhos
A que pressente a loucura
A que com o Mundo se indignou.
Passo a sentir só a outra…
a da saia aos folhos!
A que decide amar,
a que se atreve a deixar-se enamorar.
Sem limitações, de peito em fogo
Determinada a entregar-se logo…logo…logo!

Mas hoje há estrelas no firmamento
E a lua resplandeceu
Era só sonho…lamento.
O sonho morreu.

Ah! Mas o passo é ainda de bailarina
E no olhar ainda aquele brilho
A confiança a que lhe vem de menina
Quando se isolava no meio do milho.
Este sonho que ainda faz ruído
Que embriaga os sentidos
Uma voz ardente de juventude:
Que faz eco ao ouvido…
amiúde…

Persiste, não deixes teus sonhos caídos.

natalia nuno
rosafogo

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Natalia Nuno

 

 

O SOM NOSSO DE CADA DIA – gentilmente cedido por Celia Laborne

O SOM NOSSO DE CADA DIA
Célia Laborne

Todo som é vibração e toda vibração nos atinge no corpo físico, na emoção e na mente. A fala humana é um maravilhoso meio de comunicação que tem sido usado, nem sempre corretamente. Pois deveríamos produzir preferencialmente vibrações de harmonia, de coragem, de corrente positiva.
A fala humana é o termômetro de nosso mundo interior. O grau de equilíbrio, de dinamismo, de concentração ou de medo, de tristeza ou desânimo, são passados através de nossa fala para aqueles que nos ouvem.
Um Mestre de ioga diz que jamais se viu um verdadeiro iogue rouco ou fanhoso. Pelo contrário, ele tem a voz clara, harmoniosa, aveludada; jamais grita ou tenta suplantar a voz do interlocutor.
Observando o nosso modo de falar, ou daqueles que nos rodeiam, apreendemos o estado interior de cada um; percebemos o tipo de energia que circula em cada pessoa.
Simplesmente observando a voz pode-se saber muito sobre cada um; pelas palavras mais usadas, pela modulação da voz, pelo ritmo da fala, pelos gestos que acompanham as palavras.
Também a forma de rir é muito reveladora, é o espelho do mundo interno naquele momento; a altura, o equilíbrio ou o exagero tudo nos mostra o estado interno.
Até mesmo ao telefone, pode-se observar o estado interior de quem nos fala e pode-se também ser atingido pela corrente de energia que nos é transmitida. Há vozes deprimentes, lamurientas e há vozes alegres, vivazes, estimulantes. Há vozes calmantes e irritantes. Existem pessoas que nos cortam a palavra o tempo todo, mesmo quando nos perguntam algo, ou nos pedem uma informação. Há vozes lentas, suaves, compassadas e outras apressadas, prolongadas e nervosas.
Quem evolui um pouco muda sempre sua maneira de falar, seu tom e seu ritmo, seu riso e seus gestos, pois somos um todo, onde as correntes cósmicas jorram em nós como sopros de vida. Somos os instrumentos que se manifestam afinados ou desafinados, falhos ou perfeitos, melodiosos ou irritantes.
Educar a voz, selecionar as palavras, escolher os temas da conversa, preferir o correto, o elevado, o reconfortante é prova de um caminho evolutivo autêntico e superior. Pois a beleza, o ritmo e harmonia fazem parte das Leis da Natureza e tudo que foge a elas agride o ambiente e nos agride como um todo.
E o que se falou sobre as palavras é também muito válido para o canto que é ainda uma vibração mais poderosa e até sutil. As palavras, o tema, o ritmo são importantíssimos para o equilíbrio tanto do cantor quanto dos ouvintes.