A Sic homenageou hoje Simone de Oliveira pelos seus 6o anos de carreira

Tenho uma enorme admiração por Simone de Oliveira,

desde os anos 60, quando criei o seu Clube de Fãs e que

se mantém até hoje. Hoje a SIC, no programa da Júlia Pinheiro,

Queridas Manhãs, prestou-lhe uma justa homenagem, com

uma intervenção(gravada do PR – Marcelo Rebelo de Sousa

muito positiva sobre Simone.Simone após o discurso do PR
Marcelo Rebelo de Sousa, acerca
de si, no programa de hoje das
Queridas Manhãs de Júlia Pinheiro,
chamou a atenção dos nossos deputados
pela vergonha que é um aumento de 5E.
(eu até penso que é menos, mas não tenho
a certeza) aos reformados com reformas
de valor mais baixo.Disse ser uma vergonha!!!
E é, e eu subscrevo totalmente as suas palavras.
Irene

 

 

O Amor é…O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz.
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso.

Joaquim Pessoa, in “Ano Comum”Pintura: Excerto de D Tríptico “O Jardim Delícias”

de Hieronymus de Boch

 

 

 

 

Cristina Ferreira aborrece as mulheres?

Patrícia Reis

Cristina Ferreira, o livro, o assédio e o coro de mulheres banais a gritar com ela.

Cristina Ferreira aborrece as mulheres? Bom, a sua profissão é outra e ela exerce-a bem, basta ver as audiências. Cristina Ferreira é uma mulher como qualquer outra. Não nasceu num berço de ouro, não tem um apelido composto, não estava votada, quem sabe?, ao sucesso. Tinha tudo para ser uma mulher banal, em vez disso fez uma carreira e criou um império de sucesso e financeiramente muito interessante.

Devíamos festejar o sucesso de Cristina Ferreira. Deveria ser um exemplo: com trabalho é possível. Ela conseguiu, eu também posso conseguir. Certo? Ora, nada mais errado porque em pleno século XXI estamos na mesma, mantemos as mulheres de sucesso numa situação antiga: alvo a abater.

Todos queremos ser ricos e ter sucesso, quando alguém lá chega é uma chatice. E se esse alguém for uma mulher, para mais com um palmo de cara? Tem de possuir vários defeitos, tem de ser filha da p**** , tem de ter dormido com A ou B ou com estes e outros, é evidente que possui um plano maquiavélico. Conclusão: Tem tudo para ser dizimada na praça pública.

Cristina Ferreira escreveu um livro e uma publicação a que deveríamos chamar jornal mas o decoro e a ética não permitem (pois, adivinharam, o Correio da Manhã), decidiu tornar uma passagem do livro de Cristina Ferreira notícia da pior maneira. Coloca uma fotografia da apresentadora em pose de sedução, que é como quem diz: andaram atrás de ti? Estás a queixar-te? Estás é a pedi-las. E a isto seguiu-se um bombardeamento de ofensas e piadas jocosas.

Os ataques que as redes sociais permitem, a par dos comentários online nos órgãos de comunicação, destilam fel e as mulheres atacam uma mulher de sucesso com argumentos que se podem classificar assim: machistas. A misoginia é unissexual e a solidariedade feminina é coisa rara. As mulheres não se defendem umas às outras, não fazem lobby umas pelas outras. As mulheres atacam-se. Cristina Ferreira foi atacada por outras mulheres de forma vil. Conta a sua história, à sua maneira, não a embeleza e descreve a situação usando um verbo que na vidinha de todos os dias muitos homens usam, o verbo comer. Um escândalo, uma falta de nível, berram algumas vozes femininas e masculinas. Muitas mulheres, incapazes de superar a sua banalidade, incapazes de festejar o sucesso, escrevem comentários ofensivos e maldosos e não entendem como o baixo nível está do seu lado?

Bom, assim, vai ser difícil progredir, de exercer o direito da paridade. Quando as mulheres são as primeiras a cantar, num coro afinado e muito alto, uma velha canção de Chico Buarque que reza assim: “joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita a Geni.”

As mentalidades mudam devagar. A Cristina Ferreira deve atirar a cabeça para trás e dar uma boa gargalhada, como é seu hábito, por se saber que os cães e as cadelas ladram e às vezes mordem mas nunca estarão na caravana a caminho de um lugar melhor.
Fonte Sapo 24

Foto de Marques Irene.
Foto de Marques Irene.

Fonte: Jornal i

Neurocirurgião deixa quatro filhas e oito netos

João Lobo Antunes morreu hoje aos 72 anos, vítima de doença prolongada. O neurocirurgião presidia atualmente ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Deixou de exercer em junho do ano passado por motivos de saúde, depois de em 2014 ter reunido centenas de pessoas na sua última lição na Faculdade de Medicina de Lisboa. Deixa quatro filhas – a mais conhecida do grande público a atriz Paula Lobo Antunes – e oito netos.

Cinquenta anos de carreira

João Lobo Antunes nasceu em Benfica em 1944 e licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1968. Herdou o nome e a vocação do pai, também neurologista e um dos colaboradores mais próximos de Egas Moniz, herança que sempre fez questão de cultivar e o levou a publicar em 2010 uma biografia do primeiro prémio Nobel português.

O tio-avô fez também história na medicina portuguesa e foi outra das suas grandes influências: Pedro Almeida Lima colaborou também com Egas Moniz e é considerado o pai da neurocirurgia portuguesa, a área em que João Lobo Antunes viria a especializar-se nos Estados Unidos. Entre 1971 e 1984 trabalhou no Instituto Neurológico da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

O regresso a Portugal aconteceu em 1984, altura em que passou a dirigir o serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria. Discreto na vida pública mas próximo dos círculos de influência, foi mandatário das candidaturas de Jorge Sampaio e Cavaco Silva à Presidência da República e membro do Conselho de Estado até ao início deste ano.

Homem das letras

Além da Medicina, Lobo Antunes tinha uma enorme paixão pela escrita e pelos livros, que também herdou do pai e partilhava com o irmão mais velho, o escritor António Lobo Antunes.

Publicou no final do ano passado o seu último livro de ensaios “Ouvir Com Outros Olhos” e estava a trabalhar nas suas memórias. Deixou reflexões sobre a profissão médica e a natureza do homem. Exigente consigo próprio, perfeccionista, numa entrevista ao “Expresso” no final de 2015 dizia que a sua maior qualidade foi ter sido sempre um bom aluno e reforçava o papel central que atribuía à educação e ao esforço individual. “A medicina fez-me médico. Nós aprendemos o básico, a parte artesanal da profissão. É onde muitas vezes falhamos, embora eu tenha sido muito bem-educado. Aquilo em que me tornei é uma demonstração brilhante da virtude da educação, do que chamo o ‘currículo silencioso’, que passa por osmose, informalmente, em sítios tão diversos como o restaurante do hospital ou o serviço de urgência.”

João Lobo Antunes foi distinguido com o Prémio Pessoa em 1996 e recebeu no ano passado o Prémio Nacional de Saúde. Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago de Espada e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Na primeira pessoa

Outubro de 2015

Qual o momento mais marcante da sua vida?

O dia em que nasci, o começo de tudo.

Um livro?

Os “Ensaios” de Michel Montaigne e “Os Maias”.

O que gostava de ter sido?

Professor de Literatura ou Filosofia, mas levando comigo a experiência de ser médico.

O melhor da vida?

As crianças, como dizia o poeta.

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Fonte: Zap.aeiou

Cá sefazem cá se pagam.” É assim que Helena Sacadura Cabral reage ao livro de José António Saraiva, onde este fala da vida sexual do seu filho Paulo Portas, considerando que não lhe perdoa por ter usado o nome do outro filho Miguel Portas, já falecido.

Em entrevista à TSF, a escritora e economista Helena Sacadura Cabral, mãe de Paulo Portas e de Miguel Portas, fala do livro “Eu e os políticos”, que faz revelações sexuais sobre a vida de várias figuras públicas, para tecer duras críticas ao seu autor, José António Saraiva.

“O arquitecto Saraiva bolsou cá para fora uma série de coisas que o vão acompanhar para o resto da vida”, considera Helena Sacadura Cabral, frisando que “ele vai ter um dia o troco disso.

“Porque cá se fazem, cá se pagam”, garante.

“O arquitecto Saraiva gostou de fazer aquilo, foi necessário para o seu ego fazer aquilo, vai ter que conviver a vida inteira com isso”, diz ainda a economista e escritora, considerando que a vida se vai encarregar de castigar o ex-director do Sol e do Expresso.

Sacadura Cabral diz que não perdoa a Saraiva o facto de ter citado o nome de Miguel Portas, que morreu há quatro anos, vítima de cancro. No livro, o ex-jornalista refere que Miguel Portas lhe terá contado que o irmão Paulo é homossexual.

Sem falar em concreto do que está escrito em “Eu e os políticos – o Livro Proibido”, Helena Sacadura Cabral recusa avançar com qualquer processo civil contra Saraiva, argumentando que isso seria “dar-lhe o crédito de que aquilo poderia ser verdadeiro ou não”. “Deus me livre”, desabafa.

A entrevista da TSF foi realizada no âmbito do lançamento do livro “Memórias de uma vida consentida”, uma biografia da economista onde ela fala da sua vida desde a infância até aos 50 anos.

A obra saiu para as livrarias esta terça-feira, 4 de Outubro, e Helena Sacadura Cabral explica no seu blogue fio de prumo que decidiu escrevê-lo “quatro anos passados sobre o desaparecimento” do filho Miguel e com Paulo Portas “já fora da política” porque sentiu que “talvez fosse chegada a altura de dar a conhecer” aos que lhe “são próximos” o seu “olhar” e “sentir” sobre a sua vida.

A economista garante que os dois irmãos “sempre se protegeram e apoiaram” e diz que Paulo Portas “meteu-se na política por causa do irmão”.

“E como o Miguel era de esquerda, ele tinha que ser de direita, porque senão seria sempre o número 2″, conta Helena Sacadura Cabral, que diz que “não ia aguentar se ele voltasse” à política.

SV, ZAP

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Fonte: Revista Visão

Era muito bonita, a mãe. Ensinou-nos a ler e ensinou-nos a dançar, talvez as duas coisas mais importantes do mundo. E lembro-me de a ver andar de bicicleta na Praia das Maçãs, um pouco indignado porque andar de bicicleta era uma coisa para nós, não era uma coisa para ela

António Lobo Antunes

Quando eu era pequeno, à noite, e já estava sentado na cama, a mãe dizia
com Deus me deito

com Deus me acho

aqui vai o Tóino

pela cama abaixo

eu ia, ela apagava a luz, e logo a seguir manhã. Hoje sonhei que estava sentado no parapeito do Viaduto Duarte Pacheco, a minha mãe chegava, dizia

com Deus me deito

com Deus me acho

aqui vai o Tóino

pela cama abaixo

eu ia e logo a seguir nada. Um dia destes vai ser assim, desejo que um dia destes seja assim.

O meu irmão Pedro morreu muito depressa no dia 21 de Dezembro, como era costume nele sem prevenir ninguém, mas tenho a certeza que, em qualquer ponto seu

com Deus me deito

com Deus me acho

aqui vai o Pedro

pela cama abaixo

só que, se calhar, ninguém tomou atenção a estas palavras. No dia seguinte fomos, os irmãos, dizer à mãe. Estava sentada na cadeira do costume e portou–se com a imensa dignidade com que sempre viveu. As suas palavras foram

– Tenham misericórdia de mim.

Era muito bonita, a mãe. Ensinou-nos a ler e ensinou-nos a dançar, talvez as duas coisas mais importantes do mundo. E lembro-me de a ver andar de bicicleta na Praia das Maçãs, um pouco indignado porque andar de bicicleta era uma coisa para nós, não era uma coisa para ela.

Depois de

– Tenham misericórdia de mim

que foi a única vez que a vi usar essa palavra, passado um bocado acrescentou

– Uma mãe não tem o direito de estar viva quando um filho morreu

e morreu de lhe ter morrido o filho, com uma discrição e uma elegância exemplares. Não tinha nenhuma doença especial: apenas a obrigação de cumprir um dever e foi juntar-se ao Pedro. Não comia quase, sentada na cadeira em que recebeu a notícia. Às vezes dizia-lhe versos porque ela gostava muito de poesia. Na igreja disse-lhe um dos seus sonetos preferidos, de António Sardinha, que aprendi com o pai. Costumava contar que o pai, enquanto se arranjava de manhã, na casa de banho, recitava poemas e ela ficava a um canto, a ouvi-lo.

– O que é que a seduziu no pai, mãe?

– A inteligência

ela que começou a namorá-lo aos catorze anos. Isso e a voz do pai, tão sensual:

– Nenhum dos filhos herdou a voz do pai. Talvez o António, um bocadinho.

A sensualidade e a inteligência, ela que era uma mulher muito inteligente. Falava, por exemplo, de Bento de Jesus Caraça que tinha conhecido menina, lá na Beira Alta, com o entusiasmo com que uma adolescente fala de um actor de cinema. Durante os meses ?em que esteve a preparar-se para se reunir ao filho às vezes pegava–lhe na mão e os dedos tão suaves e doces. Não éramos ricos, teve muitos filhos, tinha de tomar conta daquilo tudo, costurava, trabalha bastante em casa e quando se arranjava, assim para jantares mais de cerimónia, ficava uma brasa e pêras. Também não era especialmente terna mas contava-me, por exemplo, que, era eu bebé, lhe doía a boca de me dar beijos. Entre tantas mulheres apenas ela me declarou isso. Deve ser tão bom doer a boca de beijar. Há alturas em que me sinto culpado pelos problemas que lhe atirei para cima: doenças (uma meningite aos oito meses durante a qual estive em coma, tuberculose aos três anos), o meu mau feitio

(- Assim tão mau, mãe?)

o meu completo desinteresse pelos estudos

(Só se preocupa em escrever e ler)

o seu receio de me ver acabar a vender pensos rápidos e Bordas d’Água nas esplanadas porque a literatura não dá de comer a ninguém, esquecida que a culpa era dela dado que nos ensinou a ler antes de entrarmos para a escola e, em mim, a doença pegou:

– Só liga a livros e a raparigas.

Eu perguntava-lhe

– Existe alguma coisa para além disso, mãe?

e o facto de não responder significava, talvez, que até certo ponto estava de acordo.

Às vezes, ao zangar-se

– Não sorrias porque estou a ralhar-te

e, quando eu sorria, era-lhe difícil ralhar-me

– Sobretudo não faças essa carinha

e eu lá mudava a carinha para o resto da descompostura. Julgo que só compreendi bem o que sentia por mim quando estava com o cancro e ela veio visitar-me. Não era mulher de lágrimas mas a cara encontrava-se cheia delas, escondidas. Agora tenho o seu retrato ali e sou eu que as escondo. Pior do que você, mãe, visto que sou mais chorão. A Zézinha nasceu quando eu na guerra e escreveu-me a contar: “não sei se estás vivo ou morto porque há um mês e meio que não sei nada de ti”. Estava vivo. Não assim muito vivo, mas vivo, ao passo que quanto a si, mãe, nunca esteve tão viva como agora.

Com Deus me deito

com Deus me acho

aqui vai o Tóino

pela cama abaixo.

Tanta coisa que eu podia contar a seu respeito, e não conto, e jamais contei. Não sou capaz, tenho pudor. Enquanto a metiam debaixo da terra e não aguentei, fui-me embora. Fazia um dia de sol muito bonito. E tive a certeza de ver o Pedro ao longe. Não precisámos de falar. Quase nunca precisávamos de falar para nos entendermos. Mas a palavra mãe ia de um para o outro. E somos nós que vamos pela cama abaixo. A mãe será a última pessoa a ficar, olhando para a gente. Nascemos de si, não tem o direito de se ir embora. Não concorda? Olhe que eu ponho-me a sorrir aquele sorrisinho parvo até escutar que sim.

Palavras-chave

lobo

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